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sexta-feira, 19 de maio de 2017

Trompas Obstruídas: O que é e como tratar?


Motivo de infertilidade, cerca de 35% dos casos, as trompas obstruídas e aderências tubárias, podem dificultar ou mesmo impedir o encontro de óvulo e espermatozoide anulando as chances de gravidez.  A obstrução nas trompas é um problema que pode ocorrer em apenas uma trompa ou nas duas. Contudo, muitas mulheres desconhecem que esse diagnóstico nem sempre é definitivo, ou seja, pode-se tentar a desobstrução. 

Entendendo a função das trompas



As trompas são duas estruturas finas e delicadas situadas na região superior do útero, tem como função receber o óvulo liberado durante a ovulação e permitir o seu encontro com os espermatozoides, pois é nas trompas que a fecundação acontece, após a fecundação devem fazer com que o embrião recém-fecundado seja nutrido e role em direção a cavidade uterina. 

A estrutura do espermatozoide permite que ele se mova dentro da trompa, pois ele tem a cauda, um "rabinho" que se move de um lado para o outro rapidamente, responsável pelo movimento do espermatozoide no interior da trompa. Já o óvulo, depende dos cílios existentes no interior da trompa, para se movimentar. Esses cílios se movimentam em direção ao útero, carregando o óvulo. Se o óvulo fecundado descer rápido demais para o útero, se dará um aborto, se ele se move muito lentamente, ocorrerá uma gravidez na trompa. Os cílios ditam o ritmo, permitindo o embrião chegar na hora certa, com um número de células exato, permitindo a sua implantação no útero. 


Óvulo sendo movimentado pelos cílios das trompas

Nas extremidades das trompas, existem as famosas fímbrias, que são como "mãozinhas" das trompas, que permitem que ela "segure" o ovário, no momento da ovulação, facilitando a captação do óvulo pela trompa. No caso das fímbrias aglutinadas, ou deformadas (fimose da trompa), a captação do óvulo estará dificultada. 




No caso das trompas estarem totalmente obstruídas, não há como o óvulo encontrar o espermatozoide e tão pouco chegar ao útero para implantação. 

Porque as trompas ficam obstruídas?


Uma das principais causa da obstrução tubária é a endometriose, pela formação de aderências, infecções pélvicas ocasionadas por micro-organismo, como clamídea ou pela laqueadura tubária, DIU (dispositivo intra-uterino) o DIU pode causar infecções que causam a obstrução, Fibromas ou miomas, Doença de Chron (infecção crônica na parede do intestino que pode causar sapingite - infecção nas trompas), Gravidez ectópica, Aborto, principalmente sem assistência médica, apendicite com rompimento do apêndice, pois pode causar infecção nas trompas e cirurgias ginecológicas ou abdominais.

As obstruções podem ser unilateral (em uma trompa) ou bilateral (nas duas trompas), parcial (quando a passagem não é totalmente fechada) ou total (quando não há nenhuma passagem).

Outro problema observado com a obstrução das trompas é a perda da capacidade da extremidade tubária de se voltar para o ovário e "abraçá-lo", não podendo assim receber o óvulo por este liberado. O que se vê muitas vezes são trompas fixas e distantes dos ovários, direcionadas para um sentido oposto ao que eles se encontram. As alterações podem ser leves e responsáveis por uma demora maior para engravidar. Mas, frequentemente, as lesões são severas e impedem completamente a ocorrência da gestação.


Quais os sintomas e como diagnosticar?


Infelizmente, a maioria das mulheres não apresenta qualquer sintoma além da dificuldade de engravidar quando há um problema de obstrução nas trompas. Raras são as mulheres que podem sentir alguma dor ou incômodo causado por trompas obstruídas, geralmente sentidos quando envolve algum processo infeccioso ou inflamatório.


