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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Indicações reais para parto cesárea


Muitas são histórias sobre como a mulher precisou recorrer a cesárea pois o médico recomendou dizendo que o bebê corria risco de vida por causa de falta de dilatação, cordão umbilical enrolado no pescoço, ter feito cesárea anterior, bacia estreita. Contudo, nenhum desses motivos é considerado, pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, como justificativas reais de cirurgia cesariana. A gestante precisa saber quais são as reais indicações para que possa argumentar e conversar com seu obstetra para então fazer escolhas conscientes sabendo dos riscos que a cirurgia pode acarretar.


Quando a cesárea é necessária?


Existem indicações absolutas e relativas (aquelas que depende de cada caso individualmente). Antes do início do trabalho de parto, existem duas indicações absolutas que são a Desproporção céfalo-pélvica e a apresentação de Placenta Prévia. 

Desproporção céfalo-pélvica - A desproporção ocorre quando a ossatura da bacia da mãe é incompatível com a da cabeça do bebê. Isso acontece em casos de mães que possuem alguma deformidade ou desalinho nos ossos, por conta de um acidente ou deficiência física. Ou em casos em que o bebê tem a cabeça maior que o normal, devido a problemas de saúde como hidrocefalia ou diabetes. (Entenda melhor como é feito o diagnóstico da Desproporção céfalo-pélvica)

Placenta Prévia - A placenta se localiza sobre o colo do útero impedindo o parto normal, ou seja, o parto normal não acontece devido à placenta fechar e impedir a passagem do bebê. Os dois casos são considerados de baixa incidência.


As indicações relativas vão depender de avaliação médica como é o caso do sofrimento fetal quando a mulher não tem dilatação completa, descolamento prematuro de placenta, placenta prévia com sangramento intenso, distocia (complicações que atrapalham ou impedem a passagem do bebê) como bebê em situação transversa, ou seja, nem sentado nem de cabeça para baixo, herpes vaginal ativa (por conta do risco de desenvolver cegueira no bebê), mãe portadora de HIV.


Já quando o trabalho de parto iniciou, a cesárea é bem indicada no caso de eclâmpsia (que não pode ser confundida com pressão alta), prolapso do cordão (o cordão umbilical aparece antes da cabeça do bebê e descolamento prematuro da placenta fora do período expulsivo, onde a placenta solta da parede uterina provocando hemorragia intensa).

Infelizmente, mesmo com relação as indicações absolutas, os médicos podem utilizar dessas recomendações de maneira errada. Um exemplo é avaliar a estrutura ossea materna antes do início do trabalho de parto e já determinar que a gestante não terá dilatação suficiente, coisa que apenas durante o trabalho de parto será possível avaliar. Informar a parada de progressão do trabalho de parto, sem tentar meios de ajuda como uso de ocitocina ou mesmo criar um ambiente mais tranquilo para a mulher, já que o estresse pode atrapalhar a progressão do mesmo. 

Há situações em que a mulher, por cansaço físico, posição ruim e situações de distocia em que não é possível usar o fórceps (instrumento cirúrgico semelhante a uma colher que é inserido no canal vaginal para ajudar a retirar o bebê) ou a vácuo-extração (ou ventosa – retira o bebê por sucção) a cesárea é recomendada.

Índice de cesáreas no Brasileira


A Organização Mundial de Saúde (OMS) preve um escore de cesarianas que é de, no máximo, 15% do total de partos realizados no país. No entanto, segundo a pesquisa Nascer no Brasil da Fundação Oswaldo Cruz, a cesariana é realizada em 52% dos nascimentos e no setor particular, chega a 88%. O grande problema é que essa situação não apenas não diminuiu a mortalidade materna e perinatal como também deixou o país entre os piores índices de mortalidade. Embora os obstetras tenham influenciado esse excessivo número de cesariana, muitas vezes o comodismo e até a falta de informação faz com que o uso de cesárea eletiva (agendada) contribua para o nascimento de bebês prematuros (antes de 39 semanas).

