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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Motivos para esperar o trabalho de parto


"Esse bebê não nasce nunca?!"
"Ainda na barriga?!" 
"Não nasceu ainda?!"

Essas perguntas são muito comum na reta final da gestação. Muitas gestantes passam então a ficar aflita por estar com 39 semanas e ainda não terem entrado em trabalho de parto. Soma-se a isso os médicos que amam agendar a cesariana e tem-se então uma chuva de bebês nascidos antes de completar as 40 semanas de gestação. Mas o fato é que se tudo estiver correndo bem na gravidez, essas últimas semanas, são super importantes para os bebês! É importante respeitar o tempo do bebê, e aguardar o sinal dele de que está totalmente formado e pronto para nascer.



A importância de esperar o trabalho de parto


Quando a mulher entra em trabalho de parto, o bebê passa por uma preparação para nascer que começa com as contrações uterinas. Elas funcionam como um alerta para a criança, que passa a liberar substâncias para o amadurecimento final do próprio organismo, como o hormônio corticoide, que age no pulmão – se você estiver em trabalho de parto e for preciso uma cesárea de emergência, a criança já vai estar com o organismo mais pronto. Além disso, o seu corpo também estará mais preparado para amamentar graças a hormônios liberados no trabalho de parto. A ocitocina, também conhecido como "hormônio do amor" ajuda não apenas na conexão entre a mãe e o bebê, como também ajuda na amamentação (Saiba mais sobre a Ocitocina). A segunda etapa ocorre no parto. Quando o bebê passa pelo canal vaginal, os pulmões dele sofrem uma compressão que ajuda a eliminar líquidos e fluídos que possam causar algum desconforto respiratório posterior. É por tudo isso que não vale a pena agendar uma cesárea.


Razões para dar 40 semanas de gestação para o seu bebê! 


#1 Bebês nascidos com 40 semanas, são mais capazes de sugar e engolir, graças aos músculos da face mais desenvolvidos. 

#2 Essa habilidade de sugar e engolir melhor, torna a amamentação muito mais possível! 

#3 Bebês nascidos com 40 semanas são mais capazes de controlar a temperatura corporal, isso por conta da gordura extra que eles possuem.

#4 Num geral, quanto mais tempo o bebê fica na barriga, menos tempo ele fica no hospital. 

#5 O desenvolvimento do cérebro acelera nas últimas 5 semanas de gestação. 

#6 Os bebês ganham mais peso nas últimas semanas de gravidez, esse peso extra, prepara eles para o nascimento e o primeiros dias de vida.

#7 Bebês prematuros têm mais chances de terem icterícia, pois o fígado dos prematuros pode não estar totalmente formado. 

#8 Bebês prematuros têm mais chances de terem problemas respiratórios, pois o pulmão do prematuro pode não estar totalmente formado. 

#9 Bebês prematuros têm maiores chances de hemorragias cerebrais. 

#10 Bebês prematuros têm mais chances de terem convulsões nos primeiros dias de vida e mais chances de desenvolverem epilepsia. 

#11 Bebês prematuros têm mais chances de terem problemas de audição, pois seus aparelhos auditivos podem não estar totalmente desenvolvido no nascimento. 

#12 Nos últimos meses de gestação os bebês fazem um estoque de glicogênio para regular o açúcar no sangue. Bebês prematuros podem não ter o tempo suficiente de estocar o glicogênio, e por isso eles têm mais chances de terem problemas com baixa glicemia. 

#13 Bebês nascidos com 40 semanas têm melhores resultados, do que bebês nascidos com 38 semanas nos exames de protocolo realizados em recém-nascidos.

#14 Bebês nascidos com menos de 37 semanas têm mais chances de terem problemas comportamentais. 

#15 Bebês prematuros não são capazes de ficarem acordados o tempo necessário para uma mamada completa. 

#16 Bebês nascidos antes de 38 semanas têm mais chances de serem readmitidos no hospital. 

#17 O cérebro de um bebê de 35 semanas pesa apenas 2/3 do cérebro de um bebê com 39, 40 semanas. 

#18 Mais de 25% dos bebês que nascem de cesáreas eletivas entre 37 e 39 semanas precisam ser admitidos em Unidades Intensivas neonatal. Comparado a 1 em cada 20 bebês que nascem depois de 39 semanas. 


#19 Os números de mortalidade infantil são 4 vezes maior para bebês nascidos entre 34 e 36 semanas. 

