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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Síndrome do Folículo Não Roto – LUF


Há alguns anos atrás, quando ouvia os conselhos da minha mãe para ter cuidado para não engravidar, sempre me pareceu que era incrivelmente fácil conseguir. A verdade é que depois de algum tempo tentando, percebi que muitas são as variáveis que podem dificultar o tão sonhado positivo. Assim como eu, muitas mulheres descobrem, depois de um tempo tentando, que engravidar não é tão simples assim. 

Faz pouco tempo que ouvi pela primeira vez a respeito da Síndrome do Folículo Não Roto (LUF). Confesso que mesmo vivenciado esse mundo das tentantes a algum tempo, percebi que ainda há muito o que aprender. 

O que é LUF?



A Síndrome do Folículo Luteinizado Não Roto (LUF) é quando o folículo ovariano desenvolve-se normalmente, mas não rompe para liberar o óvulo. Depois disso, as células que o compõe iniciam a secreção de progesterona, tal como um folículo que rompeu e se transformou em corpo lúteo. Caso a mulher faça acompanhamento hormonal, dosando a progesterona, por exemplo, pode não conseguir identificar problema já que as dosagens de progesterona irão parecer normais. 

Qual a causa da LUF?


Os médicos ainda não identificaram as causas dessa síndrome. Contudo, uma possível causa seria o baixo nível do hormônio LH responsável pelo rompimento do folículo, causando a anovulação. Entenda melhor os ciclos anovulatórios neste post

Quais os sintomas da LUF?


A LUF é uma síndrome silenciosa. Assim, não há nada que ocorra durante o ciclo menstrual que possa fazer com que a mulher desconfie que não está ovulando. Os sintomas comuns no período pós ovulatório de mulheres sem a síndrome, são os mesmos daquelas que sofrem com a LUF. Tal como os níveis hormonais, a fase lútea apresenta-se absolutamente normal aos olhos clínicos. 


Como saber se a mulher tem LUF?


O diagnóstico da síndrome é feito através do controle de ovulaçãoAtravés do exame de ultrassom seriado, é possível observar a evolução do folículo e identificar se houve ou não o rompimento do mesmo. Quando o folículo não rompe pode tornar-se um Cisto Folicular.

É importante ressaltar que um único exame não é suficiente para o diagnóstico da LUF. Isso porque a mulher pode passar por um ciclo onde o folículo não se rompa mas em outros romper-se normalmente. 


Qual o tratamento para LUF?


Quando se está tentando engravidar, o tratamento pode ser feito com o coito programado que inclui induzir a ovulaçãomonitorando com ultrassom e medicação à base de hCG para induzir o rompimento ou Inseminação Artificial. 

Ainda que a mulher prefira não induzir a ovulação, pode-se optar apenas pelo monitoramento da ovulação seguido por injeção para o rompimento do folículo, que será feito assim que o mesmo estiver no tamanho ideal. 

Algumas vezes passa-se meses e até anos tentando engravidar sem que um especialista seja consultado. Claro que um casal saudável pode levar até 1 ano para engravidar naturalmente, contudo, quanto mais cedo procurar ajuda e INSISTIR numa investigação da fertilidade, mais cedo chegará o positivo! Até a próxima!

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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O que é folículo ovariano?


Entender os pormenores da ovulação ajuda muito nas tentativas de engravidar. Algumas pessoas, embora saibam o que é ovulação, nem sempre conhecem mais detalhadamente como acontece esse processo. Vamos falar mais a respeito da ovulação e dos folículos ovarianos neste post.

O que é um folículo ovariano?


O folículo é a unidade básica do sistema reprodutor feminino. Um folículo é um óvulo revestido que se desenvolve a partir das células germinativas que revestem a superfície do ovário. O número e o tamanho dos folículos irá variar de acordo com a idade e o estado de reprodução da mulher. Com o passar dos anos o número de folículos vão diminuindo devido a ocorrência da apoptose que nada mais é do que a morte de células, mas este processo é normal e ocorre em todos os seres humanos. Também chamado de folículo de Graaf, folículo ovariano se maturam na fase secretora para que ocorra o ciclo reprodutivo da mulher.

Etapas de desenvolvimento do folículo ovariano


A formação do folículo começa antes mesmo do nascimento, ainda na formação dos ovários. Nessa fase, os ovários contêm os chamados folículos primordiais. Quando a mulher nasce, sua reserva ovariana contém todos os óvulos que liberará durante toda sua vida fértil. Os folículos permanecem num estágio "adormecido" até que passem pelo desenvolvimento da ovulação. Leva de seis meses a um ano para que um folículo primordial chegue a um folículo maduro preparado para a ovulação. Em cada fase do desenvolvimento folicular, muitos dos folículos param o desenvolvimento e morrem. Nem todo folículo primordial passará por cada estágio. Menos de 1% consegue liberar um óvulo maduro.  A cada ciclo menstrual vários óvulos imaturos são perdidos.

Recrutamento folicular


Poucos dias antes e durante a menstruação, alguns hormônios produzidos pelo nosso cérebro enviam um comando ao ovário para que os folículos se desenvolvam, cresçam e ovulem. Isto é denominado recrutamento folicular. Mensalmente cerca de 100 folículos respondem a esse estímulo hormonal, apesar de vermos menos deles ao ultrassom, pois a maioria ainda é microscópica. Porém, apenas um deles irá conseguir crescer adequadamente e ovular. Este é o folículo dominante, o melhor selecionado pela natureza naquele mês.

O que é folículo dominante?