Desculpas frequentemente utilizada para induzir uma DESNEcesárea


1. Circular de cordão, uma, duas ou três "voltas" (campeoníssima – essa 
conta com a cumplicidade dos ultrassonografistas e o diagnóstico do  número de voltas é absolutamente nebuloso) 
2. Pressão alta 
3. Pressão baixa 
4. Bebê que não encaixa antes do trabalho de parto 
5. Diagnóstico de desproporção cefalopélvica sem sequer a gestante ter entrado em trabalho de parto 
6. Bolsa rota (o limite de horas é variável, para vários obstetras basta NÃO estar em trabalho de parto quando a bolsa rompe) 
7. "Passou do tempo" (diagnóstico bastante impreciso que envolve 
aparentemente qualquer idade gestacional a partir de 39 semanas) 
8. Trabalho de parto prematuro 
9. Grumos no líquido amniótico 
10. Hemorroidas 
11. HPV (só há indicação de cesárea se há grandes condilomas obstruindo o canal de parto) 
12. Placenta grau III 
13. Qualquer grau de placenta 
14. Incisura nas artérias uterinas (aliás, pra que doppler em uma gravidez normal?) 
15. Aceleração dos batimentos fetais 
16. Cálculo renal 
17. Dorso à direita 
18. Baixa estatura materna (o tamanho do canal não está ligado à altura de uma pessoa.)
19. Baixo ganho ponderal materno/mãe de baixo peso 
20. Obesidade materna
21. Gastroplastia prévia (parece que, em relação ao peso materno, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come) 
22. Bebê "grande demais" (macrossomia fetal só é diagnosticada se o peso é maior ou igual que 4kg e não indica cesariana, salvo nos casos de
diabetes materno com estimativa de peso fetal maior que 4,5kg. Não se 
justifica ultrassonografia a termo em gestantes de baixo risco para 
avaliação do peso fetal). 
23. Bebê "pequeno demais" 
24. Cesárea anterior (existem estudos que comprovam a possibilidade de uma mulher que fez um parto cesárea voltar a ter filhos pelo método natural.)
25. Plaquetas baixas 
26. Chlamydia, ureaplasma e mycoplasma 
27. Problemas oftalmológicos, incluindo miopia, grande miopia e descolamento da retina 
28. Edema de membros inferiores/edema generalizado 
29. "Falta de dilatação" antes do trabalho de parto 
30. Inseminação artificial, FIV, qualquer procedimento de fertilização assistida (pela ideia de que bebês "superdesejados" teriam melhor prognóstico com a cesárea) – motivo pelo qual os bebês de proveta aqui no Brasil muito raramente nascem de parto normal 
31. Gravidez não desejada 
32. Idade materna "avançada" (limites bastante variáveis, pelo que se observa, mas em geral refere-se às mulheres com mais de 35 anos)
33. Adolescência 
34. Prolapso de valva mitral 
35. Cardiopatia (o melhor parto para a maioria das cardiopatas é o vaginal) 
36. Diabetes mellitus clínico ou gestacional 
37. Bacia "muito estreita" 
38. Mioma uterino (exceto se funcionar como tumor prévio) 
39. Parto "prolongado" ou período expulsivo "prolongado" (também os limites são muito imprecisos, dependendo da pressa do obstetra). O diagnóstico deve se apoiar no partograma. O próprio ACOG só reconhece período expulsivo prolongado mais de duas horas em primíparas e uma hora em multíparas sem analgesia ou mais de três horas em primíparas e duas horas em multíparas com analgesia. Na curva de Zhang o percentil 95 é de 3,6 horas para primíparas e 2,8 horas para multíparas) 
40. "Pouco líquido" no exame ultrassonográfico sem indicação no final da gravidez
41. Artéria umbilical única 
42. Ameaça de chuva/temporal na cidade 
43. Obstetra (famoso) não sai de casa à noite devido aos riscos da violência urbana 
44. Fratura de cóccix em algum momento da vida 
45. Conização prévia do colo uterino 
46. Eletrocauterização prévia do colo uterino 
47. Varizes na vulva e/ou vagina 
48. Constipação (prisão de ventre) 
49. Excesso de líquido amniótico 
50. Anemia falciforme 
51. Data provável do parto (DPP) próximo a feriados prolongados e datas festivas (incluindo aniversário do obstetra) 
52. Trombofilias 
53. História de trombose venosa profunda 
54. Bebê profundamente encaixado 
55. Bebê não encaixado antes do início do trabalho de parto 
56. Endometriose em qualquer grau e localização 
57. Prévia exérese de pólipos intestinais por colonoscopia 
58. Insuficiência istmocervical (paradoxalmente, mulheres que têm partos muito fáceis são submetidas a cesarianas eletivas com 37 semanas SEM retirada dos pontos da circlagem) 
59. Estreptococo do Grupo B (EGB) no rastreamento com cultura anovaginal entre 35-37 semanas 
60. Infecção urinária
61. Anencefalia 
62. Qualquer malformação fetal incompatível com a vida 
63. Síndrome de Down e qualquer outra cromossomopatia 
64. Malformação cardíaca fetal 
65. Escoliose 
66. Fibromialgia 
67. Laparotomia prévia 
68. Abdominoplastia prévia 
69. Ser bailarina 
70. Praticar musculação ou ser atleta 
71. Sedentarismo 
72. Miscigenação racial (pelo "elevado risco" de desproporção céfalo-pélvica) 
73. Uso de heparina de baixo peso molecular ou de heparina não fracionada 
74. Datas significativas como 11/11/11 ou 12/12/12 (ainda bem que a partir de 2013 precisaremos esperar o próximo século) 
75. História de cesárea na família
76. Feto com "unhas compridas" 
77. Suspeita ecográfica de mecônio no líquido amniótico 
78. Hepatite B e hepatite C 
79. Anemia ferropriva 
80. Neoplasia intraepitelial cervical (NIC) 
81. Tabagismo 
82. Varizes uterinas 
83. Feto morto (aqui é importante preservar o direito da mãe decidir como quer o parto)
84. Cirurgia gastrointestinal prévia 
85. Qualquer procedimento cirúrgico durante a gravidez 
86. Colostomia 
87. Gestação gemelar com os dois conceptos em apresentação cefálica (apenas em caso de complicações ou posicionamento que impeça de qualquer forma a saída natural pelo canal)
88. História de depressão pós-parto 
89. Uso de antidepressivos ou antipsicóticos 
90. Hipotireoidismo 
91. Hipertireoidismo 
92. História de natimorto ou óbito neonatal em gravidez anterior 
93. Colestase gravídica 
94. Espondilite anquilosante 
95. História de câncer de mama ou câncer de mama na gravidez 
96. Hiperprolactinemia 
97. Síndrome de Ovários Policísticos (SOP)
98. Não há vagas nos hospitais da cidade para partos normais
99. Septo uterino/cirurgia prévia para ressecção de septo por via histeroscópica
100. História familiar de fibrose cística do pâncreas
101. Asma
102. Evitar comprometer vida sexual (o medo de ter o canal "alargado" ou de não agradar mais o parceiro é muito difundido. Há formas de fortalecer os músculos pélvicos com exercícios específicos)

Ufa!!! Como vemos há um grande número de desculpas para tentar induzir a mãe a fazer uma cesárea. Apenas o conhecimento prévio pode ajudar a mulher a não se por em risco (pois sim cesárea tem grandes riscos) apenas para garantir o conforto do médico!