Razões para a mãe esperar 40 semanas: 


#20 Você está prestes a deixar de ser o centro das atenções, então segure a ansiedade e aproveite para ser a número 1 por um pouquinho mais de tempo! 

#21 Aproveite esse tempinho extra para curtir uma babymoon (viagem antes do nascimento) com seu marido. 

#22 Lembre-se que você  já está se relacionando com seu bebê mesmo com ele na barriga, então aproveite para curtir ele na barriga, enquanto ele não regorgita na sua blusa e chora noite e dia no seu colo. 

#23 Você pode não acreditar agora, mas você ainda vai sentir muita falta dessa barriga, dos chutinhos, dos soluços, de saber que seu bebê está dentro de você. 

#24 Aproveite esse tempinho extra para curtir seu marido, vocês não terão muito tempo sozinhos nos primeiros meses após o nascimento do seu bebê. Aproveite para ir ao cinema, jantar fora. 

#25 Aproveite este tempinho extra para deixar tudo pronto para o bebê! 

#26 Esperar para entrar em trabalho de parto naturalmente, geralmente faz com que você consiga seguir seus planos do plano de parto. 

#27 Aproveite para dormir!!!!! Você não imagina como vai sentir saudade do tempo em que podia deitar e dormir. 

#28 Você não imagina quantas trocas de fralda pode deixar de fazer nessas semanas extras com seu bebê na barriga. 

Razões para esperar 40 semanas para ter um parto mais tranquilo: 


#29 Aguardar o trabalho de parto natural, significa não induzir o parto. Induzir o parto aumenta os riscos para o bebê e as chances de hemorragia pós-parto. 

#30 Induzir o parto aumenta os riscos de você precisar de uma cesárea. 

#31 A cesárea é uma cirurgia de grande porte, que oferece riscos e com uma recuperação difícil. 

#32 Aguardando o trabalho de parto natural, você diminui muito os riscos do parto e de intervenções. 

#33 Induzir o parto pode fazer com que seu parto seja mais longo. 

#34 Especialistas acreditam que o parto induzido é mais doloroso, isso porque a ocitocina artificial provoca contrações fortíssimas. 

#35 Tanto o parto induzido, quanto a cesárea aumentam os riscos de infecção.

Coisas para se lembrar: 


#36 Como muitas vezes a contagem das semanas não é exata, por ser baseada no ciclo menstrual, que não é exato. Muitas vezes o que você pensa que é 38 semanas, pode ser 36 na verdade. 

#37 Dê esse tempo extra para o seu bebê amadurecer, confie nele, ele saberá quando estará pronto para o mundo do lado de fora da barriga.

#38 Bebês não são muito convenientes, eles querem mamar o tempo todo, regorgitam assim que você colocou uma roupa limpa neles, e fazem cocô assim que você sair de casa. Aproveite a conveniência de ter o seu bebê dentro da sua barriga! 

#39 Devagar e forte é que se vence a corrida! 

#40 Se existe algo na vida que vale a pena esperar, é por isso! Você se alimentou bem, não bebeu álcool, você evitou medicamentos nesses meses todos e tudo pela saúde do seu bebê. E se existe algo super importante para a saúde do seu bebê, é isso, esperar o tempo certo dele chegar, para que ele possa começar a vida bem, forte, saudável e pronto!  

O parto consciente


Ninguém quer aqui dizer que a cesárea não deve ser feita ou que apenas o parto natural ou normal é bom. Na verdade, quando realizado de forma consciente, todos eles podem ser muito bem aproveitados (Leia mais sobre os diferentes tipos de partos). Não adianta querer ter um parto normal se a criança já apresenta sofrimento fetal. claro que seria maravilhoso que o parto fosse sempre o mais natural possível, mas felizmente, a cesárea veio para ajudar nos momentos em que tudo não saiu como o esperado. Cesárea bem indicada salva vidas e deve ser um recurso utilizado quando necessário! Cesárea Humanizada existe, conheça mais a respeito neste post!

É fundamental que a mulher entenda tudo o que está se passando com ela, os prós e contras de escolher o tipo de parto que deseja e acima de tudo, optar por garantir sempre a saúde e segurança não apenas dela mas também do bebê. Muitas mulheres escolhem cesárea por não entenderem os motivos reais ou ainda por acreditarem estar fazendo o melhor para si e para o bebê, quando na verdade apenas estão sendo conduzidas para essa decisão pelo bem estar do médico.

