Mostrando postagens com marcador FIV. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FIV. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Doação de Óvulos


O avanço da medicina hoje traz muitas possibilidades de tratamentos para quem deseja engravidar. Os tratamentos de fertilização costumam ser caros e nem todos tem condições de arcar com tudo, mas existem algumas opções mais baratas, em relação aos tratamentos convencionais, que podem ajudar a realizar o grande sonho de ser mãe. Uma dessas opções é a Doação de Óvulos. Além da questão financeira, vários são os motivos que podem levar a mulher a recorrer à doação de óvulos como fatores genéticos que impedem engravidar, falência ovariana ou mesmo a idade da mulher.


Do que trata a doação de óvulos?


A ovodoação ou doação de óvulos ocorre quando uma mulher cede seu óvulo para que ele seja fecundado e transplantado para o útero de outra mulher. 


Como funciona a doação de óvulos?


No Brasil, a lei estipula que essa doação seja anônima, dessa forma a doadora não saberá a identidade da receptora e vice-versa. A doação é ética e legal desde que não haja fins comerciais e a mãe dessa criança será considerada a mulher que o carregou no seu ventre, e não a que forneceu o óvulo. 

Caso a mulher que deu a luz à criança seja uma barriga solidária, o filho é considerado do beneficiado pelo procedimento, ou seja, do casal para quem a mulher cedeu o útero.

A doadora será estimulada para um ciclo de FIV (Fertilização in Vitro), do qual resultará a coleta de vários óvulos, dos quais metade (doação compartilhada) será doado para uma outra mulher que não tem mais capacidade de produzi-los – esta é a receptora.

A receptora terá que ter seu útero preparado com hormônios (estradiol e progesterona) antes de receber o(s) embrião(ões), e os mesmos terão que ser mantidos até o terceiro mês de gestação, quando a placenta passa a ser a responsável pela manutenção da mesma. Após o terceiro mês, a gestação evolui normalmente, sem a necessidade de suporte hormonal. O pré-natal é igual ao de uma gravidez concebida naturalmente e a mãe poderá amamentar sem nenhuma diferença de uma gravidez espontânea.


Como é feita a doação de óvulos?


Como no Brasil não existe um banco de óvulos para doação, é necessário que haja uma seleção da doadora. A doação é feita voluntariamente por mulheres que queiram ajudar outras mulheres a realizar o sonho de engravidar. Costumam ser candidatas jovens que fazem a coleta dos óvulos ao mesmo tempo em que a receptora prepara o útero para receber o embrião.


Doadoras e Receptoras


O ciclo de doação de óvulos é realizado pela técnica de Fertilização in vitro na qual os gametas femininos (óvulos) de uma mulher (doadora) são doados a outra (receptora) para que sejam fertilizados. 


No mesmo dia em que os óvulos da doadora são aspirados, o homem (seja doador ou parceiro da paciente em tratamento) faz a coleta dos espermatozoides, para que no mesmo dia eles sejam fecundados em laboratório. O procedimento pode reproduzir a situação no útero, colocando na mesma cultura um óvulo e alguns espermatozoides, ou eles podem ser injetados diretamente no óvulo, pelo método de injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), dependendo da qualidade dos gametas masculinos. (Como avaliar a fertilidade com o Espermograma?)

A doadora será estimulada com hormônios, que podem ser via oral ou injetáveis, que vão aumentar a produção de óvulos naquele mês. Após a coleta, pelo processo da doação compartilhada, metade dos óvulos serão fertilizados com os espermatozoides do marido da doadora e a outra metade com os espermatozoides do marido da receptora.

Vinte e quatro horas após a fertilização sabe-se quantos embriões se formaram, estes permanecem no laboratório por 2 a 5 dias e após serem selecionados serão colocados no útero através de um cateter por via vaginal. Não há necessidade de sedação.


