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Nidação do embrião
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Quando estamos a espera da chegada da menstruação, costumamos ficar pensando no que acontece com nosso corpo e quais sintomas podem indicar que enfim o positivo está a caminho. Muitas pré-mães tem dúvidas a respeito de como ocorre e o que é a nidação. Já li muitos depoimentos contando que nunca tiveram essa tal de nidação, mesmo algumas grávidas costumam fazer essa afirmação.
Na verdade, toda mulher grávida ou que já tenha tido uma gravidez teve a nidação. O que muitas não tiveram é um sintoma característico, mas nem sempre observável, do sangramento de nidação.
A palavra nidação tem origem no latim nidus, que significa "ninho”. Então o processo de nidação nada mais é que o embrião fazendo seu ninho no útero. Lugar onde ele ficará fixado e protegido (desejo de toda mãe) até o fim da gestação.
Entendendo o processo
Após a fecundação do óvulo nas trompas de Falópio ocorre uma movimentação do mesmo até o útero. Durante esse processo é que vão ocorrendo as divisões celulares que serão futuramente tecidos e órgãos do bebê. Trata-se de um período onde o ovo fica mais vulnerável, pois o corpo da mãe pode considerar o mesmo um agente nocivo, dessa forma tentará eliminá-lo.
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| Caminho do óvulo da fecundação até o útero |
Geralmente, a cada 3 óvulos fecundados que percorrem este caminho, somente 1 consegue chegar ao útero para a nidação. Vencida essa etapa ao chegar lá, o embrião "se afunda" no endométrio (parede que reveste o útero) fixando-se no mesmo.
O sistema da mãe faz uma verificação natural a fim de preservar apenas o embrião mais viável. Dessa forma, durante o processo que o embrião encaminha-se até o útero, o organismo confere se existe alguma má formação celular, e em caso positivo, interrompe o processo para que haja expulsão natural do ovo, é o caso da gravidez anembrionária.
O endométrio necessita estar apto a receber o embrião de forma segura. Se a parede do útero estiver fina demais, o embrião não conseguirá se fixar e poderá ocorrer o abortamento do mesmo. Assim sendo, um endométrio viável terá cerca de 7mm a 15mm e será constituído de 3 camadas.
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| Nidação detalhada |
Processo de Nidação
Dias após a fecundação, o ovo, com as células ainda em multiplicação, faz sua descida ao útero e começa a procurar um lugar para se fixar. Nessa altura, um hormônio ovariano, a progesterona, já terá preparado o endométrio para alimentar o ovo, mediante suprimento adicional de glicogênio e outras substâncias nutritivas. Sem isso, dificilmente o embrião "vinga". Acontece às vezes de o óvulo fecundado acomodar-se na mucosa da trompa, e não na do útero. Ou mesmo, em casos raríssimos, em alças intestinais e outras mucosas. São casos patológicos (gravidez ectópica), em geral muito graves, por ameaçarem a vida da mãe.
Normalmente, dentro do útero, o ovo se transforma numa bolha sólida cheia de liquido. Por dentro desse globo, num dos pólos, aglomera-se um tipo especial de células, numa protuberância interna do tamanho de uma cabeça de fósforo. O ovo agora se chama blastocisto (blasto = que vai gerar algo; cisto = cavidade). Mais tarde, a parede do blastocisto, chamada trofoblasto, irá dar origem à placenta.
A massa polar de células dará origem ao embrião. Quando o blastocisto finalmente faz contato com o endométrio, as células do trofoblasto atacam vigorosamente as células endometriais e as vão destruindo. Os elementos constituintes das células do endométrio servem para alimentar o blastocisto nesse estágio, que ataca tudo vorazmente, inclusive microscópicos vasos capilares da região. E o sangue da mãe começa a alimentar o filho. O rompimento dos vasos, devido ao processo de nidação, forma lagunas de sangue que alimentam o blastocisto. O endométrio começa a transformar-se, num processo que se irradia circularmente do ponto em que o trofoblasto ataca, em geral a região mais alta do útero, mas nem sempre.
Em torno do sétimo ao décimo dia após a fecundação o blastocisto fixa-se ao endométrio (momento culminante da nidação) e, finalmente, entra em contato com a mãe. Após a fixação do blastocisto, começa a formar-se o embrião, que toma esse nome três semanas depois.
O endométrio na nidação
O endométrio recobre o blastocisto e forma em torno dele uma cápsula de tecido modificado. A modificação do endométrio chama-se reação decidual, porque o tecido endometrial se transforma em decídua ("que desce", ou cai), a ser expulsa no parto. A cápsula vai crescendo, dentro do útero, com o embrião dentro dela. É importante notar, portanto, que o embrião não se desenvolve dentro da cavidade normal do útero, mas dentro de uma cápsula hermética que, ao crescer, acaba por ocupar toda a cavidade uterina e dilatá-la. A razão disso é a necessidade de proteger o embrião ou feto contra qualquer contato direto com o exterior. Isso não aconteceria se o processo decorresse dentro da cavidade normal, que se comunica com a vagina através do canal do colo do útero.