A gestante que deseja o parto normal ou ao menos deseja esperar o trabalho de parto, deve conversar com seu médico a esse respeito e caso não se sinta segura dos motivos apresentados para ter que agendar uma cesariana, o melhor é procurar uma segunda opção ou mesmo trocar de médico. 


E o que fazer com a ansiedade?


Vamos cuidar dela. Ansiedade maternal não é motivo para adiantar o parto. Imagine que  parto não é um fim, é apenas o começo de uma vida nova e bastante cansativa. Porque tanta pressa de chegar lá? O bebê virá no tempo dele. Curta o silêncio, durma à tarde, ponha músicas legais para o seu bebê ouvir. Vá ao cinema, leia todos os livros que você sempre quis e nunca teve tempo, caminhe no parque, saia para jantar, namore  seu companheiro, encontre suas amigas ou  visite as que já tem filhos pequenos. Cuide de você,  conecte-se  com a sua essência, sua família, seus desejos, sua missão. Uma parte importante dela está prestes a começar. Até a próxima!







quinta-feira, 1 de junho de 2017

Cesárea Humanizada


Muito se fala hoje na humanização do parto, onde a mãe e o bebê devem ser tratados como protagonistas do parto, respeitando sempre o que for melhor para os dois. Nem sempre é possível seguir o plano com um parto normal. Algumas complicações pedem que medidas urgentes sejam adotadas para garantir a segurança da mãe e do bebê. Mas, o que muitos desconhecem, é que mesmo uma cesárea pode ser feita de forma menos traumática para a mãe e o bebê. Estamos falando da Cesárea Humanizada.


O que é Cesárea Humanizada?


A cesárea é uma cirurgia de grande porte que deve ser feita apenas em casos específicos em que o bebê e/ou a mãe correm risco de saúde. No caso da cesárea humanizada há uma preocupação em que seja feito todo o possível para que o parto seja tranquilo. Para ser considerada uma cesárea humanizada alguns requisitos devem ser observados:


Necessidade cirúrgica - A cesárea só é considerada humanizada em caso de real necessidade. Algumas mulheres preferem agendar a cesariana mesmo que sua saúde ou a do bebê não tenha nada que indique essa necessidade. São as chamadas cirurgias eletivas, e nesse caso não é considerada como cesárea humanizada pois essa preconiza que não tendo problemas médicos que indiquem a cirurgia, a mesma não deve ser realizada.  


Diferença entre a cesárea convencional e a humanizada


Trabalho de parto iniciado - Outro fator que é levado em conta é com relação ao trabalho de parto iniciado. Salvo em caso de urgência médica, é importante esperar que a mulher entre em trabalho de parto. Quando a mulher entra em trabalho de parto, a criança costuma estar pronta para vir ao mundo. 




Também é importante que sempre que der, a mãe e o bebê fiquem juntos após o parto e que ela tente amamentar o bebê já nesses primeiros momentos. Entenda a importância da amamentação neste post


Participação familiar - A cesárea humanizada defende a participação do pai ou de um familiar ou acompanhante escolhido pela mãe no centro cirúrgico. Garantir um ambiente tranquilo e seguro é importante para que a gestante se sinta amparada. Também é possível reduzir a iluminação já que a mesma no campo operatório é total, o que não acontece é a luz ao redor da mesa. Existe a possibilidade de se diminuir a luminosidade da sala, mas o campo cirúrgico (mesa cirúrgica) tem que ser iluminado. Para deixar o ambiente mais confortável ao bebê e à mãe, o ar condicionado também deve ser reduzido.

Participação materna - A mãe é mais valorizada, tendo uma participação maior no parto. O médico informa sobre tudo o que está acontecendo e caso deseje, o campo cirúrgico (pano colocado elevado para que a mãe não veja os procedimentos cirúrgicos) pode ser abaixado para que a mãe veja o bebê nascendo. Alguns médicos permitem que a mãe leve um CD com músicas calmas para serem tocadas durante o parto.

Corte menor - O corte para o parto é feito com o mesmo diâmetro de dilatação de um parto normal. O bebê é retirado com calma (é importante que o bebê finalize quase sozinho a saída) e o cordão umbilical não é cortado imediatamente, os médicos esperam ele parar de pulsar. De acordo com evidências científicas cortar o cordão umbilical enquanto ele pulsa aumenta a incidência de anemia na infância. Após isso, o bebê vai diretamente para o colo da mãe.