Cesárea não é culpada


É importante deixar claro aqui que a cesárea não deve se colocada como a vilã da história, já que quando bem utilizada, ela é uma excelente ferramenta para salvar vidas. A cesárea é muito cômoda já que pode ser programada desde a entrada no hospital até a saída. O mesmo não ocorre com o parto normal já que não se pode determinar quanto tempo irá durar e quais as intercorrências que possam surgir. Mas o que deve ser levado em conta não é o tempo de duração do procedimento mas qual deles garante mais saúde para a mãe e para o bebê. A vida deve ser levada mais em conta e não apenas os honorários médicos. Conheça mais sobre a Cesárea Humanizada! Até a próxima!



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quinta-feira, 1 de junho de 2017

Cesárea Humanizada


Muito se fala hoje na humanização do parto, onde a mãe e o bebê devem ser tratados como protagonistas do parto, respeitando sempre o que for melhor para os dois. Nem sempre é possível seguir o plano com um parto normal. Algumas complicações pedem que medidas urgentes sejam adotadas para garantir a segurança da mãe e do bebê. Mas, o que muitos desconhecem, é que mesmo uma cesárea pode ser feita de forma menos traumática para a mãe e o bebê. Estamos falando da Cesárea Humanizada.


O que é Cesárea Humanizada?


A cesárea é uma cirurgia de grande porte que deve ser feita apenas em casos específicos em que o bebê e/ou a mãe correm risco de saúde. No caso da cesárea humanizada há uma preocupação em que seja feito todo o possível para que o parto seja tranquilo. Para ser considerada uma cesárea humanizada alguns requisitos devem ser observados:


Necessidade cirúrgica - A cesárea só é considerada humanizada em caso de real necessidade. Algumas mulheres preferem agendar a cesariana mesmo que sua saúde ou a do bebê não tenha nada que indique essa necessidade. São as chamadas cirurgias eletivas, e nesse caso não é considerada como cesárea humanizada pois essa preconiza que não tendo problemas médicos que indiquem a cirurgia, a mesma não deve ser realizada.  


Diferença entre a cesárea convencional e a humanizada


Trabalho de parto iniciado - Outro fator que é levado em conta é com relação ao trabalho de parto iniciado. Salvo em caso de urgência médica, é importante esperar que a mulher entre em trabalho de parto. Quando a mulher entra em trabalho de parto, a criança costuma estar pronta para vir ao mundo. 




Também é importante que sempre que der, a mãe e o bebê fiquem juntos após o parto e que ela tente amamentar o bebê já nesses primeiros momentos. Entenda a importância da amamentação neste post


Participação familiar - A cesárea humanizada defende a participação do pai ou de um familiar ou acompanhante escolhido pela mãe no centro cirúrgico. Garantir um ambiente tranquilo e seguro é importante para que a gestante se sinta amparada. Também é possível reduzir a iluminação já que a mesma no campo operatório é total, o que não acontece é a luz ao redor da mesa. Existe a possibilidade de se diminuir a luminosidade da sala, mas o campo cirúrgico (mesa cirúrgica) tem que ser iluminado. Para deixar o ambiente mais confortável ao bebê e à mãe, o ar condicionado também deve ser reduzido.

Participação materna - A mãe é mais valorizada, tendo uma participação maior no parto. O médico informa sobre tudo o que está acontecendo e caso deseje, o campo cirúrgico (pano colocado elevado para que a mãe não veja os procedimentos cirúrgicos) pode ser abaixado para que a mãe veja o bebê nascendo. Alguns médicos permitem que a mãe leve um CD com músicas calmas para serem tocadas durante o parto.

Corte menor - O corte para o parto é feito com o mesmo diâmetro de dilatação de um parto normal. O bebê é retirado com calma (é importante que o bebê finalize quase sozinho a saída) e o cordão umbilical não é cortado imediatamente, os médicos esperam ele parar de pulsar. De acordo com evidências científicas cortar o cordão umbilical enquanto ele pulsa aumenta a incidência de anemia na infância. Após isso, o bebê vai diretamente para o colo da mãe.


Como garantir uma cesárea humanizada?


A única forma de garantir um parto humanizado, ainda que tenha necessidade de fazer uma cesariana, é escolhendo uma equipe humanizada e também através do plano de parto. Fazer um plano de parto e colocar no papel suas preferências ajuda muito também na hora de reivindicar seus direitos se o médico ou a instituição não fizer o que estava combinado. No plano de parto que visa uma cesárea humanizada, a mulher pode optar, por exemplo, por entrar em trabalho de parto antes de fazer a cesárea (normalmente, essas cirurgias já são agendadas) e também amamentar assim que o bebê nascer. As preferências da paciente são respeitadas e o bebê nasce em segurança. Aprenda aqui como fazer um plano de parto.

