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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Muco clara de ovo


Detectar a ovulação, ou pelo menos tentar, é uma das principais preocupações de toda mulher que deseja engravidar. Uma das formas de se fazer isso é através da verificação do Muco Cervical. Conhecido como muco fértil, muco transparente ou muco clara de ovo (devido ao seu aspecto), esse método de identificação do período fértil pode muitas vezes confundir as mulheres, fazendo com que percam o período fértil, ou simplesmente acreditem que não tenham ovulado por não conseguir visualizá-lo durante o ciclo. Algumas vezes, esse muco pode aparecer mais de uma vez durante o ciclo, deixando as tentantes de cabelos em pé, sem saber o que esperar. 


Quando o muco clara de ovo aparece?



Durante o ciclo menstrual, o muco cervical adquire vários aspectos conforme a fase do ciclo. (Saiba mais a respeito aqui!O muco clara de ovo é um muco transparente, muito aquoso (com as aspecto de água, só que elástico) que aparece durante alguns dias do ciclo menstrual. Quanto mais perto da ovulação, mais transparente e elástico o muco vai ficando. O muco clara de ovo, de fato, surge cerca de 3 dias antes da ovulação mas mantém-se até lá e vai aumentando a elasticidade. Depois da ovulação, repentinamente, desaparece. 


Sempre que estiver perto da ovulação o muco fica visível?


Muitas mulheres podem estar no período fértil sem que consigam notar a presença do muco. Isso pode ocorrer devido à vários fatores como a quantidade de muco, que pode ser pouca, ficando visível apenas através de colheita diretamente do colo do útero. 


Como se colhe o muco?


De manhã, após fazer xixi e com as mãos bem lavadas, deve introduzir o dedo médio o mais fundo que conseguir no canal vaginal, deixando com que fique um pouco de muco no dedo. Deve-se então avaliar a elasticidade e o aspecto do muco. Para isso, esfrega-se o dedo médio no polegar e depois separa-os levemente de forma que o muco possa esticar um pouco. O muco fértil poderá ser esticado sem partir-se por alguns centímetros. Caso o muco se parta facilmente, ou não esteja tão transparente, ainda não é o período mais fértil.


Quando o muco aparece fora do período fértil


Algumas vezes pode ocorrer do muco transparente aparecer pouco antes de vir a menstruação, ou seja, logo após a ovulação, e em alguns casos, pode continuar aparecendo mesmo em caso de gravidez. 

O aparecimento do muco elástico fora do período fértil pode indicar uma alta do hormônio feminino estrogênio. O aumento do estrogênio no organismo feminino faz com que o muco se torne mais abundante, menos espesso e mais aquoso. Desta forma, caso haja alguma alteração no equilíbrio do hormônio estrogênio, a quantidade e a consistência do muco irão sofrer variações. Além disso, infecções e o uso de certos medicamentos podem interferir na qualidade do muco cervical.


Casos em que pode aparecer


Na gestação: Esse tipo de muco é bastante comum durante a gravidez e costuma ficar bem abundante! Isso ocorre porque há um aumento do fluxo sanguíneo na região do ventre e os hormônios presentes na corrente sanguínea colaboram para o seu aparecimento.

Devido ao Anticoncepcional: Alguns anticoncepcionais tem níveis de estrogênio mais alto. Nesse caso, o aparecimento do muco não indica que esteja ocorrendo ovulação e não precisa ser motivo de preocupação. Contudo, algumas mulheres podem ficar mais preocupadas, nesse caso, o melhor é conversar com o médico, para que que sabe, possa haver a troca da medicação, mesmo porque todo contraceptivo pode falhar!

Após laqueadura de Trompas: Mulheres que fizeram laqueadura de trompas também podem apresentar o corrimento tipo clara de ovo, pois como os ovários continuam intactos após o procedimento, a ovulação acontece normalmente e a consequente resposta do organismo também, que continua alterando  a consistência do muco.

Medicamentos ou chás: Alguns medicamentos, como indutores de ovulação, podem fazer com que a mulher tenha maior quantidade de muco cervical. Alguns chás, como o inhame, também irão aumentar a quantidade de muco e também o período fértil. 