Desta forma, o(s) embrião(ões) transferido(s) para o útero da receptora, será(ao) formado(os) pelo espermatozoide do próprio marido e o óvulo de uma doadora. A receptora recebe dois únicos hormônios (estrogênio e progesterona) para o preparo do endométrio a fim de receber os embriões, pois não existe indução de ovulação. A taxa de sucesso de gravidez é a mesma da paciente doadora que tem idade ao redor de 30 anos (50%).


Quem pode ou não doar


O ideal é que a doação seja feita por mulheres com menos de 35 anos, pois seus óvulos são mais novos e apresentam menores chances de terem problemas na estrutura genética causados por uma divisão celular ruim. É importante também que a doadora não tenha nenhuma doença genética hereditária. Além disso, ela também não deve ter nenhum problema de saúde que possa ser agravados pela estimulação ovariana, como cânceres dependentes de hormônio. Não deve apresentar doenças infectocontagiosas e deve possuir tipo sanguíneo e físico compatível com a receptora. Além disso, o potencial ovariano também é considerado.

Muitas vezes essa opção é oferecida para mulheres que já estão em tratamento de reprodução assistida com seus próprios óvulos, mas de repente não têm mais como pagar o tratamento. Em troca, o casal ou a mulher que vai receber a doação paga metade do tratamento da doadora. Essa é a chamada doação compartilhada.

IMPORTANTE:

Os critérios aceitos para definir quem pode ser doadora de óvulos são variáveis de acordo com a resolução vigente do CFM (Conselho Federal de Medicina) na época do procedimento.


Quais os riscos da doação de óvulos


As doadoras devem ser informadas sobre os riscos de hiperestimulação ovariana bem como sobre outras possíveis complicações da fertilização in vitro como a gestação múltipla, sangramento, infecção e anestesia.

Para a receptora, os riscos são os mesmos de uma fertilização in vitro. Como o embrião é fecundado fora do útero e depois transferido de volta, existe uma pequena chance de que ele se desenvolva fora do útero, a chamada gravidez ectópica, que pode colocar a vida da mulher em risco. Para reduzir as chances desse tipo de gestação, o embrião normalmente é colocado a 1 centímetro do fundo do útero. 

No Brasil, não há necessidade de se contratar um advogado para acompanhar o tratamento, a não ser, em alguns casos específicos, como por exemplo, barriga de aluguel (corretamente chamado de útero de substituição).

As receptoras devem saber que, apesar das doadoras serem mulheres com idade de chances mínimas para malformações cromossômicas, esta possibilidade não pode ser excluída.


Como se preparar para a doação de óvulos?


Se preparar para a doação de óvulos nem sempre é muito fácil, principalmente para a mãe que pode sentir-se confusa em gerar um filho vindo do gameta de outra mulher. Nesses casos, um acompanhamento psicológico do casal pode ajudar a resolver questões como a espera para engravidar (que pode justificar não poder usar seus próprios óvulos) ou mesmo o adiamento da gravidez devido a outros fatores.

O tempo para tomar a decisão de optar pela doação de óvulos pode levar semanas ou mesmo meses e o fato da mulher poder vivenciar toda a gestação contribui para a aceitação do tratamento. Também é possível escolher as características da doadora como cor dos olhos, cabelo e pele, fazendo que seja mais parecido com as suas próprias.

Uma forma de ajudar na decisão da doação de óvulos é levantar junto ao médico algumas questões como:
  • Quantos tratamentos com doação de óvulos é feito pela clínica por mês e qual a taxa de sucesso?
  • Como são selecionas as doadoras e quantas ficam disponíveis para tratamento imediato? Existe um tempo de espera para encontrar uma doadora?
  • Como funciona o pagamento do tratamento?
  • Uma doadora pode doar para mais de uma receptora para reduzir os custos do tratamento?
  • O que ocorre caso a doadora não tenha óvulos suficientes? Haverá diferença nos custos do tratamento?
  • A receptora deve ter uma idade máxima para tratamento ou um estado civil específico?


Onde buscar tratamento?