Para diagnosticar o problema é feito o exame de Histerossalpingografia. Através desse exame, em que é injetado contraste por via vaginal, pode-se perceber se o mesmo preenche toda a cavidade uterina até subir pelas trompas. 



A Histerossalpingografia também permite diagnosticar anomalias uterinas, pólipos e miomas que possam a dificultar engravidar. Conheça mais sobre esse exame aqui.

Outra maneira de diagnosticar a obstrução das trompas é através de laparoscopia, que é um procedimento em que o médico consegue ver as trompas através de um pequeno corte que é feito na barriga, identificando a presença de obstrução ou outros problemas.

Problemas com os cílios no interior tubário


interior da trompa, com aderência frouxa, já sem os cílios


Algumas vezes, mesmo com as trompas desobstruídas há um problema para engravidar, isso ocorre quando um germe "ataca" a trompa, destruindo os cílios sem obstruir as trompas. Com isso, o movimento do óvulo até o útero não ocorre, impedindo a gravidez. A destruição dos cílios no interior da trompa só pode ser confirmado através da retirada da mesma para realizar um exame histopatológico. Nesse caso, o método de Hidrotubação é a indicação de tratamento. 

Existe tratamento para desobstrução das trompas?


De acordo com o tipo de obstrução das trompas e da idade da mulher, diferentes tratamentos podem ser indicados para tratar a infertilidade, inclusive a cirurgia.

No entanto, quando a obstrução não pode ser resolvida por meio de cirurgia ou a mulher prefere usar outras alternativas para engravidar, pode optar por:

Tratamento com hormônios: utilizado quando apenas uma trompa é obstruída, pois estimula a ovulação e aumenta as chances de gravidez através da trompa saudável.

Fertilização in vitro: usada quando os outros tratamentos não funcionaram, pois o embrião é formado em laboratório e depois implantado no útero da mulher. Veja mais detalhes sobre o procedimento de Fertilização in vitro.

Tratamentos com ervas naturais:  existem muitos relatos de mulheres que conseguiram remover aderências  através de métodos naturais. Dong Quai, raiz de gengibre, raiz de paeonia e Hawthorn são as ervas mais indicadas para limpeza das trompas de Falópio.

Massagem da fertilidade: usada para soltar aderências e ajudar no combate de inflamações. Deve ser feita 1 vez ao dia, a partir do 1º dia da menstruação até o 14º dia do ciclo ou até o dia da ovulação. (Aprenda a fazer a massagem da fertilidade aqui!)

Deite-se de forma confortável e dobre os joelhos. Com as mãos úmidas com óleo faça movimentos circulares ao redor do umbigo de forma que toda a área abdominal seja massageada. Repita o movimento por no mínimo 30 vezes.

Tratamento com óleo de Rícino: use compressas umedecidas com óleo de Rícino sobre o ventre por cerca de 45 a 60 minutos. Cubra a compressa com filme plástico para não suja e aqueça o local com uma cinta térmica ou uma garrafa de água quente. Para não se queimar proteja o local com uma toalha por baixo da cinta. O tratamento deve ser feito do 1º dia da menstruação até a ovulação.

Método de Hidrotubação: é um tratamento de ação química que através de uma enzima que irá "corroer" o tecido que obstrui, a cortisona que irá diminuir as células inflamatórias, e permitir a ação das células regenerativas da membrana basal na regeneração dos cílios, e um antibiótico potente, que evita a infecção da trompa pelo método. 

Vale à pena operar as trompas?


Após a cirurgia, a trompa frequentemente volta a ficar permeável, mas não consegue ter o mesmo desempenho (normalidade anatômica e funcional) que apresentava antes. Por este motivo, muitas vezes a repermeabilização das trompas ocorre, mas a gestação não. Existe também a possibilidade de ocorrer, em um curto intervalo, nova obstrução, desta vez por fibrose (cicatrização) e um risco maior de gestação ectópica (tubária).