Quando o aparecimento merece atenção


Em alguns momentos, o aparecimento do muco transparente em conjunto com outros sintomas, necessita de atenção especial, como:

Muco com sangue: Durante a ovulação, é possível que o muco clara de ovo venha acompanhado de um pouco de sangue. Isso ocorre porque quando o óvulo é liberado ele rompe uma porção do ovário para poder sair, e então isso pode causar um leve sangramento de ovulação. Nesse caso, não há motivos para preocupação. 

Muco com sangue na gravidez: O aparecimento de qualquer sangramento na gravidez, ainda que leve, deve ser comunicada imediatamente ao médico. Algumas vezes, a causa é o rompimento de algum vaso sanguíneo e devido a região uterina estar mais irrigada, qualquer mínimo atrito pode romper um vasinho.


Muco aparece sempre 3 dias antes da ovulação?


E se tratando de corpo humano tudo é sempre muito relativo. Principalmente no que diz respeito ao ciclo menstrual. Como vimos, há várias situações em que o muco clara de ovo pode aparecer. Mesmo quando estamos no período fértil, não se pode assumir que o muco surge sempre 3 dias antes da ovulação. Pode ocorrer do aparecimento um pouco mais tarde ou mesmo, a percepção do muco tenha sido mais perto da ovulação. A menos que a mulher tenha um ciclo regular e faça a avaliação do muco diariamente, não se pode afirmar quanto tempo falta para a ovulação. E ainda nesses casos, qualquer alteração, mesmo emocional, poderá interferir no ciclo menstrual. O melhor é que aproveite o aparecimento do muco clara de ovo para namorar, garantindo maior chance de conquistar o positivo. Até a próxima!

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Como engrossar o endométrio


Dentre os diversos aspectos que precisam estar bem para que haja possibilidade de engravidar, o endométrio é um que necessita atender alguns pontos como espessura e característica trilaminar (3 camadas). O Endométrio Atrófico (fino) atrapalha a fixação do embrião, impossibilitando a gravidez. Dessa forma, é importante engrossar o endométrio, seja com medicamentos ou naturalmente (através da alimentação ou extratos fitoterápicos - Isoflavona) para a conquista do positivo.

Como engrossar o endométrio


Geralmente, os especialistas em fertilidade costumam prescrever medicamentos que podem engrossar o seu revestimento endometrial. Normalmente, são medicamentos à base de Estradiol (estrogênio) que ajudam a engrossar o endométrio. Essas drogas ajudam a aumentar as chances de concepção. Alguns destes medicamentos têm efeitos colaterais, como nascimentos múltiplos, o que pode não ser desejável para algumas pessoas. Tratar-se com uma clínica de fertilidade também pode ser muito caro. Algumas pessoas preferem tentar um tratamento mais natural antes de recorrer ao uso de medicamentos.

O endométrio, que é o revestimento interno do útero, responde aos níveis de estrogênio e progesterona no corpo em um dado momento. À medida que o nível de estrogênio aumenta durante o curso do ciclo menstrual, a espessura do endométrio vai aumentar. 
Caso a mulher tenha um revestimento fino, pode simplesmente optar pela suplementação de estrogênio. Teorias recentes indicam, no entanto, que tomar estrogênio sintético ou de origem animal pode aumentar as chances de câncer de mama ou de útero, bem como doenças do coração. Dessa forma, ao invés de uma receita médica, a mulher pode recorrer ao uso de fitoestrogênios derivados de plantas. Essas substâncias, encontradas na soja, trevo vermelho e outras plantas, que agem da mesma maneira que o próprio estrogênio do corpo, com menos riscos à saúde.

O que são Fitoestrogênios?


Fitoestrogênios são compostos químicos encontrados naturalmente em certas plantas, incluindo alimentos como grãos integrais, verduras, feijão e alho. A investigação científica mostra que os fitoestrógenos podem imitar a ação do estrogênio, hormônio que influencia o funcionamento do sistema reprodutor feminino. Na medicina alternativa, suplementos dietéticos que contêm fitoestrogênios são por vezes usados ​​para proteger contra cânceres hormônio-dependentes (incluindo algumas formas de câncer de mama ), doenças cardíacas, osteoporose e sintomas da menopausa.