Normalmente esse tipo de tratamento é oferecido por clínicas e hospitais especialistas em reprodução humana. O SUS (Sistema Único de Saúde) também oferece o tratamento em alguns hospitais universitários.


Deve-se ter bem esclarecido que a doação de óvulos além de ser uma opção de tratamento com melhor custo financeiro é um ato de amor e que não se pode ter ilusões de como seria conhecer um filho gerado pelo óvulo doado. Legalmente e eticamente, a mulher deve saber que é uma ação totalmente altruísta que a destitui de qualquer vínculo com a criança. É importante tirar todas as dúvidas mas que ao optar pelo tratamento estará contribuindo não apenas para sua felicidade mas também para a felicidade de uma outra família. Até a próxima!

Leia também:




sexta-feira, 10 de junho de 2016

Coito Programado


Quando se pensa em engravidar, sabemos que namorar nos dias certos é a etapa básica para a conquista do positivo. Muitas mulheres já ouviram falar do coito programado quando se trata de agendar os dias certos para os treinos! Contudo, esse tratamento vai muito além de realizar os namoros nos dias certos. Mas afinal, se não é só namorar nos dias certos, como o que é e como funciona o coito programado?

Entenda o coito programado


Muitos são os tratamentos de fertilidade que podem facilitar a chegada do bebê. Dentre os tratamentos, costuma-se dividi-los em tratamentos de baixa, média ou alta complexidade. Nos casos mais simples é normal que se tente os tratamentos de baixa complexidade, como é o caso do coito programado. 

O coito programado consiste na realização da indução de ovulação por meio de medicamentos, com acompanhamento através de exame de ultrassom (controle de ovulação com ultrassom seriada). No decorrer do tratamento, são realizadas ultrassonografias, geralmente a cada dois ou três dias, para acompanhar o crescimento dos folículos. Quando os folículos alcançam o tamanho ideal, ou seja, o período ovulatório, o casal é orientado a ter relações sexuais com maior frequência. Deste modo, o tratamento permite prever em qual o dia do ciclo a mulher terá maior chance de engravidar.

Coito programado e indução de ovulação


Devemos deixar claro que fazer indução de ovulação não significa estar programando o dia dos namoros, pelo menos não exatamente. Isso por causa de que muitos médicos, apesar de passar indutores de ovulação, não se atentam em pedir a avaliação através da ultrassom seriada. Ou seja, se não foi programado exatamente o dia em que ocorrerá a ovulação, não se pode chamar de coito programado, mesmo que se tenha uma ideia de quando pode ocorrer a ovulação. De forma simples, o coito programado é feito com a indução de ovulação, mas infelizmente, nem toda indução é feita com o coito programado, isto é, com a programação dos dias certos de namoros. Outra questão é que nem sempre a indução é feita com intenção de programar o namoro, como é o caso da FIV (fertilização in vitro) em que necessita-se de um equipamento laboratorial sofisticado além de envolver protocolos mais complexos de estimulação ovariana.

Como é feito o tratamento?


O tratamento basicamente tem início no segundo ou terceiro dia do ciclo, quando a mulher ainda está menstruada. Neste momento, é realizado o primeiro ultrassom transvaginal. A paciente não deve ficar preocupada com o desconforto do sangue menstrual, pois os médicos estão acostumados a realizá-lo nessa fase. Esta fase inicial é importante, pois o exame diagnostica se o ovário tem algum cisto remanescente do ciclo menstrual anterior e se no interior do útero existem pólipos, miomas ou tecido endometrial em excesso, o que poderia alterar as taxas de sucesso.

Neste primeiro ultrassom, os ovários devem ter pequenos cistos que medem no máximo 6 mm, chamados de folículos primordiais. Dentro deles existem óvulos, que saem na época da ovulação. Dependendo do resultado deste primeiro exame, o controle ovulatório pode ser iniciado para se determinar o dia provável da ovulação.