Como garantir uma cesárea humanizada?


A única forma de garantir um parto humanizado, ainda que tenha necessidade de fazer uma cesariana, é escolhendo uma equipe humanizada e também através do plano de parto. Fazer um plano de parto e colocar no papel suas preferências ajuda muito também na hora de reivindicar seus direitos se o médico ou a instituição não fizer o que estava combinado. No plano de parto que visa uma cesárea humanizada, a mulher pode optar, por exemplo, por entrar em trabalho de parto antes de fazer a cesárea (normalmente, essas cirurgias já são agendadas) e também amamentar assim que o bebê nascer. As preferências da paciente são respeitadas e o bebê nasce em segurança. Aprenda aqui como fazer um plano de parto.

Veja um vídeo de cesárea humanizada





O parto é um momento único na vida de uma mãe e nada mais justo que este momento seja lindo, ainda que tenha que haver intervenção médica para garantir a saúde do bebê e da mãe. A maior ferramenta que a gestante tem é o conhecimento. Converse com seu médico e indique desde cedo seu desejo de um parto tranquilo e que mesmo que haja necessidade de cesariana, não precisa deixar de ser um momento de alegria e que será lembrado de forma positiva. Até a próxima!

Leia também:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Ocitocina e sua importância


Conhecida por trazer bem-estar, prazer e equilíbrio emocional além de outros benefícios para o corpo, a Ocitocina é um hormônio muito importante no momento do parto. Entenda melhor sobre esse hormônio e saiba como estimular sua produção naturalmente.

O que é Ocitocina?



A ocitocina ou oxitocina é um hormônio presente no organismo, tanto do homem como da mulher, popularmente conhecido como o hormônio do amor. Esse hormônio é liberado no nosso corpo nos momentos de prazer como num beijo, ao comer uma barrinha de chocolate ou quando somos acariciados. Também pode ser encontrada em forma de medicamento, sendo muito utilizada para induzir partos.

A ocitocina apresenta dois sítios de origem: um ovariano e outro hipotalâmico sendo assim responsável por desempenhar um importante papel no processo reprodutivo no sexo, parto e aleitamento. 

Ocitocina no sexo



A ocitocina é o hormônio que faz com que um indivíduo se sinta atraído por outro específico, que o deseje, que sinta vontade de ficar com ele, de estar próximo. Também é o hormônio da fidelidade, responsável pela capacidade de manutenção de um parceiro fixo.

A ocitocina é liberada durante o orgasmo, tanto feminino quanto masculino. Na mulher promove contrações uterinas e no homem contração dos ductos seminíferos e ejeção do sêmen. Dessa forma facilitam o transporte do esperma para o oviduto durante o período fértil. (Entenda Como Ocorre a fecundação)

Ocitocina no parto



O parto é o momento em que ocorre a maior liberação de ocitocina corporal, sendo o hormônio responsável pelo parto em mamíferos. 
Na parturiente ela promove as contrações uterinas, que provocam a dilatação do colo uterino e a descida do bebê no canal da pelve feminina.

Ocitocina no aleitamento



O papel da ocitocina é essencial na liberação de leite pelas glândulas mamárias. Quando o bebê está mamando, estimula a liberação de mais hormônios a partir do movimento de sucção. Eles fazem com o que o leite saia com mais facilidade, além de aumentar o vínculo afetivo entre mãe e filho. 

Também causa profunda sensação de prazer e relaxamento materno, pois a ocitocina age nas células cerebrais do sistema límbico – relacionado às emoções. É por isto que as mamíferas se entregam aos bebês de uma maneira tão instintiva durante o período de lactação.



Algumas mães podem precisar fazer uso do spray hormonal, que os médicos recomendam tomar cinco minutos antes de cada mamada ou de retirar leite. No entanto, esse tipo de reposição é indicado apenas quando há dificuldade na amamentação, ou então para mães adotivas.

Ocitocina sintética



Com o avanço tecnológico foi possível fabricar em laboratórios a Ocitocina Sintética. Com ela foi possível ajudar mulheres com problemas no trabalho de parto, já que ela acelera as contrações e a dilatação. A ocitocina também é usada logo após o parto para controlar uma possível hemorragia interna.

