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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Metformina para tratar SOP


Embora seja muito conhecida pelas pré-mães, a metformina ainda enfrenta resistência de alguns ginecologistas para tratar a síndrome dos ovários policísticos. 

Muitos estudos estão disponíveis e registram a eficácia da metformina no tratamento de pacientes que, devido a SOP, tem resistência insulínica (hiperinsulinemia) devido ao aumento de insulina no corpo. 

Insulina no corpo e SOP


Para entender a SOP, devemos conhecer o papel da insulina no nosso organismo. 

Todo alimento tem um índice glicêmico (quantidade de açúcar presente no alimento) e uma carga glicêmica (quantidade de insulina necessária para digerir o açúcar), ou seja, para que esse açúcar seja aproveitado pelas células, há uma quantidade de insulina (hormônio que transporta esse açúcar para as células) certa. 


A SOP atua então fazendo com que o corpo tenha uma resistência à insulina, indicando que não há insulina suficiente no corpo para digerir o açúcar. Imaginemos que um alimento tenha uma carga glicêmica 3, isto é, precisa de 3 cargas de insulinas para cada 1 de açúcar (isso é só para ficar mais fácil entender!). Quando consumimos esse alimento com 1 carga de açúcar, o corpo com SOP entende que não tem insulina suficiente para digerir e diz que precisa de mais, mesmo tendo 3 cargas de insulinas. Ou seja, nesse nosso exemplo, mesmo o corpo tendo carga de insulina suficiente para transportar o açúcar ele aumenta essa quantidade. O grande problema é que a insulina também faz com que a proteína globulina aumente, e é ela a responsável por levar outros hormônios para as células, entre eles, os andrógenos (masculinos). Isso faz com que a mulher com SOP tenha uma quantidade alta de hormônios masculinos no corpo. Com mais hormônios masculinos, a ovulação é inibida. 


O papel da metformina


A metformina é um medicamento hipoglicemiante que age aumentando a sensibilidade à insulina. Ela modifica o metabolismo dos carboidratos e lipídeos (gorduras), fazendo com que diminua a quantidade de glicose (açúcar). Com menos açúcar, o corpo entende que não necessita de tanta insulina. Menos insulina é menos globulina no corpo, diminuindo assim a quantidade de hormônios andrógenos no corpo. Com o equilíbrio de hormonal restaurado a mulher volta a ovular normalmente. 

Metformina no tratamento de SOP


Como mencionei no início do post, muitos ginecologistas ainda não acreditam no tratamento da SOP pela metformina. Não conheço quais pontos de vistas são defendidos pelos mesmos, mas já li vários estudos que indicam exatamente o contrário. 

Pensei em colocar os estudos aqui, mas o foco do post é para alertar que o medicamento pode sim ser utilizado pelas pré-mães com SOP. Então se seu ginecologista prefere passar anticoncepcional ao invés de passar metformina, talvez seja a hora de trocar de médico. Acho que deve prevalecer o desejo da mulher. Muitos médicos não se importam de passar AC e fazer com que a mulher espere, afinal "são só alguns meses!" Infelizmente alguns médicos perdem (se é que já tiveram) a conexão de confiança com a paciente. Ignorar o conhecimento da paciente sobre alternativas de tratamentos apenas por "ser o médico" é muitos vezes apenas orgulho ferido. 

Efeitos colaterais 


Esse é o receito de algumas pré-mães quanto a optar pelo tratamento com metformina. Geralmente, nos primeiros dias de uso, o medicamento pode dar um desarranjo estomacal. Mas isso tende a melhorar depois que o corpo se acostuma com a metformina. Então se apresentar enjoos ou diarreias quando começar a tomar o remédio, não se assuste e mantenha o foco no positivo. Toda pré-mãe é perseverante e logo tudo melhora. Mas se o mal estar não passar dentro de uns dias, o melhor é ajustar a dose com seu médico. Começar o uso do remédio pela manhã é o melhor (na minha opinião) pois não faz com que você tenha uma noite de rainha!

O que penso a respeito


Antigamente usar-se do título para dizer que a paciente não tinha ideia do que estava falando poderia até ser aceito, mas num mundo onde a informação está ao alcance das mãos já não é mais sensato. E se esse for o caso, nada mais justo que lançar-se de argumentos convincentes para esclarecer o motivo de não adotar determinado tratamento. 