Os suplementos de fitoestrogênios podem ser encontrados em farmácia ou em lojas de alimentos saudáveis, inclusive pela internet. Seguindo as instruções do pacote e certificando-se de evitar o uso excessivo desses produtos, tem-se um efeito satisfatório. Alterações nos níveis hormonais podem afetar a saúde em muitos aspectos, e não somente o reprodutivo, por isso é importante conhecer o motivo para a demora em engravidar. 

Alguns alimentos que contêm alto teor de estrogênio natural:
  • Soja
  • Milho
  • Linhaça
  • Cevada
  • Sementes de linho
  • Ervilhas
  • Feijão
  • Centeio
  • Trevo
  • Erva-doce
  • Grão-de-Bico
  • Maçãs
  • Broto de alfafa
  • Aipo
  • Salsa
  • Beterraba
  • Brócolis
  • Couve-flor
  • Cenouras
  • Pepinos
  • Cogumelos
  • Couve-de-Bruxelas
  • Algas
  • Abóbora
  • Sementes de abóbora
  • Sementes de girassol
  • Bagas
  • Azeitonas
  • Peras
  • Ameixas
  • Tomates
  • Abrunhos
  • Cevada
  • Aveia
  • Arroz branco
  • Ervilhas
  • Favas
  • Feijão vermelho
  • Orégãos (Orégano)
  • Framboesa
  • Tomilho
  • Açafrão da índia
  • Gengibre


Cuidados com a saúde


Utilização de fitoestrogênios pode produzir efeitos adversos em alguns indivíduos. Por exemplo, algumas pesquisas sugerem que a genisteína (um fitoestrógeno encontrado na soja) pode interferir com as ações do tamoxifeno (um medicamento usado para tratar câncer de mama). Além do mais, as pessoas que têm (ou estão em risco de) qualquer tipo de condição hormônio-sensível podem precisar de evitar fitoestrógenos, devido à sua atividade semelhante ao estrogênio.

Caso o uso de fitoestrogênios não melhore a espessura do endométrio, o melhor é consultar um médico e avaliar o uso de um medicamento como alternativa. Até a próxima!

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Estrogênio e seu papel no corpo da pré-mãe


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A tireoide e a fertilidade


A tireoide é uma glândula que age nas funções de órgãos importantes como coração, cérebro, fígado e rins. Está localizada na parte anterior pescoço, logo abaixo da região conhecida como Pomo de Adão (ou popularmente, gogó). É uma das maiores glândulas do corpo humano e tem um peso aproximado de 15 a 25 gramas (no adulto). 

As mulheres com funcionamento deficiente ou excessivo dessa glândula, podem ter seus ciclos menstruais desregulados e em alguns casos, pode levar a infertilidade. 

Hipotireoidismo e Fertilidade


A tireoide fabrica dois hormônios a tiroxina (T4) e a tri-iodo-tironina (T3). A tiroxina é responsável por controlar o metabolismo. Quando os níveis de T4 caem (hipotireoidismo), o metabolismo fica mais lento. Um baixo nível de T4 pode comprometer também o ciclo menstrual, pois a possibilidade de ovular cai. 

Com relação a fertilidade, os hormônios que devemos considerar são a progesterona e o estrogênio. Sabemos que para que a ovulação ocorra normalmente, esses hormônios devem estar equilibrados, o que não ocorrerá se a tireoide não funcionar corretamente.

Muitas mulheres conhecem o funcionamento da progesterona durante uma gravidez e sabem como ela é importante para sua manutenção. O que poucas conhecem é a influência do estrogênio no ciclo menstrual. Ele é responsável pelo crescimento das células, no ciclo menstrual, ele irá favorecer o crescimento do endométrio. Contudo, para isso, ele faz com que as células do útero consumam mais oxigênio. Quando os níveis de estrogênio estão mais altos do que o necessário, ele faz com que as células consumam mais oxigênio, e para isso elas irão retirar o oxigênio que seria importante para auxiliar no desenvolvimento do óvulo, ou ainda na implantação do embrião. Sem oxigênio suficiente, o desenvolvimento do óvulo fica comprometido, e nos casos em que há a implantação, a gestação pode ser comprometida, levando a perda prematura. 