Veja a desobstrução das trompas:



No passado, quando as taxas de sucesso com a fertilização in vitro (FIV) eram bem mais baixas, muitas vezes optava-se pela cirurgia. Hoje em dia, com melhores resultados através da FIV, cada vez menos se realiza a cirurgia tubária. Esta ainda encontra seu espaço nos casos em que a mulher é bem jovem e o casal não tem recursos para custear a FIV. Importante salientar que após a realização da cirurgia faz-se necessário aguardar vários meses ou, até mesmo, alguns poucos anos para verificar se a gravidez ocorre ou não. O surgimento de uma gestação é única prova efetiva de que o tratamento cirúrgico de desobstrução das trompas realmente foi efetivo.

Apenas um médico especialista em fertilidade poderá indicar o melhor tratamento em caso de obstrução das trompas, contudo, se ainda não tiver o diagnóstico, pode optar pelos tratamentos naturais com ervas e massagem para ajudar no processo. Converse com seu médico para avaliar como está a saúde de suas trompas. Até a próxima!







quarta-feira, 20 de abril de 2016

Histerossalpingografia - o que é?



Esse é um nome tão complicado de falar e, na primeira vez em que se ouve, já dá uma assustada. Depois de algumas pesquisas e opiniões pode aumentar ainda mais o receio de fazer esse exame, isso tudo por causa da quantidade de mulheres que relatam o desconforto provocado pelo mesmo. Antes de tirar nossas conclusões, o melhor é entender um pouco mais a respeito desse exame.

O que é Histerossalpingografia?


É um exame de raio-x feito com contraste (líquido que permite realçar uma estrutura, lesão ou órgão), de forma que é possível visualizar e avaliar a morfologia das tubas uterinas. Por meio desta análise, o médico avalia a função dessas estruturas. O exame é pedido com frequência na investigação das causas de infertilidade na mulher e outros problemas ginecológicos ligados à anatomia do útero e das trompas. Se a anatomia estiver muito alterada, poderá haverá haver problemas para conseguir ter um bebê. 

Histerossalpingografia

Como é feito o exame?


O exame pode ser feito no consultório ginecológico, onde a paciente é deitada em uma maca (com os joelhos dobrados) e o médico insere um fluoroscópio através do colo uterino para que seja injetado um contraste iodado, que enche o útero e as trompas de Falópio. 

Na ponta do cateter há um balão que é inflado dentro do útero para fixação da sonda, então o contraste é injetado. O raio-X não atravessa o contraste, e assim é possível ver a anatomia do útero e das tubas uterinas durante o exame. É comum que ao longo do exame, o médico peça para a paciente modificar sua posição, o que ajuda a distribuir melhor o contraste, fornecendo mais informações.



Durante o procedimento é comum a paciente sentir uma cólica leve, como uma cólica menstrual, que desaparece logo após o término do exame. O procedimento tem duração de 30 minutos, porém o desconforto dura entre seis e sete minutos. Raramente o exame precisa ser repetido, a não ser em situações específicas, como por exemplo, quando a paciente é submetida a um procedimento cirúrgico que modifica a anatomia do útero. 

Preparação para o exame


Antes do exame a paciente deve manter abstinência sexual por 72 horas, e existe um período certo para a realização do mesmo, que deve ser realizado entre o 6º e o 12º dias do ciclo menstrual (onde o primeiro dia é o do início da menstruação). Caso haja suspeita de gravidez não deve ser realizado, de forma que é comum algumas mulheres fazerem testes de gravidez antes do exame.

Também pode ser necessária a limpeza do intestino, usando laxantes no dia anterior ao exame, para que os gases e fezes na região pélvica não atrapalhem na visualização do resultado. 

Alguns minutos antes do exame, normalmente é feito uso de medicamentos anti-inflamatórios ou antiespasmódicos, para evitar espasmos e desconfortos. Por isso, o melhor é não fazer uso de outros medicamentos, a não ser que o médico tenha recomendado. É necessário que a paciente também esvazie a bexiga antes de começar o exame.