Então a ocitocina sintética é uma maravilha para ser usada no parto, não é? Não!

Problemas com o uso da ocitocina sintética


O uso de ocitocina sintética, feita de forma indiscriminada por muitos obstetras pode ser arriscado. Se, por um lado, o uso do hormônio artificial é capaz de corrigir partos disfuncionais, por outro, pode causar disfunção em partos fisiológicos que evoluiriam perfeitamente com o hormônio natural.

Infelizmente, o que antes era utilizado apenas em casos em que a mulher necessitava entrar em trabalho de parto mas evitava-se partir para a cesariana, induzindo um parto de maneira similar ao trabalho de parto espontâneo, passou a ser utilizado para acelerar partos que estavam progredindo normalmente. O uso indiscriminado da ocitocina artificial, com o objetivo de acelerar partos fisiológicos, promoveu aumento nas taxas de complicações e cirurgias intra-parto. Isto porque a ocitocina aumenta a intensidade e potência das contrações uterinas, aumentando o risco de alterações na frequência cardíaca fetal e no aporte de oxigênio para o feto, durante o trabalho de parto.



Quando se utiliza o hormônio artificial, o corpo deixa de liberar o hormônio de forma natural, com isso as demais ocorrências que seriam desencadeadas pelo hormônio deixam de ocorrer aumentando riscos de hemorragia pós parto, pois como sua produção corporal de ocitocina não foi a responsável pelo parto, seu corpo também não produzirá a quantidade necessária de ocitocina para contração do útero após a saída da placenta, o que causa sangramento aumentado. 

Simplificando, o corpo diminui a produção do hormônio pois ele "já tem", não precisa produzir mais... Além de que a ocitocina natural faz com que outros hormônios essenciais para o momento do parto sejam liberados como endorfina e adrenalina, muito importantes para o trabalho de parto. 

É comum problemas no processo de aleitamento materno e o aumento dos índices de depressão pós-parto nas sociedades industrializadas com uso indiscriminado de ocitocina artificial para acelerar o trabalho de parto.


Estimular a produção da ocitocina


A grande resposta aos problemas causados pelo uso excessivo da ocitocina sintética é o estímulo natural. Como fazer isso? Não é complicado. Na verdade a produção da ocitocina é facilmente conseguida com adoção de algumas medidas simples:

Ambiente privado: o momento do parto é muito intenso para a gestante. Passam-se muitas dúvidas, medos e ansiedades. Imagina passar por isso e ainda ter que lidar com pessoas andando para lá e pra cá e ainda por cima tendo acesso a sua intimidade sem qualquer escolha que se possa fazer? Impossível relaxar num ambiente assim, dessa forma a ocitocina tem sua liberação dificultada. A simples garantia de privacidade e pouca interferência, aumentam a intensidade das contrações uterinas, sugerindo aumento da ação do hormônio nas fibras musculares do útero.

A mesma regra vale para a iluminação ambiente, odores fortes e outros estímulos que fazem com que o neocórtex – porção do cérebro responsável pelo raciocínio complexo dos humanos – diminuam a velocidade de progressão do trabalho de parto, provavelmente por interferir na produção e/ou liberação de ocitocina.

Respeito a parturiente: nada causa mais temor do que não saber o que estão fazendo conosco no momento do parto. Toda ação deve ser explicada e, se possível, ser respeitado o desejo da mãe. Muitos são os procedimentos que são feitos sem que a mãe não saiba de nada e nem ao menos o motivo por que estão sendo feitos. Ao invés de relaxar, a mãe passará a ficar cada vez mais tensa com qualquer pessoa que entrar no quarto, diminuindo assim as chances de progresso do trabalho de parto. 

Alívio do estresse: a adoção de atividades relaxantes seja nos dias que antecedem o parto como no próprio trabalho de parto, ajudam na liberação da ocitocina. Atividades como acupuntura ou massagens são causam grande alívio nas gestantes, por consequência, mais chances de entrarem em trabalho de parto de forma natural. O sexo também é relaxante, e ainda ajuda com a produção de prostaglandina, que ajuda no amadurecimento do colo do útero e o incentiva a se abrir. Pode-se também estimular o mamilos que ajudam nas contrações uterinas, bastando fazer movimentos semelhantes ao de sucção diariamente, massageando a área por cerca de cinco minutos. Banhos quentes além de relaxantes podem estimular a produção de ocitocina, promovendo bem estar para mãe, também é uma ótima forma de seguir com o trabalho de parto.