O ciclo menstrual é dividido em duas partes: fase folicular (que vai da menstruação até a ovulação) e fase lútea (após a ovulação).

Durante a fase folicular o corpo vai fazer com que os folículos cresçam para que um (ou dois) deles esteja maduro o suficiente para liberar um óvulo. Cada folículo vai crescendo de forma independente. Isso significa que a uma certa fase do ciclo um deles estará maior que os outros. Esse folículo que cresceu mais é chamado de folículo dominante. Apenas em casos especiais, como quando há o uso de medicamentos indutores de ovulaçãoé que vários folículos podem crescer até o estágio ovulatório. É a chamada Ovulação Dupla ou Múltipla

Quanto mede um folículo dominante?


O folículo ovariano pode ser medido durante o controle de ovulação, através de um exame de ultrassom. Normalmente seu tamanho é determinado em milímetros (mm). 

Os folículos crescem em média 2mm por dia e se rompem em média entre 19 e 23mm. Quando se utiliza um indutor de ovulação, esse valor pode aumentar para cerca 28mm a 31mm ou até mais.

Através do controle da ovulação além de avaliar se há algum folículo dominante, pode-se indicar a data da provável ovulação e também é possível induzir a liberação do embrião com injeção de gonadotrofina coriônica (hCG).

Os estágios do desenvolvimento folicular são:



Folículo primordial - todos os folículos que estão dentro dos ovários de uma menina recém-nascida. 

Folículos primários - este folículo começa a surgir após a puberdade, por ação dos hormônios, quando se inicia o ciclo sexual.

Folículos secundários - que envolvem a adição de células que iniciarão a produção hormonal.

Folículos terciários - também chamados de folículos antrais (possuem uma cavidade cheia de líquido conhecida como antro) que permitem saber se a reserva ovariana é satisfatória. 

Folículo de Graaf ou folículo dominante - é aquele que está maduro o suficiente para a ovulação.

Ruptura do folículo - o pico do hormônio LH faz com que ocorra liberação do óvulo pelo folículo dominante.

Corpo Lúteo ou Corpo amarelo - é a estrutura que envolvia o óvulo antes da sua liberação. Sua função é enviar progesterona para nutrir o endométrio e consequentemente o embrião implantado.

Corpo Albicans ou Corpo branco - é a cicatriz que permanece após a regressão do corpo lúteo, que ocorre caso não ocorra a gestação.


Visualização de um folículo dominante com ultrassom:



Os cistos foliculares


Se um folículo ovariano não liberar um óvulo durante a ovulação, e continuar a crescer dentro do ovário, torna-se um cisto. Os folículos que liberam o óvulo podem também tornar-se cístico, se o saco não se dissolver e o fluído ficar retido, sob a parede celular. Os cistos ovarianos são normalmente benignos e bastante comum em mulheres após a puberdade, geralmente causando pouco ou nenhum desconforto e muitas vezes desaparecendo sem tratamento. Saiba mais sobre os Cistos Foliculares.



Se cistos ficam muito grande, eles podem empurrar o ovário fora de sua posição normal, o que aumenta as chances dele se torcer. Isso causa uma dor extrema, e requer tratamento cirúrgico para corrigir.

Estimular naturalmente o crescimento folicular


Quando não se pode ou não se quer estimular com medicamentos a ovulação, com injeções ou pílulas, pode-se optar pelo tratamento natural. Alimentos à base de inhame por exemplo, o elixir, chá ou preparados do legume, assumem um papel indutor muito eficiente em quase todos os organismos. Outro alimento rico em estrogênio também, a soja. Mulheres que desejam engravidar devem consumir regularmente principalmente na fase de estímulo da ovulação. Até a próxima!


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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Muco clara de ovo


Detectar a ovulação, ou pelo menos tentar, é uma das principais preocupações de toda mulher que deseja engravidar. Uma das formas de se fazer isso é através da verificação do Muco Cervical. Conhecido como muco fértil, muco transparente ou muco clara de ovo (devido ao seu aspecto), esse método de identificação do período fértil pode muitas vezes confundir as mulheres, fazendo com que percam o período fértil, ou simplesmente acreditem que não tenham ovulado por não conseguir visualizá-lo durante o ciclo. Algumas vezes, esse muco pode aparecer mais de uma vez durante o ciclo, deixando as tentantes de cabelos em pé, sem saber o que esperar. 


Quando o muco clara de ovo aparece?



Durante o ciclo menstrual, o muco cervical adquire vários aspectos conforme a fase do ciclo. (Saiba mais a respeito aqui!O muco clara de ovo é um muco transparente, muito aquoso (com as aspecto de água, só que elástico) que aparece durante alguns dias do ciclo menstrual. Quanto mais perto da ovulação, mais transparente e elástico o muco vai ficando. O muco clara de ovo, de fato, surge cerca de 3 dias antes da ovulação mas mantém-se até lá e vai aumentando a elasticidade. Depois da ovulação, repentinamente, desaparece. 


Sempre que estiver perto da ovulação o muco fica visível?


Muitas mulheres podem estar no período fértil sem que consigam notar a presença do muco. Isso pode ocorrer devido à vários fatores como a quantidade de muco, que pode ser pouca, ficando visível apenas através de colheita diretamente do colo do útero. 


Como se colhe o muco?


De manhã, após fazer xixi e com as mãos bem lavadas, deve introduzir o dedo médio o mais fundo que conseguir no canal vaginal, deixando com que fique um pouco de muco no dedo. Deve-se então avaliar a elasticidade e o aspecto do muco. Para isso, esfrega-se o dedo médio no polegar e depois separa-os levemente de forma que o muco possa esticar um pouco. O muco fértil poderá ser esticado sem partir-se por alguns centímetros. Caso o muco se parta facilmente, ou não esteja tão transparente, ainda não é o período mais fértil.