É importante não ter medo de questionar seu médico quanto ao uso de um tratamento e do motivo por não optar por outro. O médico deve está atualizado com os estudos, muitas coisas que antes eram desaconselhadas para manter-se saudável, hoje são inclusive indicadas. Então fique de olho! Não permita que alguém atrase seu sonho sem uma explicação plausível! Se for o caso, mude de médico ou escute uma segunda opinião. Corra atrás do seu positivo e boa sorte!







segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

SOP - Síndrome dos Ovários Policísticos


A Síndrome do Ovário Policístico ou Síndrome do Ovário Micropolicístico (SOP e SOMP) atinge cerca de 10% das mulheres. Muitas pessoas acham que SOP e SOMP são coisas diferentes, mas na verdade, trata-se da mesma síndrome. Normalmente a síndrome dos ovários policísticos é diagnosticada após um tempo em que a menstruação está irregular. Muitos casos apenas quando a mulher se torna uma pré-mãe.


O que causa SOP?



A causa da SOP ainda não é totalmente conhecida, mas alguns fatores são considerados na hora de identificar a síndrome como a genética, histórico familiar, obesidade e hábitos de vida. Acredita-se que a causa dos ovários policísticos seja a incapacidade de produzirem os hormônios em proporções corretas, de maneira desordenada, impedindo que os folículos se desenvolvam sincronicamente. O motivo pelo qual isso acontece é desconhecido.


Características da SOP



Uma das caraterísticas da SOP é a desordem hormonal que impedem o desenvolvimento correto dos folículos. Normalmente no ciclo há o desenvolvimento de um folículo e após a liberação do óvulo, o corpo lúteo se desfaz. Já no caso de quem tem a síndrome, formam-se vários folículos que não liberam os óvulos, ficando nos ovários. Não é uma característica obrigatória para a determinar a síndrome, já que há ciclos em que se pode ovular normalmente.
Ultrassom com imagem de Ovário policístico


Não se deve confundir ovário policístico com ovulação multifolicular. Nesse último caso, apesar de haver o desenvolvimento de múltiplos folículos no ovário, existe a liberação do óvulo pelo folículo dominante e os demais folículos irão regredir de formar a deixar os ovários limpos. Entenda a diferença entre ovários policísticos e ovários multifoliculares.




Outra característica da SOP é a resistência à insulina, onde cerca de 50% das mulheres com SOP são afetadas. Em especial as mulheres com obesidade por causa do excesso de glicose no corpo, desenvolvendo então essa resistência. Simplificando o processo para entender, para uma pessoa sem resistência insulínica, uma molécula de insulina coloca uma molécula de glicose dentro da célula, e quando há a resistência, seriam necessárias duas ou mais moléculas de insulina para conseguir colocar uma molécula de glicose dentro da célula. A resistência insulínica pode levar ao aparecimento de diabetes ou mesmo hipertensão.


Outros sinais da SOP são com relação ao aumento de hormônios masculinos que se caracterizam pela presença de pelos (hirsutismo) em áreas tipicamente masculinas como queixo e buço, além de pela oleosa e acne. Alterações dos lipídios como colesterol elevado, maior risco cardiovascular, assim como desajustes hormonais que podem afetar o útero e acarretar em infertilidade também podem estar presentes.


Importante observar que, como toda doença de fundo hormonal, as conseqüências são múltiplas, já que todos os processos metabólicos do organismo humano são interligados. Assim, a SOP pode, além da infertilidade, levar a complicações futuras mais sérias, como diabetes e câncer de endométrio, com risco aumentado em pacientes obesas.


Como diagnosticar a síndrome



Além dos exames laboratoriais comuns, exame hormonal, exame de resistência insulínica e ultrassom, o histórico da paciente como menstruação irregular, obesidade, infertilidade, hirsutismo, alopécia, seborreia e Acantose nigricans também indicam a presença da síndrome. O que avaliar dentro de cada sintoma?



Menstruação irregular: é uma das principais características. As menstruações vêm esporadicamente, podendo demorar até 90 dias entre uma e outra. Muitas vezes elas só aparecem quando as pacientes recebem medicamentos para estimular. Esse sintoma é comum em grande parte das mulheres com essa síndrome. Saiba mais sobre a menstruação irregular neste post.






Obesidade: pelo menos metade dessas mulheres está acima do peso, isto é, o Índice de Massa Corpórea (IMC)está entre 25 ou 30 (lembrete: IMC = Peso/Altura ao quadrado). Esse é um fator fundamental para futuras complicações desta doença. A circunferência abdominal não deve ser superior a 88 cm (alguns já consideram o valor máximo de 80 cm).