Como vemos, a ocitocina é um hormônio chave para a mulher que deseja ser mãe. E é claro que não somos contra o uso do alívio artificial, quando necessário, mas se pode ser estimulado naturalmente, qual o motivo para não fazê-lo? Quanto mais soubermos sobre o assunto, melhor. É importante não ter pressa no que se trata do trabalho de parto e também preferir a utilização de ações que promovam ao próprio corpo condições ideais para que tudo ocorra da melhor maneira. Somos capazes de produzi-la em nossos cérebros e em nossos laboratórios. O grande desafio é não atrapalhar nossos cérebros e nossos corpos com o uso exagerado da nossa tecnologia laboratorial, respeitando a beleza da fisiologia reprodutiva de nossa espécie, que funciona perfeitamente na grande maioria das vezes. Até a próxima!

Fonte:

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Exame de Toque: o que é e serve para quê?


Costuma ser um assunto que gera muitas discussões. Muitas mulheres são extremamente contra e outras totalmente favoráveis. Imagino que o melhor é o meio termo. Quando se trata de gravidez é sempre bom contar com várias formas de garantir que o bebê e a gestação transcorra sem problemas e o Exame de Toque, se usado com sabedoria, é uma dessas formas.

O que é Exame de Toque?


É o exame feito na gestante para avaliar a dilatação e espessura do colo do útero, descida e posição da cabeça do feto e rompimento da bolsa, assim sendo, normalmente é feito durante o trabalho de parto. Contudo alguns médicos utilizam como rotina durante o pré-natal.

Como é feito o exame?


O exame é realizado com a grávida deitada na posição ginecológica, com as pernas afastadas e elevadas. O médico, utilizando uma luva, irá introduzir dois dedos para alcançar o colo do útero.




Para que serve?


O exame de toque na gravidez serve para o médico ginecologista avaliar a evolução da gravidez ou do trabalho de parto, avaliando o tempo que ainda deve durar o trabalho de parto, no caso do parto normal, baseado na dilatação do colo uterino.

O toque então serve para avaliar aspectos como:


  • Posição do colo uterino: posterior, anterior ou intermédio;
  • Extinção (ou apagamento) do colo uterino: formado, isto é sem apagamento, 50% apagado, 80% apagado e apagado;
  • Dilatação do colo uterino: até dez centímetros;
  • Consistência do colo uterino: duro ou mole;
  • Descida e rotação da cabeça do bebê.
  • À medida que a gravidez se aproxima do fim, o colo vai progressivamente, orientando-se de posterior para anterior, encurtando, dilatando e perdendo consistência.


O que o toque não pode determinar:

  • A compatibilidade feto-pélvica (proporção entre o tamanho do bebê e a pélvis da mãe);
  • Quanto tempo falta para o bebê nascer.

Quais os riscos de fazer o toque?


Aumento do risco de infecção: mesmo quando realizado com cuidado e com luvas, há sempre o risco de levar micro-organismos da vagina ao canal cervical.
Interfere com a progressão normal do trabalho de parto. 
Afeta a mulher emocionalmente: o toque invade a privacidade, pode ser desconfortável e obriga a mulher a uma posição pouco facilitadora do parto. Além disso, se se diz a uma mulher que tem quatro centímetros de dilatação e, passada uma hora e muitas contrações, depois de novo toque, se diz que ainda mantém os quatro centímetros, o sentimento vai ser de desânimo, quando o que se pretende é o contrário.

O exame dói?


O exame de toque normalmente é rápido e não deve causar dor na mulher, o que pode trazer é um certo incômodo. Por ser uma exame invasivo, a mulher costuma ficar mais tensa, o que dificulta a penetração e dependendo da sensibilidade da mulher, pode gerar dor. Caso a mulher sinta dor no exame é importante verificar, pois pode ser que haja um motivo que precise ser tratado que é o que acabou gerando essa dor.

O exame causa algum sangramento?


O exame de toque na gravidez pode provocar um pequeno sangramento, que é normal e não deve deixar a grávida preocupada. Isso pode ocorrer devido a região ser bastante vascularizada, juntamente com a tensão da paciente, pode vir a romper um pequeno vaso, causando um leve sangramento que deve ser muito breve, caso contrário é necessário buscar ajuda médica.