Quando o muco aparece fora do período fértil


Algumas vezes pode ocorrer do muco transparente aparecer pouco antes de vir a menstruação, ou seja, logo após a ovulação, e em alguns casos, pode continuar aparecendo mesmo em caso de gravidez. 

O aparecimento do muco elástico fora do período fértil pode indicar uma alta do hormônio feminino estrogênio. O aumento do estrogênio no organismo feminino faz com que o muco se torne mais abundante, menos espesso e mais aquoso. Desta forma, caso haja alguma alteração no equilíbrio do hormônio estrogênio, a quantidade e a consistência do muco irão sofrer variações. Além disso, infecções e o uso de certos medicamentos podem interferir na qualidade do muco cervical.


Casos em que pode aparecer


Na gestação: Esse tipo de muco é bastante comum durante a gravidez e costuma ficar bem abundante! Isso ocorre porque há um aumento do fluxo sanguíneo na região do ventre e os hormônios presentes na corrente sanguínea colaboram para o seu aparecimento.

Devido ao Anticoncepcional: Alguns anticoncepcionais tem níveis de estrogênio mais alto. Nesse caso, o aparecimento do muco não indica que esteja ocorrendo ovulação e não precisa ser motivo de preocupação. Contudo, algumas mulheres podem ficar mais preocupadas, nesse caso, o melhor é conversar com o médico, para que que sabe, possa haver a troca da medicação, mesmo porque todo contraceptivo pode falhar!

Após laqueadura de Trompas: Mulheres que fizeram laqueadura de trompas também podem apresentar o corrimento tipo clara de ovo, pois como os ovários continuam intactos após o procedimento, a ovulação acontece normalmente e a consequente resposta do organismo também, que continua alterando  a consistência do muco.

Medicamentos ou chás: Alguns medicamentos, como indutores de ovulação, podem fazer com que a mulher tenha maior quantidade de muco cervical. Alguns chás, como o inhame, também irão aumentar a quantidade de muco e também o período fértil. 


Quando o aparecimento merece atenção


Em alguns momentos, o aparecimento do muco transparente em conjunto com outros sintomas, necessita de atenção especial, como:

Muco com sangue: Durante a ovulação, é possível que o muco clara de ovo venha acompanhado de um pouco de sangue. Isso ocorre porque quando o óvulo é liberado ele rompe uma porção do ovário para poder sair, e então isso pode causar um leve sangramento de ovulação. Nesse caso, não há motivos para preocupação. 

Muco com sangue na gravidez: O aparecimento de qualquer sangramento na gravidez, ainda que leve, deve ser comunicada imediatamente ao médico. Algumas vezes, a causa é o rompimento de algum vaso sanguíneo e devido a região uterina estar mais irrigada, qualquer mínimo atrito pode romper um vasinho.


Muco aparece sempre 3 dias antes da ovulação?


E se tratando de corpo humano tudo é sempre muito relativo. Principalmente no que diz respeito ao ciclo menstrual. Como vimos, há várias situações em que o muco clara de ovo pode aparecer. Mesmo quando estamos no período fértil, não se pode assumir que o muco surge sempre 3 dias antes da ovulação. Pode ocorrer do aparecimento um pouco mais tarde ou mesmo, a percepção do muco tenha sido mais perto da ovulação. A menos que a mulher tenha um ciclo regular e faça a avaliação do muco diariamente, não se pode afirmar quanto tempo falta para a ovulação. E ainda nesses casos, qualquer alteração, mesmo emocional, poderá interferir no ciclo menstrual. O melhor é que aproveite o aparecimento do muco clara de ovo para namorar, garantindo maior chance de conquistar o positivo. Até a próxima!

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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Femara (Letrozol) como indutor de ovulação


Quando se trata de medicamento para engravidar, sempre recomendo muita cautela. Muitas vezes ouvimos alguém que usou determinado remédio e conseguiu engravidar, então a pessoa fica tentada a usar também. Confesso que não conhecia nada a respeito, quando uma amiga perguntou sobre o Femara (Letrozol). Aqui vão as informações que encontrei a respeito:

Para que serve o Femara (Letrozol)?


Femara (Letrozol ou Letrozole) é um medicamento utilizado no tratamento de alguns tipos de câncer de mama em mulheres após a menopausa. Trata-se um inibidor da aromatase de terceira geração, enzima responsável por converter os androgênios produzidos nas adrenais em estrógenos. São usadas na terapia adjuvante e no tratamento do câncer de mama metastático, principalmente naqueles com receptor de estrógeno positivo. Essa droga têm efeito na diminuição da quantidade de estrogênio sintetizada pelo organismo, suprimindo os níveis de estradiol sérico. Em outras palavras, ele funciona através da redução da quantidade total de estrogênio produzido no corpo. Isso ajuda a matar de fome as células cancerosas, privando-os de estrogênio.

Uso do Letrozol como indutor de ovulação


O uso do Letrozol como indutor de ovulação é devido ao efeito de feedback negativo no eixo hipotálamo-hipófise ou pelo aumento da sensibilidade dos folículos ao FSH ao acumular androgênios intra-ovarianos. Ou seja, com a diminuição do estrogênio, o FSH é mais estimulado e esse hormônio faz com que os folículos ovulatórios cresçam mais. Assim ele tem efeito indutor de ovulação. (O que são indutores de ovulação?)