Infertilidade: devido às alterações hormonais, essas mulheres passam a ovular menos ou de maneira inadequada e, por isso, podem ter dificuldade em engravidar. Das causas de infertilidade, o fator ovulatório ocupa um lugar de destaque, e 75% dele é devido a esta síndrome. Além disso, essas mulheres têm um alto índice de aborto.






Hirsutismo: é o aparecimento de pelos em locais onde normalmente não deveriam existir na mulher
(face, tórax, glúteos, ao redor dos mamilos, região inferior do abdômen e parte superior do dorso).






Acne: 30% das mulheres com SOP têm este sinal, que consiste num processo inflamatório da pele do rosto caracterizado por erupções superficiais causadas pela obstrução dos poros.




Alopécia: é a queda em excesso de cabelos na região do couro cabeludo, levando à rarefação de pelos, comum aos homens e raro nas mulheres.



Seborreia: é a oleosidade da pele e do couro cabeludo.




Acantose nigricans: é o aumento da pigmentação da pele (manchas escuras) em áreas de dobras, como pescoço e axilas.



É necessário excluir outras doenças que têm apresentação clínica semelhante, como tumores virilizantes, hiperplasia congênita da supra-renal e a Síndrome de Cushing.


Tratando a SOP



O tratamento será de acordo com os sintomas apresentados pela mulher. Assim sendo será discutido com o seu médico a melhor forma de tratar. Para quem não tem pressa na chegada do bebê pode optar pelo tratamento com anticoncepcionais.


Uma das formas mais comuns para quem quer engravidar seria com o uso da metformina, que é um medicamento que diminui a insulina e isso ajuda a diminuir os hormônios masculinos produzidos pelo ovário, que ajudam a impedir uma ovulação adequada. Muitas vezes os efeitos positivos são observados após 6 a 8 meses depois do início da ingestão do medicamento.




As mulheres que menstruam a cada 2 ou 3 meses, ou mais tempo, têm chance maior de, a longo prazo, desenvolver câncer de endométrio (tecido que reveste o útero internamente). Isso acontece porque nesses casos o hormônio estradiol, que age continuadamente sobre esse tecido sem a ação oposta da progesterona por períodos longos, favorece o surgimento dessa doença. Ao se receitar o hormônio progesterona ou uma pílula anticoncepcional, esse efeito nocivo pode ser resolvido.


Passar a cuidar da alimentação é uma forma de tratar também a SOP já que estará tratando a obesidade através de reeducação alimentar, para que o peso atinja níveis satisfatórios compatíveis com sua estatura e constituição física. Muitas mulheres voltam a menstruar normalmente só pelo fato do seu peso estar próximo ao ideal.


Existe também o tratamento cirúrgico, no entanto, é uma exceção. Neste caso é feito através de Videolaparoscopia, procedimento em que realiza-se uma série de furos nos ovários com cauterização. Geralmente, começa-se a ovular após o procedimento, contudo, o resultado não é duradouro, cerca de alguns meses (de 4 a 6 meses) os policistos voltam.


Como engravidar com SOP



Apesar de que a SOP não é impeditivo para que o ocorra a gravidez naturalmente, pode-se optar pela indução da ovulação com controle ultrassonográfico (clomifeno ou gonadotrofinas), quando há a irregularidade ou a presença de ciclos anovulatórios.


Uso de metformina ou outro medicamento que baixe a quantidade de glicose, além de aumentar a atividade hepática a fim de metabolizar a insulina no corpo.

Cauterização dos cistos através de 3 pequenas incisões no abdome. Com esse procedimento o ciclo menstrual e ovulação são regularizados e a mulher pode engravidar naturalmente.


Pode-se dizer que com esses incentivos à Dona Cegonha as chances de engravidar aumentam em 70% até o terceiro ciclo, porém idade da mulher e outros problemas de infertilidade do casal podem diminuir essa estatística.


SOP e Riscos de Aborto



Nada mais assustador para uma pré-mãe do que pensar que após uma longa jornada pelo positivo pode-se perder seu precioso milagre. Infelizmente, isso é um risco ainda maior para quem tem SOP. Existe uma relação entre a resistência insulínica e o aborto pois esse hormônio em excesso pode agir sobre células que envolvem o folículo.


De acordo com pesquisas há dados que demonstram que mulheres com a síndrome do ovário policístico possuem maior probabilidade de aborto espontâneo nos primeiros 3 meses de gestação devido ao desarranjo hormonal causando pela SOP. O desarranjo é causado pelo hiperandrogenismo, ou seja, aumento da presença do hormônio masculino.


Então devemos estar atenta à essas informações e tratar da melhor forma possível em caso da chegada do positivo. E que venha o positivo!!! Até a próxima.

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