Cuidados após o exame


Ao retirar a sonda após a histerossalpingografia, 70% do contraste escoa em direção à vagina. Apenas 2 ou 3 ml são absorvidos pelo organismo e eliminados pelo rim, sem qualquer alteração na cor ou aspecto da urina. O médico poderá também recomendar que se evite relações sexuais por alguns dias, mas não há cuidados muitos complexos no geral.

A infecção pélvica é a complicação mais comum da histerossalpingografia, porém quando todos os cuidados de assepsia são tomados, sua ocorrência é muito rara. 

Quem não pode fazer o exame?


Grávidas - Como mencionado anteriormente, o exame é inviável durante a gravidez, já que um líquido é injetado dentro útero. 

Pacientes com alergia a contraste iodado - Caso a paciente tinha tido reação alérgica importante e comprovada em outros exames com contrastes iodados injetados na veia, também deve informar ao médico o ocorrido de forma a permitir que o procedimento seja realizado tomando algumas precauções e, se necessário, a mesma poderá ser orientada a realizar o exame em ambiente hospitalar.

O exame é doloroso?


É complicado determinar o que é ou não doloroso. Depende muito da sensibilidade de cada mulher. Algumas dirão que é bem suportável e outras que é uma verdadeira tortura. Diante de tantas histórias é comum que algumas mulheres fiquem completamente apavoradas apenas com a possibilidade de precisar fazer histerossalpingografia.

Fatores como equipamentos sem qualidade, ou por profissionais despreparados, contribuem muito para que a histerossalpingografia seja realmente dolorosa e bastante desconfortável. O contraste também deve ser aquecido previamente, para evitar a contração uterina que também pode causar dor no momento do exame. Por isso, o melhor é conversar com as pessoas que já fizeram o exame e pedir indicação de locais e profissionais que estejam mais aptos a realizar a histerossalpingografia sem traumas ou pelo menos com o menor desconforto possível. 

Avaliação dos resultados


Qualquer exame feito deve ser avaliado pelo seu médico ginecologista, de forma que ele é o único que poderá determinar um diagnóstico preciso. Contudo, o que se espera no resultado de histerossalpingografia é que o útero forme um desenho quase triangular, com três pontas bem pelo contraste definidas e que as bordas não estejam embaçadas ou indefinidas. Já as trompas devem ser bem finas, formando leves ondulações que não fiquem totalmente próximas ao útero e com um contraste menos definido, parecendo que está se espalhando.  

Histerossalpingografia normal

Resultados anormais podem ser decorrentes a diversos problemas uterinos como pólipo endometrial, mioma, sinéquia, adenomiose e anomalias congênitas, como um septo na vagina. Já os problemas tubários podem ser decorrentes de processo aderencial pélvico causado pela endometriose ou por doença inflamatória pélvica, hidrossalpinge (acúmulo de água na tuba) e obstrução tubária, entre outros.

Histerossalpingografia com obstrução tubária

Vou engravidar após o exame?


Relatos de mulheres que conseguiram o positivo logo após o exame costuma encher de esperança quem precisa passar pelo exame. Contudo, não é tão simples assim. Claro que quando existe uma pequena obstrução das trompas, o contraste injetado poderá desobstruir a passagem, de forma que possibilitará a passagem do óvulo, facilitando engravidar. 

Em alguns casos a aderência é absoluta de forma que o exame não poderá resolver de imediato, da mesma maneira em casos de outras alterações que não serão resolvidas com o mesmo. Então é importante saber que o objetivo do exame é o diagnóstico e não tratamento para engravidar.

O exame poderá ser realizado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) ou pelo seu plano de saúde. Converse com seu médico sobre o exame e veja se é uma opção para o seu caso. Não há motivo para ter receio de fazer o mesmo pois qualquer desconforto é pequeno diante do grande sonho de engravidar. Até a próxima.