O estrogênio atua negativamente na tireoide pois suprime a liberação dos hormônios da tireoide, o que pode causar hipotireoidismo. Para quem tem hipotireoidismo, o fígado não consegue retirar o excesso de estrogênio do corpo, de forma que o mesmo continua a acumular-se, o que alimenta o hipotireoidismo. Assim temos um ciclo que não pára, onde o estrogênio causa a não liberação dos hormônios da tireoide (hipotireoidismo) e o hipotireoidismo não permite que o corpo elimine o excesso de estrogênio. 



Fontes externas de estrogênio


Como vimos, o estrogênio alto pode levar ao hipotireoidismo. Embora essa alteração pode ser causada pelo excesso de estrogênio, qualquer outro fator que leve ao hipotireoidismo elevará o nível de estrogênio, ou seja, embora o estrogênio possa não ser o que causou o hipotireoidismo, seu nível será mais alto por causa dessa alteração. Sabendo disso devemos então cuidar com as demais fontes que podem contribuir pela elevação de estrogênio no organismo, como os anticoncepcionais, pois pode levar um tempo até que seu corpo consiga equilibrar o nível de estrogênio após o fim do uso de pílulas anticoncepcionais. Tudo dependerá de quanto tempo ele conseguirá se liberar do excesso do hormônio, o que pode levar de 3 a 6 meses, embora há casos de mulheres que conseguiram uma recuperação dos níveis hormonais, engravidando em seguida a parada da pílula. Alguns alimentos também são ricos em fitoestrógenos (estrogênio natural), fazendo com que o nível desse hormônio seja elevado, prejudicando a fertilidade.

Hipertireoidismo e Fertilidade


No lado oposto das alterações do funcionamento da tireoide é quando a glândula produz muito hormônio T4 e T3. Com a glândula mais ativa, o metabolismo tende a ficar mais acelerado. 

Uma causa comum de hipertireoidismo é a Doença de Graves, uma doença autoimune que tende a ser adquirida de forma familiar e afeta a glândula tireoide inteira. Outra causa de uma tireoide hiperativa são os chamados nódulos quentes, que podem se formar sobre a glândula. Nesse caso, a maior parte da glândula continua a funcionar normalmente, mas o nódulo contém células que produzem muito do hormônio T4.

Independente da causa, bem como no caso do hipotireoidismo, o ciclo menstrual pode ser comprometido, dificultando a ovulação e nos casos em que ocorre a implantação do embrião, há riscos de perda gestacional. Por isso a necessidade de se fazer um pré-natal rigoroso especialmente o controle endócrino, pois muitas vezes é necessário o aumento da dose da droga que controla a tireoide para não colocar em risco a vida tanto da mãe quanto do bebê.

Sintomas da tireoide


O hipotireoidismo pode causar constipação, fluxo menstrual aumentado, ganho de peso, diminuição do apetite, letargia, depressão, problemas cognitivos, fadiga, pele seca e áspera, intolerância ao frio ou dores musculares, queda de cabelo, fala lenta e/ou voz rouca, mãos dormentes, palmas das mãos e solas dos pés alaranjados, além de confusão ou pensamento lento. 

Sinais de hipertireoidismo incluem evacuações mais frequentes, perda de peso, ciclos irregulares, aumento do apetite, insônia, nervosismo, intolerância ao calor, tremores nas mãos e palpitações cardíacas.

Diagnóstico e Tratamento


Para detectar alterações da tireoide, basta alguns exames de sangue e um ultrassom da mesma. Os exames são que medem os níveis dos hormônios da tireoide T4 (tiroxina) e TSH (hormônio estimulador da tireoide) e também os exames de anticorpos anti-tireoide. Altos níveis desses anticorpos são típicos de uma doença da tireoide chamada Tireoidite de Hashimoto, que pode resultar em hipotireoidismo. A Tireoidite de Hashimoto é classificada como uma doença autoimune, porque o corpo se volta contra si, formando anticorpos que atacam as células da tireoide e diminuem a produção de hormônio da mesma. A glândula em si pode compensar, tornando-se aumentada. A presença de anticorpos antirreceptor do TSH (TRAB) pode indicar uma doença autoimune chamada Doença de Graves (no caso de hipertireoidismo).