Existem dois tipos de medicamentos de indução, os administrados por via oral, como o citrato de clomifeno, ou através de injeções subcutâneas, o caso das gonadotrofinas, que agem diretamente nos folículos do ovário, o local onde o óvulo se desenvolve. A dosagem do remédio é individual, e varia de acordo com fatores como idade, número de folículos ovarianos, peso e altura.

No decorrer do tratamento, o(s) folículo(s) e o endométrio devem crescer progressivamente, o que será verificado por meio de mais alguns exames de ultrassom, mais precisamente a cada dois ou três dias. Quando o(s) folículo(s) alcança(m) o tamanho adequado, é aplicada uma medicação chamada hCG, que promove a maturação final do óvulo e a sua saída do ovário (entre 36 e 40 horas depois). Após esta etapa, o óvulo liberado é capturado pelas tubas e, no interior delas, é fertilizado pelos espermatozoides originados de uma relação sexual normal. Dentro desse período o casal deve ter relações sexuais, e em 15 dias já é possível fazer o teste de gravidez para verificar se houve sucesso no método.


Indicação do tratamento com coito programado


As principais indicações do coito programado são:
  • pacientes jovens (abaixo de 37 anos);
  • pacientes com fator ovulatório como única causa de infertilidade;
  • virgens de tratamentos anteriores;
  • qualidade adequada do sêmen;
  • integridade anatômica do sistema reprodutor feminino.


Taxas de sucesso do tratamento


A porcentagem de sucesso do método gira em torno de 20 a 25% dos casos. Normalmente essa taxa diminui conforme a idade da mulher, principalmente após os 35 anos. Isso ocorre porque são usados os óvulos naturais da mulher, que como já existem nos ovários desde o nascimento dela, acabam envelhecendo, podendo gerar embriões inviáveis devido a alterações genéticas ou malformações.

Os especialistas indicam até três tentativas, que podem ser feitas consecutivamente sem prejuízos para a saúde da mulher. Se mesmo assim o casal não conseguir engravidar, os médicos costumam indicar outros métodos, que tem porcentagens maiores de sucesso, como, por exemplo, a inseminação artificial.

Riscos do tratamento


Há possibilidade de gravidez gemelar, embora para muitas pré-mães esse não seria exatamente um risco. 

Pode ocorrer também a chamada Síndrome da Hiperestimulação do Ovário (SHO), quando há aumento da produção de estradiol decorrente do desenvolvimento excessivo de folículos, causando inchaço e aumentando o risco de trombose, principalmente se a fecundação ocorrer. Porém o quadro é menos comum no Coito Programado, ocorre em cerca de 1% dos casos, já que os remédios são usados em doses menores do que na Fertilização in vitro, por exemplo.

Os medicamentos para indução de ovulação podem ser obtidos em farmácias sem receita médica. Porém, caso a mulher decida usá-los por contra própria, sem a avaliação de um especialista, estará exposta a diversas complicações, como desconfortos físicos devido à dosagem errada do medicamento e gestações múltiplas de até quádruplos ou quíntuplos.

É importante ter ciência que todo medicamento deve ser tomado com o conhecimento de seu médico, caso contrário poderá apresentar efeitos que serão prejudiciais a sua saúde. Converse com seu médico a respeito e peça indicação se o coito programado pode ser utilizado no seu caso. Caso não se sinta confortável com as indicações do seu médico, mude de médico! Contudo, é importante ter um profissional que confie e que irá ajudar para que o baby chegue o mais rápido possível. Até a próxima.



sexta-feira, 4 de março de 2016

Fertilização in vitro - FIV


Nem sempre o caminho até a maternidade é fácil, para grande parte das tentantes, é um caminho muito muito difícil. Por vezes o tempo é o maior obstáculo a ter que superar. Quando os primeiros tratamentos para engravidar (indução de ovulação, coito programado ou outros) não funcionam ou quando o tempo é um fator que não pode ser ignorado, a solução está em fazer uma fertilização in vitro (FIV). Entenda um pouco mais sobre essa opção para a conquista do positivo.