Letrozol versus Citrato de Clomifeno


Alguns pacientes pode apresentar maior resistência ao citrato de clomifeno, sendo mais sensíveis para indução da ovulação com inibidores da aromatase, como o Letrozol, que apresenta menores efeitos colaterais no espessamento endometrial comparado ao clomifeno e um possível risco diminuído de gravidez múltipla. Em outras palavras, o Letrozol deixaria o endométrio mais grosso que o clomifeno e também teria menos risco de gravidez de mais de um bebê. Um estudo controlado randomizado mostrou que o letrozol possui menor estimulação ovariana quando comparado ao clomifeno, o que poderia contribuir para um menor número de gestações múltiplas. 


Letrozol como indutor para quem sofre com SOP



As mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP) possuem diversos cistos pequenos nos ovários que impedem os óvulos de amadurecer de forma adequada. Assim, geralmente a infertilidade é tratada com clomifeno (Clomid, Indux, Serophene) para estimular a produção de óvulos. Porém, alguns médicos acreditam que o tratamento com Letrozol apresentaria melhores resultados. 


Um estudo publicado no periódico The New England Journal of Medicine, dividiu de forma aleatória 750 mulheres inférteis com SOP em dois grupos, cada grupo tomou um dos medicamentos. Elas realizaram até cinco ciclos de tratamento.

Após controlar os fatores como histórico de fertilidade, raça e diversos níveis de hormônios no sangue, os pesquisadores descobriram um aumento significativo da ovulação, fecundação e gestação nas mulheres que tomaram o letrozol.

As diferenças em relação aos efeitos colaterais e eventos adversos graves foram poucas entre os dois grupos, e as participantes que tomaram o letrozol estavam 44% mais propensas a dar à luz.

Riscos do uso do Letrozol como indutor



Muitas meninas referem-se ao Letrozol como indutor de ovulação, o que tecnicamente está incorreto, já que até o momento, seu uso não é indicado pelo fabricante para induzir a ovulação, embora seus efeitos tenham essa característica. Disponível no Brasil, o uso do letrozol para estimular ovulação é o que se chama de "off label" – quando um medicamento para um determinado fim é usado para outro propósito. 


Alguns países não recomendam o uso dos inibidores da aromatase pela possibilidade de malformações fetais. Em dezembro de 2005, o laboratório Novartis divulgou um aviso mundial baseado num estudo canadense que diz que o medicamento letrozol (Femara) pode causar defeitos congênitos e abortos se usado na reprodução assistida. O mesmo alerta foi distribuído aos médicos pelo governo canadense. Embora, muitos profissionais tenham contestado esse estudo, devido ao mesmo ter sido feito a partir de um número pequeno de gestações e por não ter uma base adequada de análise. Essa contestação se deve ao fato de que a droga seria eliminada do organismo antes mesmo do óvulo ser fertilizado, portanto sem ter como causar má-formação no bebê. Alguns especialistas avaliam ainda que o estudo que motivou o alerta é frágil, pois não exclui outros fatores de risco que podem gerar má-formação fetal e abortos, como a gravidez em idade avançada.

Pessoalmente, acredito que o uso de uma medicação que não conta com bons estudos de base, pode trazer prejuízos, mas que cabe a cada mulher avaliar se os riscos valem a pena e também se desejam usar um medicamento dessa forma. Fazer uso de um remédio por indicação de amigas e mesmo de artigos da internet (como é o caso deste post!) é correr um risco de obter mais complicações do que benefícios. Portanto, o melhor é contar com um médico de confiança e que avalie se determinado tratamento vale mais que possíveis danos que sejam derivados deste. Ainda que alguém tenha sido beneficiada por determinada medicação, nem sempre os efeitos no seu organismo será o mesmo que no nosso. Consulte sempre um médico! Até a próxima.

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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Coito Programado


Quando se pensa em engravidar, sabemos que namorar nos dias certos é a etapa básica para a conquista do positivo. Muitas mulheres já ouviram falar do coito programado quando se trata de agendar os dias certos para os treinos! Contudo, esse tratamento vai muito além de realizar os namoros nos dias certos. Mas afinal, se não é só namorar nos dias certos, como o que é e como funciona o coito programado?

Entenda o coito programado


Muitos são os tratamentos de fertilidade que podem facilitar a chegada do bebê. Dentre os tratamentos, costuma-se dividi-los em tratamentos de baixa, média ou alta complexidade. Nos casos mais simples é normal que se tente os tratamentos de baixa complexidade, como é o caso do coito programado. 

O coito programado consiste na realização da indução de ovulação por meio de medicamentos, com acompanhamento através de exame de ultrassom (controle de ovulação com ultrassom seriada). No decorrer do tratamento, são realizadas ultrassonografias, geralmente a cada dois ou três dias, para acompanhar o crescimento dos folículos. Quando os folículos alcançam o tamanho ideal, ou seja, o período ovulatório, o casal é orientado a ter relações sexuais com maior frequência. Deste modo, o tratamento permite prever em qual o dia do ciclo a mulher terá maior chance de engravidar.

Coito programado e indução de ovulação


Devemos deixar claro que fazer indução de ovulação não significa estar programando o dia dos namoros, pelo menos não exatamente. Isso por causa de que muitos médicos, apesar de passar indutores de ovulação, não se atentam em pedir a avaliação através da ultrassom seriada. Ou seja, se não foi programado exatamente o dia em que ocorrerá a ovulação, não se pode chamar de coito programado, mesmo que se tenha uma ideia de quando pode ocorrer a ovulação. De forma simples, o coito programado é feito com a indução de ovulação, mas infelizmente, nem toda indução é feita com o coito programado, isto é, com a programação dos dias certos de namoros. Outra questão é que nem sempre a indução é feita com intenção de programar o namoro, como é o caso da FIV (fertilização in vitro) em que necessita-se de um equipamento laboratorial sofisticado além de envolver protocolos mais complexos de estimulação ovariana.