O tratamento do hipotireoidismo consiste na reposição oral do hormônio tiroxina (T4), uma vez ao dia, preferencialmente pela manhã e em jejum. A dosagem deve ser individualizada, sendo importante o controle periódico para que seja ajustada sempre que necessário. No hipertireoidismo, os tratamentos são projetados para diminuir a secreção de hormônios da tireoide. Isso pode ser feito com drogas antitireoidianas ou com iodo radioativo, que, essencialmente, mata parte da glândula para diminuir sua produção hormonal. Iodo radioativo não pode ser usado em mulheres que já estão grávidas e deve haver um período de pelo menos seis meses de espera após o tratamento antes de tentar engravidar.

Apesar da dificuldade que a alteração da tireoide pode causar para quem sonha com o positivo, é importante que o diagnóstico seja feito o mais breve possível e que siga o tratamento corretamente. Até a próxima!






terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Endometriose e as chances de engravidar


Muito mais que afetar as tentativas de engravidar, a endometriose tem grande impacto no dia-a-dia da pré-mãe com esse diagnóstico. E muitas sofrem com a insegurança de que um dia chegarão a serem promovidas à mães. Felizmente, a medicina tem hoje muitos recursos que podem ajudar nessa caminhada. 

O que é endometriose?


O endométrio é o revestimento mais interno do útero (parede uterina). É ele que se desfaz quando não ocorre a gravidez, ou seja, é a menstruação propriamente dita. 

A endometriose é uma doença na qual a formação do endométrio ocorre em locais não habituais (fora do útero). Geralmente afeta as trompas e ovários, mas também pode atingir outros locais como intestino, bexiga e reto. Sendo estes os casos mais sérios. É uma doença crônica (não há cura), apenas tratamento para que sua ocorrência seja diminuída e espaçada.



O tecido endometrial uma vez fora do útero tem a capacidade de implantar e proliferar, aumentando a quantidade de células e o tamanho das lesões de endometriose. A disseminação do endométrio pode se dar por proximidade acometendo tecidos e órgãos pélvicos ou pela corrente sanguínea atingindo órgãos fora da pelve. 

De acordo com o local e tamanho das lesões e das aderências, a endometriose pode ser classificada como Endometriose superficial (peritoneal), Endometriose profunda infiltrativa, Endometriose ovariana e Endometriose pélvica. No entanto, a forma mais utilizada pelo mundo é a classificação em graus de acordo com sua intensidade, que é a Endometriose mínima (grau I), Endometriose leve (grau II), Endometriose moderada (grau II) e a Endometriose severa (grau IV).

Qual a causa da endometriose?


Uma das teorias mais conhecidas é a chamada de "menstruação retrógrada", que ocorre quando o fluxo sanguíneo (a menstruação) volta pelas tubas uterinas, sendo derramado nos órgãos próximos, ou seja, a menstruação ao invés de seguir no sentido do canal vaginal, sobe pelas trompas, atingindo os ovários, peritônio (membrana fina que reveste a parede interna do abdome e alguns órgãos) e intestino. Outra teoria seria a de uma falha do sistema imunológico que não destrói o tecido anormal que cresce ou chega até os locais errados ou ainda a hipótese de uma transformação de células, que assumem as características do endométrio, fora do útero. 

Alguns estudos sugerem que a presença de histórico familiar com casos de endometriose é um fator de risco para o seu desenvolvimento. Bem como a baixa imunidade, a ansiedade e o estresse podem agravar os sintomas de quem já sofre com a doença.

Quais os sintomas da endometriose?


Embora algumas mulheres possam não apresentar nenhum sintoma da doença, os sintomas mais comuns são:

  • Cólica menstrual (presente em 90-95% dos casos)
  • Dor profunda na vagina ou na pelve durante relação sexual
  • Dor pélvica contínua não relacionada a menstruação
  • Obstipação intestinal ou diarreia no período menstrual
  • Dor para evacuar
  • Sangramento nas fezes
  • Dor para urinar
  • Sangramento na urina
  • Infertilidade


Como diagnosticar a endometriose?