Veja um vídeo de cesárea humanizada





O parto é um momento único na vida de uma mãe e nada mais justo que este momento seja lindo, ainda que tenha que haver intervenção médica para garantir a saúde do bebê e da mãe. A maior ferramenta que a gestante tem é o conhecimento. Converse com seu médico e indique desde cedo seu desejo de um parto tranquilo e que mesmo que haja necessidade de cesariana, não precisa deixar de ser um momento de alegria e que será lembrado de forma positiva. Até a próxima!

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Cordão Umbilical Enrolado e Parto Normal


Falar de cordão enrolado no pescoço do bebê e parto normal ainda rende algumas discussões. Algumas delas pela falta de informação ou mesmo confusão quanto ao impedimento de realizar um parto normal cujo bebê tenha o cordão umbilical enrolado no pescoço. É muito importante que a gestante conheça mais a respeito desse assunto, assim pode-se ter uma clara ideia do que é ou não perigoso para esse momento tão lindo que é o parto.

O que é circular de cordão?


A chamada "circular de cordão", alça de cordão umbilical em torno do pescoço do feto, pode ocorrer ao longo de toda a gestação. A circular é resultado da própria movimentação do feto, que pode fazer com que o cordão se enrole e desenrole diversas vezes. E, ao contrário do que prega o senso comum, ele não "enforca" a criança, e pode ser facilmente desenrolado pelo médico durante o parto, depois da passagem da cabeça do bebê.

O que causa a circular de cordão?


O cordão umbilical enrolar no pescoço do bebê usualmente ocorre quando o cordão é comprido e, com a movimentação ativa do feto, ele envolve-se o pescoço da criança.

Isso acontece porque o bebê se mexe constantemente dentro da barriga da mãe, nadando no líquido amniótico. Ele toca, mexe e brinca com o cordão, enrolando-se e desenrolando-se nele em qualquer parte do corpo.

Qual é o tamanho do cordão umbilical?


O comprimento do cordão umbilical varia de criança para criança e de gestação para gestação. O cordão é composto de duas artérias e uma veia, e é preenchido por um tecido conjuntivo indiferenciado chamado de "Geléia de Whartonh". Em média tem 59 cm podendo variar entre 40 cm ou até 71 cm ou mais.

Além do pescoço, o cordão pode dar voltas em outras partes do corpo do bebê, como pés, abdome, braços e, em alguns casos, em todos os membros em conjunto.

É possível ter parto normal?


Muitos profissionais da saúde lutam hoje para mudar a ideia de que circular de cordão impede parto normal. A ocorrência de circular de cordão não é indicação de cesárea. O que vai definir o tipo de parto é a vitalidade do feto.

A identificação desta situação em um ultrassom não é motivo para marcar cesariana, afinal, isso ocorre em 20% ou 30% dos partos, e os bebês nascem muito bem.

Quando essa situação apresenta riscos?


Muitas vezes, a ultrassonografia identifica problemas que podem não ser verdadeiros. Por isso, muitos profissionais recomendam que o laudo do exame, que é compartilhado entre médico e paciente, traga apenas informações que são úteis, para não preocupar, sem necessidade, os pais.

Durante o trabalho de parto é importante um acompanhamento dos batimentos cardíacos do feto por meio de um sonar e também ao exame de cardiotocografia, durante as contrações da mãe para evitar complicações, que em conjunto com a circular possam causar problemas, pois é durante o momento do parto que há a real compressão do cordão umbilical, que encosta na parede do útero da mãe. Nesse caso, o cordão está enrolado no bebê ou com nó, eventualmente a frequência cardíaca será alterada, causando danos à respiração da criança.

Com o acompanhamento dos batimentos do bebê, o médico pode avaliar se há alterações, agindo rapidamente e adotando então a cesárea como melhor opção para aquela situação específica.

De forma simples, não é o cordão enrolado que prejudica o bebê mas a alteração cardíaca que diz se a circulação de sangue pelo cordão está comprometida e que, em algum momento, a criança vai entrar no que os médicos chamam de sofrimento fetal.

Todo bebê com circular de cordão umbilical terá problemas no parto?


Em casos raros, se o cordão for muito pequeno ou estiver muito enrolado, ele pode ficar "curto" para a descida do bebê pelo canal de parto. Com isso, ele se torna cada vez mais apertado, compromete a circulação de sangue e, consequentemente, reduz a frequência cardíaca da criança.

Esse quadro, onde a circular compromete o fluxo sanguíneo não é comum e, na maioria dos casos, a circular de cordão não influencia no bom andamento do parto normal. Além disso, se a cesárea for realmente necessária, essa decisão será tomada apenas durante o trabalho de parto. Por isso, uma circular identificada no pré-natal não deve preocupar a gestante nem dissuadi-la de dar à luz pela via natural.

Até mesmo nos serviços de obstetrícia mais humildes é possível monitorar esta situação, desde que na falta de um aparelho de cardiotocografia haja a monitoração por sonar. Se o cordão estiver apertado, causando prejuízo no ritmo do batimento cardíaco do feto, como bradicardia persistente ou arritmia, opta-se pela cesariana.

É importante lembrar que o bom profissional irá esclarecer qualquer dúvida e dê preferência para um médico que não tenha um grande histórico de cesáreas. Até a próxima!