Como é feito o tratamento?


O tratamento basicamente tem início no segundo ou terceiro dia do ciclo, quando a mulher ainda está menstruada. Neste momento, é realizado o primeiro ultrassom transvaginal. A paciente não deve ficar preocupada com o desconforto do sangue menstrual, pois os médicos estão acostumados a realizá-lo nessa fase. Esta fase inicial é importante, pois o exame diagnostica se o ovário tem algum cisto remanescente do ciclo menstrual anterior e se no interior do útero existem pólipos, miomas ou tecido endometrial em excesso, o que poderia alterar as taxas de sucesso.

Neste primeiro ultrassom, os ovários devem ter pequenos cistos que medem no máximo 6 mm, chamados de folículos primordiais. Dentro deles existem óvulos, que saem na época da ovulação. Dependendo do resultado deste primeiro exame, o controle ovulatório pode ser iniciado para se determinar o dia provável da ovulação.

Existem dois tipos de medicamentos de indução, os administrados por via oral, como o citrato de clomifeno, ou através de injeções subcutâneas, o caso das gonadotrofinas, que agem diretamente nos folículos do ovário, o local onde o óvulo se desenvolve. A dosagem do remédio é individual, e varia de acordo com fatores como idade, número de folículos ovarianos, peso e altura.

No decorrer do tratamento, o(s) folículo(s) e o endométrio devem crescer progressivamente, o que será verificado por meio de mais alguns exames de ultrassom, mais precisamente a cada dois ou três dias. Quando o(s) folículo(s) alcança(m) o tamanho adequado, é aplicada uma medicação chamada hCG, que promove a maturação final do óvulo e a sua saída do ovário (entre 36 e 40 horas depois). Após esta etapa, o óvulo liberado é capturado pelas tubas e, no interior delas, é fertilizado pelos espermatozoides originados de uma relação sexual normal. Dentro desse período o casal deve ter relações sexuais, e em 15 dias já é possível fazer o teste de gravidez para verificar se houve sucesso no método.


Indicação do tratamento com coito programado


As principais indicações do coito programado são:
  • pacientes jovens (abaixo de 37 anos);
  • pacientes com fator ovulatório como única causa de infertilidade;
  • virgens de tratamentos anteriores;
  • qualidade adequada do sêmen;
  • integridade anatômica do sistema reprodutor feminino.


Taxas de sucesso do tratamento


A porcentagem de sucesso do método gira em torno de 20 a 25% dos casos. Normalmente essa taxa diminui conforme a idade da mulher, principalmente após os 35 anos. Isso ocorre porque são usados os óvulos naturais da mulher, que como já existem nos ovários desde o nascimento dela, acabam envelhecendo, podendo gerar embriões inviáveis devido a alterações genéticas ou malformações.

Os especialistas indicam até três tentativas, que podem ser feitas consecutivamente sem prejuízos para a saúde da mulher. Se mesmo assim o casal não conseguir engravidar, os médicos costumam indicar outros métodos, que tem porcentagens maiores de sucesso, como, por exemplo, a inseminação artificial.

Riscos do tratamento


Há possibilidade de gravidez gemelar, embora para muitas pré-mães esse não seria exatamente um risco. 

Pode ocorrer também a chamada Síndrome da Hiperestimulação do Ovário (SHO), quando há aumento da produção de estradiol decorrente do desenvolvimento excessivo de folículos, causando inchaço e aumentando o risco de trombose, principalmente se a fecundação ocorrer. Porém o quadro é menos comum no Coito Programado, ocorre em cerca de 1% dos casos, já que os remédios são usados em doses menores do que na Fertilização in vitro, por exemplo.

Os medicamentos para indução de ovulação podem ser obtidos em farmácias sem receita médica. Porém, caso a mulher decida usá-los por contra própria, sem a avaliação de um especialista, estará exposta a diversas complicações, como desconfortos físicos devido à dosagem errada do medicamento e gestações múltiplas de até quádruplos ou quíntuplos.

É importante ter ciência que todo medicamento deve ser tomado com o conhecimento de seu médico, caso contrário poderá apresentar efeitos que serão prejudiciais a sua saúde. Converse com seu médico a respeito e peça indicação se o coito programado pode ser utilizado no seu caso. Caso não se sinta confortável com as indicações do seu médico, mude de médico! Contudo, é importante ter um profissional que confie e que irá ajudar para que o baby chegue o mais rápido possível. Até a próxima.



quarta-feira, 9 de março de 2016

Como engravidar de gêmeos



Sonhar com um lindo barrigão ostentando uma gravidez mais que desejada é o que muitas pré-mães fazem no dia a dia. Outras entretanto sonham com uma gravidez em dose dupla!! Engravidar naturalmente de gêmeos nem sempre é possível para aquelas que não tem histórico de gravidez gemelar na família mas que com a ajuda de algumas técnicas isso é possível. Veja aqui quais sãos!