Inicialmente o médico deverá examinar o histórico sintomático e familiar da paciente. Isso será facilitado se a paciente monitorar durante uns meses os sintomas, podendo manter um diário com os detalhes de quando ocorrem maiores incômodos e o nível de intensidade de cada sintoma.
  
Foco de endometriose 

O exame físico no consultório (de toque) também é feito para verificar se há cistos, dor ou áreas de rigidez. O ultrassom transvaginal também é usado para verificar se há cistos no ovário. 

A alta dosagem de uma marcador no sangue chamado CA125 também pode sugerir endometriose. 

A confirmação da endometriose é feito através de videolaparoscopia que é um exame invasivo, onde uma câmera é inserida para avaliação do órgão reprodutivo da mulher. No hospital, com a paciente devidamente anestesiada, o médico especialista faz alguns pequenos cortes perto do umbigo e da região inguinal (um de cada lado) e passa através deles um tubo com uma luz e uma câmera. O abdome é inflado para que fique mais fácil visualizar os órgãos. A recuperação pode ser bastante dolorida, principalmente por causa do acúmulo de gás no corpo.

Endometriose e infertilidade


Mulheres com endometriose têm menores taxas de fecundidade do que uma mulher sem a doença. Cerca de 50% a 70% das mulheres com diagnóstico de endometriose tem infertilidade e das mulheres com infertilidade (várias causas) cerca de 40% são por causa da endometriose. 

Alguns complicadores causados indiretamente pela endometriose podem causar infertilidade. Dentre eles estão a Distorção anatômica que é a obstrução das trompas, aderências que impedem o transporte do óvulo até o encontro com os espermatozoides no interior da tuba uterina; Mudanças no fluido peritoneal, trata-se da produção de substâncias  e células inflamatórias que interferem com a interação óvulo-espermatozoide; Desordens ovulatórias que são provocadas pelas substâncias inflamatórias e modificações nos folículos ovarianos; Alterações foliculares e embrionárias; Anormalidades miometriais e Desordens de implantação embrionária que são alterações endometriais pela produção local de estrogênio e resistência a progesterona.

Tratamento da endometriose


Como dito anteriormente, a endometriose não tem cura, contudo medicamentos são utilizados para que haja uma melhora dos sintomas clínicos da doença e eventualmente o retardo na evolução das lesões. Normalmente são passados hormônios que tem a capacidade de inibir a produção de estrogênio pelos ovários e com isso diminuir o estimulo ao crescimento do tecido endometrial dentro e fora do útero (endometriose).  Os anticoncepcionais orais ou injetáveis, de uso cíclico ou continuo com suspensão ou não da menstruação, medicamentos só com progesterona e os análogos do GnRH são os mais utilizados. 

Geralmente, quando sintomas como dor e infertilidade estão presentes, é feita a opção pela cirurgia por videolaparoscopia para a retirada das lesões e das aderências, isso permite que a paciente tenha uma melhora da qualidade de vida devido a diminuição ou mesmo extinção da dor, podendo ser possível voltar as tentativas para engravidar em grande parte das mulheres tratadas. 
Quando não há muitos sintomas, ou estes são menos severos e não apresentam riscos de perda de função de algum órgão, a opção pelo tratamento clínico deve ser feita. O tratamento medicamentoso não deve em hipótese alguma ser feito sem a prescrição e acompanhamento médico.

Endometriose e as chances de engravidar


Apesar do medo que o diagnóstico de endometriose pode causar na pré-mãe, fico feliz de informar que cerca de 50% das mulheres com endometriose podem engravidar espontaneamente sem tratamento. E com tratamento adequado grande parte das pacientes com alguma infertilidade causada pela endometriose podem engravidar. A cirurgia por videolaparoscopia com retirada das lesões de endometriose e das aderências pode aumentar as chances de gestação espontânea em mulheres com endometriose em todos os estágios. Em outros casos pode ser necessário a realização de tratamentos com técnicas de reprodução assistida como a inseminação intra-uterina ou a fertilização in vitro

Mesmo que alguns diagnósticos como endometriose possam nos deixar tristes e mesmo sem esperanças é importante manter o pensamento positivo. Busque informações, tratamentos, converse com um especialista em infertilidade e mantenha-se firme na caminha pela realização do seu sonho. Boa sorte e até a próxima.