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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Plano de Parto


O parto deve ser um momento em que a mulher se sente acolhida, tranquila e respeitada. Desde a descoberta da gravidez é comum que pensemos em como será o momento em que enfim o bebê, tão esperado, chegará ao mundo. Planejar e deixar claro as preferências dos procedimentos que deseja ou não para esse grande momento é uma forma de contribuir para que esse seja realmente um grande momento. Devemos ter em mente que, embora a evolução do parto seja imprevisível, manter um plano de parto ajudará a ficar mais tranquila durante o processo.


O que é Plano de Parto? 


O Plano de Parto, comum entre as mulheres de praticamente o mundo todo, é uma lista de "planos" da gestante em relação ao dia do parto. Há uma série de procedimentos médicos que a mulher pode não querer passar e o plano de parto é uma ótima ferramenta para deixar isso esclarecido com o médico. Pode-se também descrever quem deseja perto durante o trabalho de parto, bem como outros itens que a mulher tenha refletido durante a gravidez.


Como surgiu o plano de parto?


Esse planejamento começou a ser feito por mulheres nos EUA, e passou a ser difundido pelo restante do mundo. Nos EUA, o plano funciona como uma espécie de carta à equipe responsável pelo parto, e nessa carta a gestante diz como prefere passar pelas diversas fases do trabalho de parto, além de sugerir como gostaria que seu bebê fosse cuidado após o nascimento.


Como fazer Plano de Parto?


Para fazer o plano de parto é importante pesquisar muito a respeito das práticas médicas durante o trabalho de parto. Aproveite os momentos da consulta pré-natal e converse com seu médico sobre o Plano de Parto. Peça a ele que a ajude a inserir ou colocar itens que considere que sejam importantes na carta. Na internet há ótimos textos sobre o assunto mas é importante escolher fontes confiáveis como referência. 

Você pode colocar tudo que considera importante no seu Plano de Parto. Entenda que ele não é uma lista de obrigações para os profissionais envolvidos no seu parto, e ele também não lhe dá liberdade de desobedecer as ordens da equipe médica, muito pelo contrário. Ele deve funcionar mais como uma reflexão e um auxílio às pessoas que estão ao seu redor, para facilitar o diálogo em um momento tão delicado.

Quando estiver com o planejamento pronto, deixe uma cópia com o seu médico.


Porque fazer um Plano de Parto?


O maior valor do plano de parto é justamente propiciar uma maior reflexão e compreensão sobre o tipo de parto que a gestante prefere. É um exercício que pode ajudá-la a definir aquilo que é importante para ela, e com esta informação em mãos, fazer com que esteja mais bem preparada para conversar com seu médico. 

Os casais brasileiros estão percebendo cada vez mais que os médicos e profissionais da saúde bem-intencionados nem sempre têm respaldo científico que sustentem as práticas obstétricas comuns e que muitas dessas práticas são adotadas simplesmente por serem parte de uma tradição médico-hospitalar.

Nos últimos quarenta anos muitos procedimentos artificiais foram introduzidos, de modo a transformar o nascimento de evento fisiológico natural em um complicado procedimento médico no qual todo tipo de droga é usada, todo tipo de procedimento é aplicado, muitas vezes desnecessariamente e alguns dos quais potencialmente prejudiciais ao bebê e até à mãe.

A gestante/parturiente tem o direito de participar das decisões que envolvem seu bem estar e o do bebê que ela está gestando, a menos que haja uma inequívoca emergência médica que impeça sua participação consciente. Ela tem o direito de saber exatamente os benefícios e prejuízos que cada procedimento, exame ou manobra médica pode provocar a ela e/ou ao seu bebê. 

Todas essas informações devem ser fornecidas com base nas evidências científicas. Abaixo você poderá se inteirar das variáveis que acontecem no atendimento ao parto, sobre as quais você pode ter alguma influência. Seguindo de cada variável, procedimento ou atitude, segue uma explicação baseada em evidências científicas.

Esses detalhes podem fazer uma grande diferença para o seu parto, tornando-o uma experiência mais intensa e enriquecedora para toda a família. Analise-as com cuidado junto ao seu parceiro e explique ao seu médico o quanto elas são importantes para você.


DURANTE O TRABALHO DE PARTO

Você Quer?

1) Presença de um acompanhante de sua escolha durante todo o parto, da admissão ao nascimento.

Explicação: Elimina o estresse da separação. Seu parceiro pode provê-la com suporte emocional durante o trabalho de parto e durante todos os procedimentos necessários. A presença do pai propicia a formação dos laços familiares com o novo membro que vai nascer. É direito garantido por lei federal.

2) Presença de outras pessoas da família ou amigos durante o trabalho de parto e parto.
Explicação: A presença de outras pessoas da família ou amigos pode significar mais apoio para você e seu parceiro. Não há aumento na incidência de infecções, desde que essas pessoas não apresentem sinais de doença (por exemplo, coriza ou diarreia).

3) Lavagem Intestinal (Enema, Fleet-Enema, Enteroclisma).

Explicação: A lavagem intestinal é desconfortável e desnecessária se você teve funcionamento normal do intestino nas últimas 24h. No entanto, se você estiver constipada, poderá a qualquer momento solicitar uma aplicação.

4) Liberdade para caminhar.

Explicação: Caminhar estimula o útero a funcionar eficientemente. Os trabalhos de parto que incluem livre caminhar são mais curtos e menos propensos a receber medicamentos analgésicos.

5) Liberdade para mudar de posição.

Explicação: Sentar, deitar de lado, ajoelhar, acocorar, cada posição pode funcionar melhor ou ser mais confortável em diferentes momentos do trabalho de parto.

6) Uso da água no trabalho de parto.