No que consiste a FIV?


A FIV é uma técnica de fertilização que consiste na manipulação dos gametas em laboratório e após fecundação, introdução do embrião no organismo materno. Isso significa que os óvulos previamente induzidos à ovulação são captados e em laboratório são fecundados com os peixinhos (espermatozoides) do pré-pai, daí o termo "in vitro" (no caso no vidrinho do laboratório). Depois é feita uma seleção dos embriões que são mais viáveis (os que tem maiores chances de implantar) e são colocados na cavidade uterina para a nidação (implantação no útero).

Quais são as etapas da FIV?


Indução da ovulação - Num ciclo menstrual normal há apenas um óvulo que cresce o suficiente para ser liberado para a fecundação. No caso da FIV, por razões obvias, é necessário que haja um número maior de óvulos para serem fecundados a fim de que as chances de sucesso sejam maiores. Nesse caso então é feito a estimulação dos ovários (indução) onde é administrado o hormônio FSH para crescimento dos folículos do ovário, para que mais óvulos sejam desenvolvidos e aptos à fecundação. Normalmente esse estímulo é feito através de injeções, por cerca de 9 a 12 dias, que aumentam a quantidade dos folículos e também melhora sua qualidade. 



Monitoramento do crescimento dos folículos - Com a utilização de ultrassonografias transvaginais é possível acompanhar o crescimento dos folículos e assim prevenir os efeitos colaterais da medicação (Hiperestimulação Ovariana por exemplo) e saber qual o melhor momento para a coleta dos óvulos. Com cerca de 18 a 20 mm os óvulos são considerados maduros para a coleta e então é feita a administração de hCG (Gonadotrofina Coriônica Humana) que irá desempenhar o papel do LH (hormônio responsável por indicar a maturação do óvulo) indicando assim ao organismo que libere os óvulos. 


Coleta dos óvulos - A maturação dos óvulos marca a hora da coleta dos mesmos para a fertilização. A paciente então é colocada sob sedação endovenosa ou anestesia local, com auxílio de uma ultrassom de alta frequência, uma sonda ecográfica acoplada à uma agulha especial para punção é introduzida na vagina e são recolhidos os folículos ovarianos, que ocorre geralmente entre 32 a 36 horas após a injeção do hCG. Múltiplos óvulos podem ser coletados em cerca de 30 minutos. Posteriormente, os óvulos são colocados em um líquido nutritivo (meio de cultura) e mantidos em estufa até o momento adequado para realizar a fertilização in vitro

Classificação dos óvulosCom o auxílio de um estereomicroscópio sob fluxo laminar (espécie de capela onde flui ar estéril de dentro para fora, evitando a contaminação do material), o conteúdo líquido destes folículos obtidos no centro cirúrgico, é transferido para uma placa de meio de cultura (meio que imita ao máximo o ambiente das tubas) e examinado à procura do óvulo. Uma vez identificado, o óvulo é transferido para outra placa contendo apenas meio de cultura, onde será classificado. Os óvulos são classificados como imaturos ou em prófase, metáfase I e metáfase II ou maduros. Apenas os óvulos na fase metáfase II apresentam estado de maturação suficiente para ser fertilizado.







Coleta dos espermatozoides - Esse é o momento da participação do futuro papai (ou do doador de esperma se for o caso). Enquanto os óvulos estão sendo classificados é feita a coleta dos peixinhos de forma manual (desculpe o trocadilho rs) através de masturbação. Após a coleta da amostra de sêmen os espermatozoides serão preparados através da lavagem com meio de cultura de células e centrifugação, onde ocorre a separação do plasma seminal, cujo resultado é um preparo de espermatozoides com maior motilidade e capacidade para fertilização. É durante esta etapa que é removida substâncias químicas e bactérias que podem causar reações adversas ou contrações uterinas, sendo então uma etapa muito importante para o sucesso da fertilização. 