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

FSH e LH e seu papel no ciclo da pré-mãe


Hoje os assuntos são os outros dois hormônios que fazem parte do ciclo menstrual da pré-mãe. Depois de falar sobre Progesterona e Estrogênio, vamos conhecer um pouco sobre LH e FSH

As siglas LH são do termo inglês Luteinizing Hormone, e em português hormônio luteinizante. E as siglas do termo FSH vem do inglês Follicle-Stimulating Hormone ou hormônio folículo estimulante em português. São os responsáveis pelo desenvolvimento e liberação do óvulo. 

FSH e o LH no ciclo menstrual



No início do ciclo menstrual, a hipófise, produz o hormônio folículo estimulante, que como o nome diz, estimula o crescimento do folículo ovariano, que nada mais é que a estrutura que contém o que será o óvulo quando amadurecido. 

O FSH passa então a estimular a produção de estrogênio pelos ovários. Os folículos serão estimulados até que um deles seja dominante (maior que os demais), eles crescerão até que o nível estrógeno iniba a produção do FSH.

Como falei no post anterior, o estrogênio irá estimular o desenvolvimento do endométrio. Com a secreção de estrogênio pelos ovários, o corpo passa a enviar sinais para a hipófise que passa a secretar LH ou hormônio luteinizante para regular o crescimento dos folículos ovarianos. É o LH que determina quando o óvulo está maduro e pronto para ser liberado pelo ovário. 


Quando o óvulo está maduro, o LH então atinge seu nível mais alto no ciclo (pico do LH), informando ao cérebro que o óvulo pode ser liberado. Quando o óvulo é liberado, a membrana que o guardava, chamada de corpo amarelo ou lúteo, passa a secretar progesterona. Nesse momento, a produção de progesterona passa a ser feita em maior quantidade, é ela quem cuida de manter o endométrio estável para que o óvulo fecundado possa fixar-se. A progesterona, dessa forma inibe a ação do LH e o estrogênio inibe a produção de FSH. Quando o FSH é inibido, os demais folículos (que não cresceram suficiente) então começam a degenerar (murchando até sumir). 


O LH é que mantem a estrutura do corpo lúteo, como seu nível vai caindo, o corpo lúteo não resiste caso não haja fecundação. Então o nível progesterona, que era secretada pelo corpo lúteo, também cai. Esse processo ocorre numa média de 14 dias. 

Quando os níveis de estrogênio e progesterona caem, não é mais possível manter estável o endométrio e então ele passa a descamar (que é a menstruação).

Quando há gravidez, a manutenção do corpo lúteo passa a ser feita pelo hcg (gonadotrofina coriônica humana) secretado após a fixação do embrião, de forma que a produção de progesterona se mantem até que a placenta passe a secretar a progesterona para manutenção da gestação.

Apesar de ser um pouco confuso no início, entender o funcionamento do ciclo menstrual e as implicações do desequilíbrio hormonal no corpo ajuda muito no processo de tentativas. Espero que tenham gostado e deixem seus comentários a respeito. Até a próxima.




terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Estrogênio e seu papel no corpo da pré-mãe

No último post falei um pouco da progesterona e seu papel no ciclo da mulher. Hoje é a vez de conhecer melhor o Estrogênio, que junto com a progesterona, desempenha papel importante no corpo da pré-mãe.

Embora seja tratado como um hormônio, na verdade, o que chamamos de estrogênio é um grupo de hormônios, que são principalmente o estradiol, estriol e estrona. Também conhecido como estrógeno, é o responsável pelas características femininas pois comanda o crescimento das células, de forma a determinar o tamanho dos seios, a textura da pela e dos cabelos, o crescimento dos pelos, onde serão depositadas as gorduras corporais (sendo determinante para reduzir o risco de doença cardiovascular), protege as células nervosas e prepara o corpo para a gravidez.