Explicação: Passar parte(s) do trabalho de parto sob o chuveiro ou imersa numa banheira diminui a necessidade de medicamentos para dor.

7) Bebidas e alimentos com alto teor de carboidratos e pouca gordura à vontade.

Explicação: Alimentos ricos em carboidratos e pobres em gordura permitem digestão rápida e suprimento energético necessário durante o trabalho de parto. Líquidos previnem a desidratação.

8) Água e bebidas leves.

Explicação: Você pode ficar com a sensação de boca seca por causa das técnicas de respiração.

9) Objetos pessoais (camisola pessoal, música, flores).

Explicação: Objetos familiares podem melhorar a experiência do parto ao permitir um melhor relaxamento e mais conforto.

10) Tricotomia (raspagem dos pelos pubianos) apenas se desejado.

Explicação: A raspagem dos pelos não diminui a incidência de infecções e o crescimento no período de pós-parto pode ser bastante desconfortável.

11) Infusão intravenosa apenas se houver indicação médica.

Explicação: A infusão intravenosa restringe a mobilidade e interfere no relaxamento. A ingestão de líquidos leves no trabalho de parto reduz a chance de desidratação. As hemorragias em partos espontâneos e não medicamentosos são muito raras para justificar o uso de infusão preventiva.

12) Monitoramento fetal eletrônico apenas se houver indicação médica.

Explicação: Em parturientes de baixo risco, a auscultação intermitente dos batimentos cardíacos fetais por uma enfermeira ou parteira treinada demonstrou ser tão efetivo quanto o uso do monitoramento fetal eletrônico. Além disso, o aparelho restringe o movimento, podendo ser também bastante incômodo. Geralmente as mulheres são instruídas a deitar de costas, posição que pode ser muito desconfortável e ter ação negativa sobre o trabalho de parto e o bebê. O uso intermitente do monitor pode ser uma alternativa.

13) Rompimento espontâneo da bolsa das águas.

Explicação: O líquido amniótico contido na bolsa tem um efeito de proteção, equalizando a pressão sobre o bebê, o que resulta em menos pressão na cabeça. O rompimento artificial das membranas aumenta as chances de infecção e cria um limite de tempo para o parto, além de resultar em contrações geralmente mais dolorosas.



14) Medicação para alívio da dor administrada apenas quando solicitado por você e com informações completas sobre possíveis efeitos sobre você, o bebê e o trabalho de parto.

Explicação: Todo e qualquer medicamento tem um efeito potencial que pode afetar você, seu bebê e seu trabalho de parto. Saber de antemão os benefícios e riscos dos medicamentos usados pelo médico permitem que você faça escolhas conscientes.

15) Presença de acompanhante de parto profissional para suporte contínuo (massagista, fisioterapeuta, doula, enfermeira ou obstetriz sem vínculo com o hospital).

Explicação: Um profissional experiente, que tenha um comprometimento com você em relação ao tipo de parto que você deseja, pode oferecer importantes informações adicionais. A presença de uma doula pode reduzir suas chances de ter uma cesárea em até 50%, tornar o trabalho de parto mais curto, fazer o uso de ocitocina menos necessário, reduzir a necessidade de anestesia e de uso do fórceps. Uma massagista ou terapeuta corporal pode utilizar técnicas de alívio dos desconfortos do parto. 

16) Ocitocina ou drogas de efeito similar para indução ou aceleração do trabalho de parto apenas sob necessidade médica.



Explicação: As contrações induzidas por ocitocina são mais difíceis de serem suportadas do que as contrações naturais, tanto para você como para o bebê. Os riscos do parto induzido incluem restrição do suprimento de oxigênio do bebê e parto prematuro. As complicações decorrentes do uso de ocitocina podem aumentar as chances de uma cesárea ser necessária.

17) Uso de suíte de parto ou a mesma sala/quarto para o trabalho de parto e parto.

Explicação: Isso evita que você seja transferida às pressas, geralmente deitada de costas numa maca, da sala de pré-parto para a sala de parto, durante a fase de expulsão. Muitos hospitais já oferecem as “suítes de parto” ou “LDR (Labor and Delivery Room)” onde a parturiente fica durante todo o trabalho de parto, parto e recuperação. O uso do apartamento fora do centro obstétrico para o parto normal de baixo risco, sem intervenções, também é uma excelente opção.

DURANTE O PARTO EM SI


Você Quer?

1) Posição para expulsão confortável (para você) e eficiente.

Explicação: A posição semi-reclinada (quase sentada), deitada sobre o lado esquerdo, de joelhos ou cócoras pode ser bem mais confortável do que ficar deitada de costas. Deitar de costas comprime o cóccix, diminui o diâmetro da pélvis, pode ser desconfortável e faz o útero pesar sobre artérias importantes, impedindo um bom fluxo sanguíneo. Acocorar-se faz diminuir o comprimento do canal de parto, aumenta a abertura da pélvis, e faz as contrações serem mais eficientes, já que o trabalho está sendo auxiliado pela gravidade.

2) Não usar estribos ou perneiras.

Explicação: A posição de litotomia, na qual você se deita de costas e coloca os pés nos estribos ou perneiras, faz com que o parto seja um esforço contra a gravidade e força você a empurrar o bebê para cima. Estribos abertos, embora deem ao médico uma excelente visão do campo de trabalho, fazem o períneo esticar demasiadamente, aumentando as chances de laceração.

3) Episiotomia apenas se for necessário.