Fertilização - Durante esta etapa os espermatozoides e os óvulos são mantidos juntos em um ambiente que imita as condições da trompa uterina. 

Numa incubadora à 37ºC com 5% de CO2 são mantidos por cerca de 12 a 18 horas até que possam ser observar sinais de fertilização, que nada mais é do que a presença dos 2 pró-núcleos, conforme imagem abaixo:

Fertilização normal

   2 Pro-núcleos 
Fertilização Anormal

1 Pro-núcleo
Fertilização Anormal

3 Pro-núcleo 

Classificação pré-transferência - Antes da transferência embrionária, os pré-embriões em fase de clivagem (3 dias após a fertilização) ou em estágio de blastocisto (6 dias após a fertilização) são classificados morfologicamente, levando em consideração a velocidade de divisão celular, o número de blastômeros, a simetria e a forma dos blastômeros, a presença ou ausência de fragmentação.

Antes de se transferir os embriões para o útero, é recomendado fazer o Diagnóstico pré-implantação (PGD) para casais que apresentam um risco de transmitir doenças genéticas para seus futuros filhos.

Transferência - Com certeza essa é a etapa mais esperada pela futura mamãe, pois é ela que representa a realização do sonho de forma concreta. A pré-mãe fica em posição ginecológica, em área física próxima ao laboratório onde se encontram os embriões. Os embriões são transferidos para o útero através de cateter especial com monitoramento ultrassonográfica trans abdominal para correto posicionamento do cateter. Após a transferência a paciente fica em repouso por cerca de uma hora onde foi feito a transferência e depois assumir um repouso relativo por 2 dias, evitando realizar exercícios físicos, carregar pesos, subir ou descer escadas ou manter relações sexuais. O uso dos medicamentos receitados para suporte da gravidez deve continuar até segunda orientação. A verificação da gravidez pode ser feita dentre 9 a 15 dias após a transferência dos pré-embriões, dosando-se a concentração de hCG no sangue ou mesmo com teste de urina.


Atualização da FIV


Na Fertilização in vitro tradicional para a formação do embrião, os espermatozoides são colocados juntos com o(s) óvulo(s) e então esperassem que ocorra a fecundação naturalmente. Contudo, novas formas de aprimorar a técnica foram criadas, uma delas é a ICSI – sigla em inglês para Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides, é a introdução de um espermatozoide no óvulo usando-se um microscópio especial com sistema específico, o micromanipulador, no qual pode-se segurar o óvulo com uma agulha bem fina e com outra introduzir o espermatozoide. A vantagem desta técnica é que se
obtém uma taxa de fertilização bastante superior à Fertilização in vitro Convencional, sendo necessário somente um espermatozoide para cada óvulo.

Outro avanço ocorreu também com a ICSI, onde é feito uma avaliação morfológica do espermatozoide muito superior à ICSI Convencional, que recebeu o nome de ICSI Magnificada ou SUPER ICSI, no qual, com um aumento superior a 6.300 vezes, possibilita a escolha de melhores espermatozoides, resultando em maiores taxas de gravidez.

Quais complicações podem ocorrer com a FIV?



A Síndrome da Hiperestimulação Ovariana (SHO) é uma complicação decorrente do estímulo ovariano com indutores de ovulação, podendo levar a quadros graves e, em casos extremos, até à morte. Geralmente é decorrente de uma resposta exacerbada dos ovários ao estímulo hormonal e resulta em um número grande de oócitos. 



Os sintomas são:

  • Dor abdominal leve 
  • Inchaço 
  • Náuseas 
  • Vômitos 
  • Diarreia

Apesar de muitos médicos mencionarem a ocorrência de gestação múltipla como uma complicação potencial da FIV, confesso que não seria problema para alguém tão louca para ser mãe como eu. 