Gravidez gemelar naturalmente




Há quem pense que basta existe casos de gêmeos na família (tanto do pai quanto da mãe) é suficiente para que suas chances de ter filhos gêmeos seja maior. Na verdade não é bem assim... Vamos entender como ocorre:

Caso haja histórico de gravidez gemelar por parte da família da mãe há mais chances de ovular mais ou ovular dos dois ovários ao mesmo tempo, o que aumenta a chance de conceber gêmeos fraternos (bivitelinos ou falsos gêmeos), ou ainda, maior probabilidade de que haja a alteração genética que faz com que a divisão celular seja duplicada gerando os gêmeos univitelinos (idênticos) embora esse seja um ponto controverso entre os estudiosos, não havendo confirmação se essa alteração partiria da mãe ou do pai ou mesmo se há mesmo alguma determinação genética para casos de gêmeos idênticos.

Indutores de Ovulação


          

Quando não se tem predisposição genética para desenvolver mais de um óvulo no ciclo menstrual ou ovular nos dois ovários, há uma forma de induzir que o corpo ovule mais e essa forma é utilizando os indutores de ovulação. Ele estimula que mais folículos sejam desenvolvidos e dessa forma há a liberação de mais de um óvulo no ciclo menstrual, havendo mais de um óvulo as chances de mais de um ser fecundado é maior. Os indutores mais conhecidos são os compostos de Citrato de Clomifeno como Clomid e Indux. Embora os indutores sejam uma ótima forma de aumentar as chances de gravidez devem ser utilizados com acompanhamento médico pois podem ocasionar efeitos colaterais como hiperestimulação ovariana.

Fertilização in vitro 



A fertilização in vitro é uma técnica que consiste na manipulação dos gametas em laboratório e após fecundação, introdução do embrião no organismo materno. Como é feita uma seleção dos embriões mais viáveis a implantação, as chances que mais de um se implante (geralmente são implantados 2 ou 3 embriões) são maiores, sendo essa técnica a mais utilizada por quem deseja ter filhos gêmeos. (Conheça mais da técnica aqui!)

Consumir laticínios 




Segundo alguns estudos mulheres que consomem todos os dias produtos lácteos como leite, queijo e iogurte, têm cinco vezes mais chances de engravidar de gêmeos naturalmente do que as mulheres que não seguem essa dieta. Apenas deve-se ter cuidado para não consumir demais e nem exagerar nas calorias, pois se você ganhar muito peso, suas chances de engravidar diminuirão.  

Comer mandioca, inhame e batata doce



Alguns afirmam que a mandioca contém substâncias naturais que ajudam na ovulação, assim como o inhame e a batata doce que contêm diosgenina, uma substância que estimula a produção de vários óvulos durante o período fértil da mulher. Inclusive encontra-se com facilidade a citação da tribo Yorubá, nativa da Nigéria, cuja base da alimentação é a mandioca e que tem bastante casos de gêmeos nascidos na tribo (a cada 11 nascidos, 2 são gêmeos). 

Também conhecida como macaxeira ou aipim, a mandioca pode ser adicionada sem dificuldade à dieta pois o alimento é facilmente encontrado em supermercados e feiras brasileiras. Da mesma forma, o inhame e a batata doce também podem ser encontrados com facilidade.


Não tema a idade



Estudos afirmam que com o passar do tempo as chances de gravidez gemelar aumentam. Segundo alguns desses estudos, mulheres com mais de 35 anos possuem níveis mais elevados de um hormônio folículo-estimulante (FSH) que favorece a liberação de mais de um óvulo no mesmo ciclo menstrual. Dessa forma, é importante cuidar da saúde já que alguns médicos tem mais receio de gravidez em idade mais avançada. Estando com boa saúde e com bom acompanhamento, a gravidez pode se desenvolver muito bem mesmo não sendo mais tão jovem.

Outros fatores que contribuem para gravidez gemelar


Peso - mulheres obesas, com índice de massa corporal acima de 30, são mais propensas a conceber gêmeos do que mulheres com IMC normal.

Altura - mulheres mais altas que a média têm um risco aumentado de conceber gêmeos. Um estudo descobriu que mulheres com média de 164,8 centímetros de altura tinham maior probabilidade de conceber gêmeos do que as mulheres com média de 161,8 centímetros.

Número de filhos - gêmeos são mais comuns em mulheres que já engravidaram mais vezes e têm famílias grandes.

Raça - mulheres negras são mais propensas a conceber gêmeos do que as mulheres brancas. As asiáticas são as menos propensas a conceber gêmeos.


Amamentação - mulheres que engravidam durante a amamentação são mais propensas a conceber gêmeos.

Claro que não há garantias de conseguir uma gravidez gemelar, mas toda ajuda é bem vinda! Lembre-se apenas que da mesma forma que a felicidade é duplicada, os cuidados também, então se conseguir realizar seu sonho de engravidar de gêmeos, o pré-natal é primordial em qualquer gravidez. Até a próxima.


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sexta-feira, 4 de março de 2016

Fertilização in vitro - FIV


Nem sempre o caminho até a maternidade é fácil, para grande parte das tentantes, é um caminho muito muito difícil. Por vezes o tempo é o maior obstáculo a ter que superar. Quando os primeiros tratamentos para engravidar (indução de ovulação, coito programado ou outros) não funcionam ou quando o tempo é um fator que não pode ser ignorado, a solução está em fazer uma fertilização in vitro (FIV). Entenda um pouco mais sobre essa opção para a conquista do positivo.

No que consiste a FIV?


A FIV é uma técnica de fertilização que consiste na manipulação dos gametas em laboratório e após fecundação, introdução do embrião no organismo materno. Isso significa que os óvulos previamente induzidos à ovulação são captados e em laboratório são fecundados com os peixinhos (espermatozoides) do pré-pai, daí o termo "in vitro" (no caso no vidrinho do laboratório). Depois é feita uma seleção dos embriões que são mais viáveis (os que tem maiores chances de implantar) e são colocados na cavidade uterina para a nidação (implantação no útero).