Estrogênio no ciclo menstrual


No início do ciclo menstrual, a hipófise estimula a secreção de FSH que indicará a produção de estrogênio nos ovários e liberado na primeira fase do ciclo menstrual. O estrogênio é o responsável pela proliferação das células do endométrio (camada mais interna do útero) e também a estimulação do LH que irá estimular o crescimento do óvulo. O hormônio luteinizante (LH) é quem determina quando o óvulo está maduro e pronto para ser liberado. O nível de estrogênio elevado nesse período do ciclo (imagem abaixo) também originam a produção de muco cervical mais fino e transparente na altura da ovulação, o que ajuda os espermatozoides a nadarem e a sobreviverem durante mais tempo. 


Após a liberação do óvulo, o corpo amarelo (membrana que envolvia o óvulo) passa a secretar progesterona, que passará a gerar os estímulos necessários para o desenvolvimento do endométrio até que haja ou não fecundação. Caso não haja implantação do embrião (nidação), os níveis de progesterona e estrogênios caem, dando início a um novo ciclo (Leia mais detalhes do ciclo menstrual aqui) com a secreção de mais FSH que indicará a preparação de um novo óvulo para desenvolvimento. 


Para simplificar, temos o ciclo dividido em fases:
  • Fase menstrual: corresponde aos dias do ciclo em que está ocorrendo sangramento.
  • Fase proliferativa (estrogênica): período de secreção de estrógeno pelo folículo ovariano, que se encontra em desenvolvimento.
  • Fase secretora (lútea; progesterônica): Inicia-se após a ovulação e se caracteriza pela ação da progesterona. Nessa fase, o útero está pronto para receber o embrião (é a nidação).
  • Fase pré-menstrual (isquêmica): período que antecede a próxima menstrual, caracterizando-se pela redução das taxas de estrógeno e progesterona, onde o endométrio deixa de receber seu suprimento sanguíneo.

Baixo nível de estrogênio 


A baixa produção de estrogênio pode acarretar num ciclo menstrual desregular. Alguns sintomas como ondas de calor ou fogachos que são típicos da menopausa podem indicar que há deficiência do hormônio. Pode haver uma sensação de ressecamento vaginal, bem como a redução do apetite sexual, insônia, irritabilidade, dores de cabeça, palpitações cardíacas, déficit de atenção ou dificuldade de lembrar das coisas. Em alguns casos, certas condições médicas, como enxaquecas, ataques de pânico, depressão e infecções vaginais pode ser desencadeada devido a baixos níveis de estrogênio. 

Quais as causas?


O déficit de estrogênio pode ser uma causa secundária de outra doença, nesse caso, deverá ser feito um controle hormonal para descartar essa possibilidade. Normalmente, a deficiência de estrogênio em mulheres se dá por causa da menopausa. Baixo peso corporal e exercício excessivo são outras causas de baixos níveis de estrogênio. As pílulas anticoncepcionais também, eventualmente, leva à deficiência de estrogênio. Certas doenças podem levar a baixos níveis de estrogênio como a síndrome de Turner e distúrbios da tireoide. Em alguns casos, doenças da hipófise também podem levar a baixos níveis de estrogênio em mulheres.

Como tratar?

Geralmente a opção no caso de baixo nível estrogênico é a reposição hormonal, contudo, pode acarretar num círculo vicioso já que o corpo não produz naturalmente o hormônio, com o passar do tempo, pode haver necessidade de não descontinuar o tratamento. Isso aumenta também os riscos de derrame, doenças cardiovasculares e até câncer. 

Nesse caso, o melhor é optar por uma dieta que contribua para elevação dos níveis de estrogênios naturalmente. Redução do consumo de gorduras, inclusão de frutas e verduras que contenham o fito-hormônio em sua composição como a soja, são as opções mais utilizadas. 


É muito importante estar atenta aos sintomas que podem indicar um desequilíbrio hormonal que compromete as tentativas de engravidar. Muitas vezes, apenas alterações simples, como as alimentares, podem contribuir e muito para que o período de espera pelo positivo seja diminuído. Espero que tenham gostado e até a próxima.