O endométrio transforma-se em três tipos de decídua: a parietal que é a que continua a revestir internamente o útero nas partes ainda não atingidas pela cápsula onde se aloja o embrião; a decídua capsular, que envolve a cápsula; e a decídua basal (de base), que fica por baixo dela. O trofoblasto primitivo regride na decídua capsular e forma uma camada lisa por baixo dela, o cório careca. Junto à decídua basal, o trofoblasto se transforma em cório frondoso, de onde se originará a parte fetal da placenta. A decídua basal, par baixo do cório frondoso, dará origem à parte materna da placenta.
O âmnio é uma cavidade que existe primitivamente junto ao dorso do embrião, por baixo do trofoblasto. Ao crescer, acaba por envolver totalmente o embrião e, quando adere ao cório careca, que o reveste, forma a parede do saco córioamniótico, conhecido popularmente como bolsa d'água, que em geral se rompe na iminência do parto. A cápsula recoberta pela decídua parietal vai crescendo e ocupando uma porção cada vez maior da cavidade uterina, mas levará muitas semanas até ocupá-la totalmente.
Um aspecto importante de todo o processo de nidação é que o embrião está a salvo de contrações uterinas que poderiam resultar do ataque ao endométrio. O que o protege contra os movimentos, que poderiam expulsá-lo, é a ação da progesterona, secretada pelo corpo lúteo, a principio, e pela placenta depois. A progesterona inibe a contração das fibras musculares uterinas e contribui assim para maior segurança da gravidez.
Quanto tempo leva para ocorrer a nidação?
Não se pode determinar uma data certa para que haja a nidação. É um processo que irá varia de mulher para mulher, bem como o tempo em que houve a ovulação e a fecundação. Da fecundação até a nidação, leva-se cerca de 5 a 12 dias. Ou seja, essa viagem das trompas até o útero não é imediata. Algumas mulheres imaginam, equivocadamente, que ovulou num dia e no outro dia o embrião já estaria se fixando no útero, em média, o prazo para isso ocorrer é cerca de 7 dias. A implantação completa do embrião pode levar em torno de 13 dias. De modo geral, o processo todo levaria de 4 a 15 dias.
Somente após a nidação é que o corpo passa a produzir HCG (Gonadotrofina Coriônica Humana), que é o hormônio que os exames de farmácia e de sangue (beta hCG) detectam para confirmar a gravidez. O nível de hCG no corpo da mãe aumenta diariamente, sendo que dobra de valor a cada 48h. Isso facilita para determinar o tempo de gestação com base na concentração do mesmo. Geralmente, seu valor passa a ser detectável no mesmo período em que haveria o ciclo menstrual.
Sintomas de nidação
Nem sempre é possível de observar que houve a nidação. Em algumas mulheres, esse processo passa despercebido. Contudo, em se tratando de pré-mãe, costumamos estar mais atentas às mudanças do nosso corpo, isso pode ajudar a identificar que há um bebê no forninho.
Sangramento: durante o processo de fixação do embrião ao útero, uma veia pode ser atingida, dessa forma, um pouco de sangue pode se apresentar, nos fazendo confundir com o período menstrual, já que ocorre em média no mesmo período em que deveria vir a menstruação. Algumas vezes, pode ocorrer esse pequeno sangramento uns dias antes do que seria normalmente o ciclo. Nem todas as mães verão esse sangramento, já que o processo pode ser silencioso, sem que haja qualquer indicação que esteja ocorrendo.
Algumas pessoas descrevem esse sangramento como sendo em quantidade pequena, outras de pequena a moderada, mas sempre menor fluxo que o normal. Pode ter coloração marrom clara ou café, mas há casos, em que se apresentou rosado ou mesmo uma gota vermelha, podendo ser aguado ou em meio ao muco cervical. Costuma ser rápido e durar até 3 dias.
Cólicas: esse é outro sintoma que nos faz duvidar de que o positivo tenha chegado. Nem sempre elas indicarão que houve ou está havendo nidação, principalmente por ser uma característica muito comum às vésperas do aparecimento da menstruação. Ocorre devido a preparação do útero para o crescimento uterino, os músculos do útero se esticam para acomodar melhor o embrião.
Pontadas e dor no baixo ventre: é uma leve dor na parte baixa do ventre, que podem ou não serem acompanhadas de pontadas ou fisgadas no útero. Costuma ser leve, mas pode se apresentar de forma mais forte. No geral, é uma dor suportável.
Quando posso fazer o teste de gravidez?
Como não há datas específicas para determinar a nidação, não há um período certo antes do atraso menstrual. Caso haja a suspeita de que houve nidação, deve-se esperar pelo menos uns 13 dias após o evento para que a presença de hCG seja detectável na urina ou no sangue.
Lembre-se que cada mulher tem suas particularidades, ainda que uma mulher tenha conseguido seu teste positivo mesmo antes do atraso, não significa que seu corpo reagirá igual. Da mesma forma, caso tenha suspeitado de nidação mas o teste não positivou e ainda continua com sintomas, aguarde uns dias para que, caso esteja grávida, o nível de hCG aumente no corpo.
O importante é não desanimar, mesmo que você ainda não tenha conseguido seu positivo. Lembre-se que muitas mulheres também estão aguardando a chegada da cegonha e que talvez a bendita esteja apenas procurando seu endereço. Não perca a fé... O seu bebê vai chegar. Até a próxima.