Explicação: Ao permitir que a cabeça do bebê emerja vagarosamente, apenas sob as forças uterinas, o períneo tem maiores chances de distensão, o que minimiza as chances de lacerações. A recuperação da episiotomia pode ser bastante desconfortável. A cicatriz muscular pode afetar posteriormente o prazer sexual. A episiotomia diminui o período expulsivo, podendo ser necessária em caso de sofrimento fetal ou se for preciso o uso do fórceps. Muitos profissionais de saúde fazem a episiotomia rotineiramente, independente de ser necessária, o que não tem qualquer justificativa aceitável.

4) Anestesia peridural ou raquidiana apenas se for necessária alguma intervenção cirúrgica ou a pedido materno.

Explicação: A anestesia é desnecessária na maioria dos partos sem complicações, sem o uso de ocitocina e com liberdade de posição. No caso de uma episiotomia, um anestésico local pode ser aplicado na hora. 

5) Nascimento suave (Parto Leboyer).

Explicação: O nascimento Leboyer é uma atitude, mais que um procedimento. Diminui o trauma sensorial e físico do bebê na hora no nascimento.

6) Clampeamento do cordão apenas depois que parar de pulsar.

Explicação: O clampeamento tardio permite que o bebê continue recebendo oxigênio pelo cordão umbilical enquanto o sistema respiratório começa a funcionar. Diminui o risco de anemia em bebês até 6 meses.

7) O Pai corta o cordão umbilical.

Explicação: Aumenta a participação do pai no nascimento.

8) Bebê colocado imediatamente no seu colo (ou sobre a barriga ou nos seus braços).

Explicação: O contato imediato pele-a-pele é benéfico. Se mãe e bebê forem cobertos com uma manta, a temperatura do bebê é mantida.

9) Bebê amamentado assim que possível.

Explicação: A sucção do bebê estimula a produção materna de ocitocina, que induz o delivramento da placenta e reduz o sangramento pós-parto. O reflexo de sucção do bebê é mais forte nas primeiras horas após o nascimento. O colostro age como um laxativo, limpando o trato intestinal do bebê do muco e do mecônio.

10) Antibiótico oftálmico ou nitrato de prata apenas depois do período de formação do vínculo (primeiras horas após o parto).

Explicação: Esses produtos interferem na visão do bebê, que é muito importante durante o período de vínculo, logo após o parto. Caso a mãe não seja portadora de gonorreia, o nitrato de prata não tem qualquer utilidade e pode provocar conjuntivite química no recém-nascido.

11) Placenta expulsa espontaneamente da parede do útero.

Explicação: Tração ou massagem pode fazer com que parte do tecido placentário permaneça no útero, podendo provocar infecção e hemorragia pós-parto.

12) Vínculo precoce mãe-bebê.

Explicação: As primeiras horas após o parto são muito importantes no desenvolvimento da ligação afetiva entre os pais e o bebê. Eles não deveriam ser separados em nenhum momento.

13) Tirar fotografias ou filmar durante o parto.

Explicação: São formas maravilhosas de se lembrar desses momentos incríveis, desde que não atrapalhem a concentração da mãe ou impeçam o pai de participar ativamente no auxílio à sua companheira. Algumas mulheres sentem-se constrangidas, discuta a questão antes.

PÓS-PARTO


Você Quer?

1) Amamentar.

Explicação: Em termos nutricionais, o seu leite é o alimento perfeito para o seu bebê. A amamentação é uma experiência emocionalmente gratificante tanto para o bebê como para a mãe e é econômica. Ajuda o útero a contrair e voltar mais rapidamente ao tamanho normal.

2) Não deverá haver separação entre mãe e bebê a menos que haja indicação médica.

Explicação: O contato contínuo mãe-bebê favorece a formação do vínculo entre eles. Aumenta as oportunidades para a equipe de enfermagem oferecer instruções sobre os cuidados com o recém-nascido. Os primeiros banhos podem ser dados no quarto da mãe.

3) Não oferecer ao bebê água, leite em pó (fórmulas), chupeta ou bicos.

Explicação: O oferecimento de bicos e mamadeiras ao bebê pode provocar confusão, já que exigem uma ação diferente da língua, comparada à da amamentação natural. Se o bebê é alimentado no berçário entre as mamadas, ele não vai sugar adequadamente para o estímulo mamário da produção de leite.

4) Alojamento conjunto 24 horas.

Explicação: Permite contato íntimo entre pais e bebê, favorecendo a formação do vínculo. Você poderá amamentar sob livre demanda e aprender os primeiros cuidados com seu bebê ainda sob a supervisão das enfermeiras.

5) Pai deverá ficar no apartamento com mãe e bebê até a alta.

Explicação: Reforça os laços familiares. Permite que o pai participe dos cuidados com o bebê. A maioria dos hospitais particulares oferece a possibilidade do pai ficar alojado com a mãe no apartamento privado.

6) Visitação à vontade dos irmãos mais velhos.

Explicação: Ajuda as crianças mais velhas a perceberem que você está bem. Encoraja a aceitação do novo bebê pelos irmãos.

EM CASO DE CESÁREA


Você Quer?

1) Escolha de médico, anestesia e hospital “amigos da mulher”, que permitam uma cesárea centrada na família. Conheça melhor a cesárea humanizada!

Explicação: Uma seleção cuidadosa da equipe poderá garantir a participação da família, mesmo no caso da cesárea, tornando o processo mais humanizado.