Quais são as etapas da FIV?


Indução da ovulação - Num ciclo menstrual normal há apenas um óvulo que cresce o suficiente para ser liberado para a fecundação. No caso da FIV, por razões obvias, é necessário que haja um número maior de óvulos para serem fecundados a fim de que as chances de sucesso sejam maiores. Nesse caso então é feito a estimulação dos ovários (indução) onde é administrado o hormônio FSH para crescimento dos folículos do ovário, para que mais óvulos sejam desenvolvidos e aptos à fecundação. Normalmente esse estímulo é feito através de injeções, por cerca de 9 a 12 dias, que aumentam a quantidade dos folículos e também melhora sua qualidade. 



Monitoramento do crescimento dos folículos - Com a utilização de ultrassonografias transvaginais é possível acompanhar o crescimento dos folículos e assim prevenir os efeitos colaterais da medicação (Hiperestimulação Ovariana por exemplo) e saber qual o melhor momento para a coleta dos óvulos. Com cerca de 18 a 20 mm os óvulos são considerados maduros para a coleta e então é feita a administração de hCG (Gonadotrofina Coriônica Humana) que irá desempenhar o papel do LH (hormônio responsável por indicar a maturação do óvulo) indicando assim ao organismo que libere os óvulos. 


Coleta dos óvulos - A maturação dos óvulos marca a hora da coleta dos mesmos para a fertilização. A paciente então é colocada sob sedação endovenosa ou anestesia local, com auxílio de uma ultrassom de alta frequência, uma sonda ecográfica acoplada à uma agulha especial para punção é introduzida na vagina e são recolhidos os folículos ovarianos, que ocorre geralmente entre 32 a 36 horas após a injeção do hCG. Múltiplos óvulos podem ser coletados em cerca de 30 minutos. Posteriormente, os óvulos são colocados em um líquido nutritivo (meio de cultura) e mantidos em estufa até o momento adequado para realizar a fertilização in vitro

Classificação dos óvulosCom o auxílio de um estereomicroscópio sob fluxo laminar (espécie de capela onde flui ar estéril de dentro para fora, evitando a contaminação do material), o conteúdo líquido destes folículos obtidos no centro cirúrgico, é transferido para uma placa de meio de cultura (meio que imita ao máximo o ambiente das tubas) e examinado à procura do óvulo. Uma vez identificado, o óvulo é transferido para outra placa contendo apenas meio de cultura, onde será classificado. Os óvulos são classificados como imaturos ou em prófase, metáfase I e metáfase II ou maduros. Apenas os óvulos na fase metáfase II apresentam estado de maturação suficiente para ser fertilizado.







Coleta dos espermatozoides - Esse é o momento da participação do futuro papai (ou do doador de esperma se for o caso). Enquanto os óvulos estão sendo classificados é feita a coleta dos peixinhos de forma manual (desculpe o trocadilho rs) através de masturbação. Após a coleta da amostra de sêmen os espermatozoides serão preparados através da lavagem com meio de cultura de células e centrifugação, onde ocorre a separação do plasma seminal, cujo resultado é um preparo de espermatozoides com maior motilidade e capacidade para fertilização. É durante esta etapa que é removida substâncias químicas e bactérias que podem causar reações adversas ou contrações uterinas, sendo então uma etapa muito importante para o sucesso da fertilização. 

Fertilização - Durante esta etapa os espermatozoides e os óvulos são mantidos juntos em um ambiente que imita as condições da trompa uterina. 

Numa incubadora à 37ºC com 5% de CO2 são mantidos por cerca de 12 a 18 horas até que possam ser observar sinais de fertilização, que nada mais é do que a presença dos 2 pró-núcleos, conforme imagem abaixo:

Fertilização normal

   2 Pro-núcleos 
Fertilização Anormal

1 Pro-núcleo
Fertilização Anormal

3 Pro-núcleo 

Classificação pré-transferência - Antes da transferência embrionária, os pré-embriões em fase de clivagem (3 dias após a fertilização) ou em estágio de blastocisto (6 dias após a fertilização) são classificados morfologicamente, levando em consideração a velocidade de divisão celular, o número de blastômeros, a simetria e a forma dos blastômeros, a presença ou ausência de fragmentação.

Antes de se transferir os embriões para o útero, é recomendado fazer o Diagnóstico pré-implantação (PGD) para casais que apresentam um risco de transmitir doenças genéticas para seus futuros filhos.

Transferência - Com certeza essa é a etapa mais esperada pela futura mamãe, pois é ela que representa a realização do sonho de forma concreta. A pré-mãe fica em posição ginecológica, em área física próxima ao laboratório onde se encontram os embriões. Os embriões são transferidos para o útero através de cateter especial com monitoramento ultrassonográfica trans abdominal para correto posicionamento do cateter. Após a transferência a paciente fica em repouso por cerca de uma hora onde foi feito a transferência e depois assumir um repouso relativo por 2 dias, evitando realizar exercícios físicos, carregar pesos, subir ou descer escadas ou manter relações sexuais. O uso dos medicamentos receitados para suporte da gravidez deve continuar até segunda orientação. A verificação da gravidez pode ser feita dentre 9 a 15 dias após a transferência dos pré-embriões, dosando-se a concentração de hCG no sangue ou mesmo com teste de urina.


