terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Prolactina e as Tentativas de Engravidar

Nosso corpo possui uma infinidades de hormônios que ajudam  no funcionamento dele. A prolactina é um hormônio que regula a produção do leite. Apesar de ser mais ativo durante a fase de gravidez e pós parto, ele está presente no sangue, em pequena quantidade, e não apenas no corpo da mulher, mas também no do homem.

Prolactina no corpo


A prolactina é produzida pelo estímulo da hipófise, glândula localizada no sistema nervoso central. Ainda durante a ovulação, esse hormônio estimula o desenvolvimento das glândulas mamarias, de forma a preparar o corpo para gestação e para o aleitamento do bebê. Também é responsável por ajudar a controla o funcionamento de outros hormônios. 

Caso haja algum desequilíbrio no funcionamento do corpo, a hipófise pode se confundir e estimular o aumento no nível de prolactina fora do período gestacional, o que irá atrapalhar as tentativas de engravidar, pois o corpo trabalha como se já houvesse uma gravidez, de forma que há a inibição da ovulação. 

O aumento da prolactina no corpo é denominado de hiperprolactinemia e tem efeito diferente no homem e na mulher. No entanto, é mais comum em mulheres de 20 a 50 anos. 

Causa da hiperprolactinemia


Além da gestação ou amamentação, que é quando seu aumento é normal, o alto nível de prolactina pode ser causado por uso de medicamentos como antipsicóticos, os antieméticos, os antidepressivos, a ranitidina e a cimetidina, os opiáceos, os anti-hipertensivos, os estrógenos (o que inclui alguns anticoncepcionais), dentre outros, incluindo drogas de uso ilícito. O estresse e distúrbios do sono também podem causa aumento nos níveis de prolactina, bem como  hipotireoidismo, síndrome de ovários policísticos, doenças renais, alterações na molécula da prolactina, e doenças que acometem o sistema nervoso central como traumas, infecções e tumores.

Sintomas da hiperprolactinemia


Nas mulheres, o nível alterado de prolactina pode causar um encurtamento da fase lútea (período após a ovulação, que em geral dura 14 dias), anovulação (não ovular), que leva a infertilidade, ciclos menstruais irregulares ou ausentes, menor lubrificação vaginal e apetite sexual diminuído, dor durante as relações sexuais, seborreia, aumento dos pelos (hirsutismo) ou mesmo abortos espontâneos recorrentes.

Nos homens pode haver diminuição do apetite sexual, dificuldades de ereção, infertilidade causada por diminuição da quantidade de esperma (oligospermia). Pode ocorrer também o aumento da gordura abdominal, perda de força ou volume muscular (hipotrofia muscular), redução do crescimento dos pelos e aumento das mamas (ginecomastia).

Um sintoma que pode aparecer, tanto no homem quanto na mulher, mas que não é um fator determinante para diagnóstico, é a presença de leite das mamas (excluindo claro, mulheres com gestação em curso ou amamentando), onde é mais notada no homem. Outros sintomas como fadiga, ansiedade, irritabilidade, instabilidade emocional e depressão também podem ser sintomas do alto nível de prolactina.

Como detectar e tratar alterações da prolactina?


A verificação de alterações no nível de prolactina é feita com exame de sangue. O paciente deve estar a mais de 8h em jejum, e deve passar por um período de repouso (cerca de 30min) antes do exame, para que os níveis hormonais se estabilizem no corpo. Os valores de referências são entre 3,4 e 24,1ng/ml, valores que não se encaixem nesse intervalo deverão ser avaliados pelo médico. 

O tratamento depende da causa, mas quase sempre é feita com uso de medicamentos que estabilizam os níveis de prolactina, como a cabergolina (Dostinex) e a bromocriptina (Parlodel). Quando há a ocorrência de tumores, o tratamento é feito com uso de medicamentos ou casos específicos com a cirurgia hipofisária e radioterapia que normalizam os níveis de prolactina, reduzem o tumor e restabelecem as funções sexuais e reprodutivas em aproximadamente 80% dos casos.

É muito importante avaliar os níveis de prolactina quando estamos tentando engravidar. Como alguns sintomas podem ser confundidos com outras causas, poderá haver alteração na ovulação e não se conhecerá a causa sem que se faça um exame hormonal. Por isso, é muito importante que peça ao médico essa avaliação, ainda que ele ache desnecessária (muitos médicos não gostam de pacientes informadas), insista pois é melhor ter todos os fatores que possam atrasar o positivo sob controle. Espero que tenham gostado e boa sorte!

Nenhum comentário:

Postar um comentário