2) Participação de um acompanhante de sua escolha durante a cesárea.

Explicação: A presença de uma pessoa querida poderá prover segurança emocional durante esse processo tão delicado, além de estar garantido por lei federal.

3) Permitir o início do trabalho de parto antes de efetuar a cesárea.

Explicação: O trabalho de parto é a indicação de que o bebê está pronto para nascer. Esperando pelo início do parto diminuem substancialmente as chances de seu bebê nascer prematuro, já que nenhum outro exame pode garantir que os pulmões do bebê estejam maduros.

4) Ser informada de cada procedimento associado à cesárea (testes, tricotomia, sonda urinária, etc).

Explicação: Saber passo a passo o que está acontecendo, permite que você fique mais relaxada e mais participante do processo.

5) Tricotomia parcial (do abdome até a altura do osso púbico).

Explicação: Diminui o desconforto quando os pelos começam a crescer novamente, sem aumento nas chances de infecção.

6) Uso de anestesia peridural/raquidiana (não utilização da anestesia geral).

Explicação: Permite que você esteja acordada no nascimento do bebê e facilita a interação. Exceto pelas emergências, geralmente há tempo suficiente para se aplicar uma anestesia regional.

7) Rebaixamento do protetor ou uso de espelho na hora do nascimento.

Explicação: Permite que mãe e pai assistam ao nascimento do bebê e sintam-se mais integrados à experiência de nascimento.

8) Amamentação tão logo seja possível, mesmo na mesa de cirurgia ou na sala de recuperação.

Explicação: Isso dá à mãe e ao bebê as mesmas vantagens do aleitamento precoce obtido nos partos vaginais.

9) Vínculo precoce mãe-bebê.

Explicação: Segurar e tocar o bebê pode reduzir a ansiedade dos pais, além de trazer os benefícios do vínculo precoce.

10) Sem o uso de sedativos pós-operatórios.

Explicação: Sedativos podem provocar amnésia materna e atrapalham a interação mãe-bebê. Ao invés de sedativos, prefira usar técnicas de relaxamento. Lembre o anestesista.

11) Alojamento conjunto com flexibilidade.

Explicação: Permite que você cuide do bebê de acordo com suas possibilidades. Melhora as condições para o estabelecimento dos laços mãe-bebê e da amamentação. Além disso o pai pode participar dos cuidados nos primeiros dias. No entanto um berçário deveria estar disponível para que a mãe possa se recuperar da cesariana em melhores condições.


Modelo de Plano de Parto


"Estamos cientes de que o parto pode tomar diferentes rumos. Abaixo listamos nossas preferências em relação ao parto e nascimento do nosso filho, caso tudo transcorra bem. Sempre que os planos não puderem ser seguidos, gostaríamos de ser previamente avisados e consultados a respeito das alternativas. 

Trabalho de parto: 
Presença de meu marido e doula. Sem perfusão contínua de soro. Liberdade para beber água e sucos enquanto seja tolerado. Liberdade para caminhar e mudar de posição. Liberdade para o uso ilimitado da banheira e/ou chuveiro.  
Monitoramento fetal: apenas se for essencial, e não contínuo. Analgesia: peço que não seja oferecido anestésicos ou analgésicos. Eu pedirei quando achar necessário. 
Parto (hora do nascimento):  
Prefiro cócoras ou cócoras sustentada. Aceito outras sugestões caso as posições acima não funcionem. Prefiro fazer força quando me der vontade, em vez de ser guiada pelo processo. Gostaria de um ambiente especialmente calmo nessa hora.  
Episiotomia: prefiro não ter, e gostaria que o períneo fosse aparado na fase da expulsão, além da aplicação de compressas quentes e massagem com óleo fornecido pela doula. Gostaria de ter o bebê imediatamente colocado em meu colo e se houver necessidade de succionar as vias respiratórias, prefiro que seja feito enquanto ele está comigo. O pai cortará o cordão umbilical, depois que esse parar de pulsar. 

Após o parto: 
 
Aguardar expulsão espontânea da placenta com auxílio da amamentação. O bebe deve ficar comigo o tempo todo, mesmo para avaliação e exames. Liberação para o apartamento o quanto antes. Alta o quanto antes. 
Cuidados com o bebê:  
Amamentação sob livre demanda, não oferecer água glicosada ou bicos. Alojamento conjunto o tempo todo. Pediatra faz avaliação no nosso quarto.
Caso a cesárea seja necessária. Gostaria da presença de meu marido e a doula. 
 
Anestesia: peridural, sem sedação. Gostaria de ver a hora do nascimento, com o rebaixamento do protetor ou por um espelho. Após o nascimento, gostaria que colocassem o bebê sobre meu peito e que minhas mãos estejam livres para segurá-lo. Amamentação o quanto antes.    
Agradeço a compreensão da equipe envolvida e por participarem desse momento tão importante para a nossa família.
 

Local e data,
Assinatura dos pais
Assinatura do médico obstetra assinatura do pediatra

(Fonte de pesquisa: blog Amigas do Parto, de Ana Cristina Duarte)


Como vimos o plano de parto é um ótimo recurso para deixar a mãe, a família e a equipe médica em sintonia para tornar o parto uma experiência que será lembrada de forma positiva. Não importa se a escolha da mãe seja por parto normal ou cesárea, todo o processo pode ser aproveitado com segurança, onde o respeito à mãe e ao bebê vem em primeiro lugar. Até a próxima!