O risco de gestações múltiplas ocorre em casos em que mais de um embrião é transferido para o útero. Gestações múltiplas apresentam um risco maior de parto prematuro e baixo peso ao nascer quando comparadas com gestações únicas.

A FIV pode falhar?


Infelizmente muitos são os fatores que podem causar o insucesso da fertilização in vitro, dentre eles:

Alterações do embrião - A principal razão de um embrião não implantar é o fato de que grande parte dos embriões estão alterados (genética ou morfologicamente).

Alterações do sêmen - Fatores como fragmentação do DNA do espermatozoide, alterações importantes da motilidade, morfologia, alterações cromossômicas são algumas das causas de falha na FIV.

Alterações do óvulo - A qualidade dos óvulos é um dos principais fatores de sucesso da FIV. Os protocolos de indução de ovulação e as drogas utilizadas podem ter influência direta no número e na qualidade dos óvulos e embriões.

Alterações anatômicas do útero  - Alterações anatômicas do útero também podem prejudicar o embrião a se implantar, e o tratamento destas lesões pode melhorar a chance de sucesso. O diagnóstico pode ser sugerido por ultrassom transvaginal e histerossalpingografia, mas a confirmação diagnóstica se faz por vídeo-histeroscopia. Muitos serviços realizam de rotina a histeroscopia antes da FIV. Se não foi realizada, vale a pena ser indicada após uma falha. As alterações que podem estar associadas a falha de FIV são: septo uterino, pólipos, sinéquias uterinas e miomas submucosos. A exérese destas lesões pode aumentar a chance de implantação.


Alterações funcionais do endométrio - Muitas vezes, mesmo sem uma lesão anatômica na cavidade endometrial, pode haver alguma alteração da receptividade endometrial, estando envolvidos múltiplos fatores: hormonais, imunológicos e vasculares. 

Problemas na transferência - A dificuldade na transferência dos embriões muitas vezes causa traumas no endométrio e atrapalha a implantação do embrião, principalmente quando este ato for acompanhado de dor. Caso haja dificuldade na passagem do cateter de transferência, a vídeo-histeroscopia com a dilatação do colo ou simplesmente a dilatação do colo uterino isolada beneficia a próxima tentativa. Uma opção ainda é realizar a transferência com sedação. 


Alterações Imunológicas - Os problemas imunológicos têm sido responsabilizados por alguns casos de insucesso na fertilização in vitro e por abortos de repetição, dentre eles estão: Cross-match (abortos muito precoces durante a fase de implantação) ou mesmo Autoimunidade. 


Trombofilia - São doenças que provocam alterações de coagulação do sangue e, quando existem, aumentam a chance de formar coágulos sanguíneos e causar tromboses mínimas nos vasos placentários, capazes de provocar abortos. Alguns autores associam ainda com falhas de implantação, apesar de isso ser um assunto controverso.



Endometriose - quando a FIV é indicada, é questionável se deve-se submeter a paciente a uma cirurgia, havendo uma tendência a indicá-la somente em casos sintomáticos (para melhora da qualidade de vida) e/ou de endometriomas volumosos que possam atrapalhar a captação oocitária. Frente a falhas da FIV, uma opção é tratar a endometriose antes de uma nova tentativa, uma vez que a doença interfere na receptividade endometrial pela ação de citocinas como LIF (Leukemia Innibitory Factor), que atrapalham a implantação do embrião.



A verdade é que mesmo havendo chances de falhas, o mais importante é não desistir jamais de um sonho tão lindo quanto a gravidez. A FIV apresenta uma probabilidade de gravidez que variam entre 20 e 35% em mulheres de até 35 anos. A partir dos 40 anos, quando os óvulos já perderam parte da vitalidade, a taxa de gravidez cai para 15%. Contudo, não se deve ater-se ao cálculo matemático se ser mãe é seu maior sonho, procure um bom médico e lute sempre pelo seu positivo. Até a próxima.



Fontes pesquisadas: site do Centro de Reprodução Humana do IPGO, ghente.org e outras fontes da internet.