Atualização da FIV


Na Fertilização in vitro tradicional para a formação do embrião, os espermatozoides são colocados juntos com o(s) óvulo(s) e então esperassem que ocorra a fecundação naturalmente. Contudo, novas formas de aprimorar a técnica foram criadas, uma delas é a ICSI – sigla em inglês para Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides, é a introdução de um espermatozoide no óvulo usando-se um microscópio especial com sistema específico, o micromanipulador, no qual pode-se segurar o óvulo com uma agulha bem fina e com outra introduzir o espermatozoide. A vantagem desta técnica é que se
obtém uma taxa de fertilização bastante superior à Fertilização in vitro Convencional, sendo necessário somente um espermatozoide para cada óvulo.

Outro avanço ocorreu também com a ICSI, onde é feito uma avaliação morfológica do espermatozoide muito superior à ICSI Convencional, que recebeu o nome de ICSI Magnificada ou SUPER ICSI, no qual, com um aumento superior a 6.300 vezes, possibilita a escolha de melhores espermatozoides, resultando em maiores taxas de gravidez.

Quais complicações podem ocorrer com a FIV?



A Síndrome da Hiperestimulação Ovariana (SHO) é uma complicação decorrente do estímulo ovariano com indutores de ovulação, podendo levar a quadros graves e, em casos extremos, até à morte. Geralmente é decorrente de uma resposta exacerbada dos ovários ao estímulo hormonal e resulta em um número grande de oócitos. 



Os sintomas são:

  • Dor abdominal leve 
  • Inchaço 
  • Náuseas 
  • Vômitos 
  • Diarreia

Apesar de muitos médicos mencionarem a ocorrência de gestação múltipla como uma complicação potencial da FIV, confesso que não seria problema para alguém tão louca para ser mãe como eu. 




O risco de gestações múltiplas ocorre em casos em que mais de um embrião é transferido para o útero. Gestações múltiplas apresentam um risco maior de parto prematuro e baixo peso ao nascer quando comparadas com gestações únicas.

A FIV pode falhar?


Infelizmente muitos são os fatores que podem causar o insucesso da fertilização in vitro, dentre eles:

Alterações do embrião - A principal razão de um embrião não implantar é o fato de que grande parte dos embriões estão alterados (genética ou morfologicamente).

Alterações do sêmen - Fatores como fragmentação do DNA do espermatozoide, alterações importantes da motilidade, morfologia, alterações cromossômicas são algumas das causas de falha na FIV.

Alterações do óvulo - A qualidade dos óvulos é um dos principais fatores de sucesso da FIV. Os protocolos de indução de ovulação e as drogas utilizadas podem ter influência direta no número e na qualidade dos óvulos e embriões.

Alterações anatômicas do útero  - Alterações anatômicas do útero também podem prejudicar o embrião a se implantar, e o tratamento destas lesões pode melhorar a chance de sucesso. O diagnóstico pode ser sugerido por ultrassom transvaginal e histerossalpingografia, mas a confirmação diagnóstica se faz por vídeo-histeroscopia. Muitos serviços realizam de rotina a histeroscopia antes da FIV. Se não foi realizada, vale a pena ser indicada após uma falha. As alterações que podem estar associadas a falha de FIV são: septo uterino, pólipos, sinéquias uterinas e miomas submucosos. A exérese destas lesões pode aumentar a chance de implantação.


Alterações funcionais do endométrio - Muitas vezes, mesmo sem uma lesão anatômica na cavidade endometrial, pode haver alguma alteração da receptividade endometrial, estando envolvidos múltiplos fatores: hormonais, imunológicos e vasculares. 

Problemas na transferência - A dificuldade na transferência dos embriões muitas vezes causa traumas no endométrio e atrapalha a implantação do embrião, principalmente quando este ato for acompanhado de dor. Caso haja dificuldade na passagem do cateter de transferência, a vídeo-histeroscopia com a dilatação do colo ou simplesmente a dilatação do colo uterino isolada beneficia a próxima tentativa. Uma opção ainda é realizar a transferência com sedação. 


Alterações Imunológicas - Os problemas imunológicos têm sido responsabilizados por alguns casos de insucesso na fertilização in vitro e por abortos de repetição, dentre eles estão: Cross-match (abortos muito precoces durante a fase de implantação) ou mesmo Autoimunidade. 


Trombofilia - São doenças que provocam alterações de coagulação do sangue e, quando existem, aumentam a chance de formar coágulos sanguíneos e causar tromboses mínimas nos vasos placentários, capazes de provocar abortos. Alguns autores associam ainda com falhas de implantação, apesar de isso ser um assunto controverso.



Endometriose - quando a FIV é indicada, é questionável se deve-se submeter a paciente a uma cirurgia, havendo uma tendência a indicá-la somente em casos sintomáticos (para melhora da qualidade de vida) e/ou de endometriomas volumosos que possam atrapalhar a captação oocitária. Frente a falhas da FIV, uma opção é tratar a endometriose antes de uma nova tentativa, uma vez que a doença interfere na receptividade endometrial pela ação de citocinas como LIF (Leukemia Innibitory Factor), que atrapalham a implantação do embrião.



A verdade é que mesmo havendo chances de falhas, o mais importante é não desistir jamais de um sonho tão lindo quanto a gravidez. A FIV apresenta uma probabilidade de gravidez que variam entre 20 e 35% em mulheres de até 35 anos. A partir dos 40 anos, quando os óvulos já perderam parte da vitalidade, a taxa de gravidez cai para 15%. Contudo, não se deve ater-se ao cálculo matemático se ser mãe é seu maior sonho, procure um bom médico e lute sempre pelo seu positivo. Até a próxima.



Fontes pesquisadas: site do Centro de Reprodução Humana do IPGO, ghente.org e outras fontes da internet.