É um exame de rotina durante o pré-natal?


Muitos ginecologistas adotam o exame de toque como rotina no pré-natal ou a partir de 36 semanas de gestação. Já no caso de profissionais mais atualizados ou que sigam uma linha humanizada, esse exame só feito caso haja necessidade de avaliar algum risco na gravidez, como em caso da grávida se queixar de contrações, mesmo que a data prevista para o parto ainda esteja longe, é normal haver uma observação vaginal para verificar se existe ou não trabalho de parto. Caso a gravidez esteja correndo tranquilamente, com baixo risco de trabalho de parto, não há necessidade de realizar o exame. 



Muitos médicos utilizam o momento do exame de toque para realizar a amniotomia (ou rotura de membranas), que consiste em romper o saco amniótico durante o trabalho de parto para tentar que a dilatação avance. Esse procedimento necessita da permissão da gestante e só deve ser efetuado quando há indicação para acelerar o trabalho de parto ou suspeita de sofrimento fetal com necessidade de monitorização. O procedimento é bastante desconfortável, pode causar uma pequena perda de sangue, e torna as contrações mais intensas e frequentes, logo aumenta a dor. Realizar o procedimento sem consentimento é uma forma de abuso obstétrico mais camuflada. As mulheres não percebem. Acham que é um mero processo avaliativo e não questionam.


Direito a negar a realização do exame


Questionar ou mesmo negar a realização do exame de toque é um direito da gestante. É importante perguntar ao médico o motivo da realização do exame e se essa é a única forma de avaliar a situação da gravidez naquele momento. 

A Constituição Federal assegura firmemente a liberdade individual ao dizer que "ninguém será obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei" (artigo 5º inciso II Constituição Federal de 1988). O Código Civil prevê, ainda, que ninguém pode ser constrangido a submeter-se a tratamento médico ou intervenção cirúrgica (artigo 15). O Código de Ética Médica veda ao médico, a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em eminente perigo de morte, em violação ao direito de livre decisão do paciente sobre a execução (CEM, artigos 22 e 31 e princípios fundamentais, XXI).

Assim sendo, é direito da mulher aceitar o procedimento ou não, negar isso é crime! Há muitos casos em que a mulher não é informada do que será feito e é possível exigir uma cópia escrita de todos os procedimentos realizados, bem como quem realizou e sua identificação no conselho de obstetrícia ou enfermagem. 

Recomendação da OMS


A Organização Mundial de Saúde (OMS) determina que «o número de exames vaginais deve ser limitado ao estritamente necessário; durante a primeira parte do trabalho de parto [dilatação], habitualmente, um exame vaginal de quatro em quatro horas é suficiente». No documento Care in Normal Birth – a pratical guide explica-se ainda que «se o parto decorrer serenamente, profissionais de saúde experientes podem limitar o número de exames vaginais a um. Idealmente, a observação necessária para determinar que existe parto ativo, ou seja, dilatação». Apesar disso, o número de toques vaginais a efetuar durante o parto dificilmente gera consenso.

Hoje, diretrizes e protocolos de vários lugares do mundo recomendam: os toques devem ser realizados somente quando necessários e é desejável realizá-los com a menor frequência possível. Nada de toque de hora em hora ou a cada duas horas, de rotina. Se você desejar, você pode colocar no seu plano de parto que não quer receber toques de rotina e que eles só devem ser realizados com o seu consentimento informado.

Problemas do excesso do toque durante o trabalho de parto


Para que o trabalho de parto evolua a mulher deve estar num ambiente tranquilo e sem estresse. Com isso a ocitocina, que é um hormônio natural e também conhecida como o hormônio do amor (o mesmo liberado durante o sexo e durante a amamentação), fará com que o útero contraia de forma rítmica, fazendo com que a dilatação evolua. Se ela ficar muito nervosa e estressada, a adrenalina liberada irá travar a evolução da dilatação, onde são feitas intervenções desnecessárias que poderiam ter sido evitadas, como o uso de ocitocina sintética e anestesia. Quando a ocitocina sintética entra na corrente sanguínea da mulher, toda a ocitocina que ela liberaria naturalmente, antes, durante e depois do parto é bloqueada, interferindo no vínculo da mãe com o bebê. 



Exame de toque é ruim?


Como dissemos no início, é importante ter todas as ferramentas que possam garantir o bom andamento da gravidez. O problema está na banalização de um ou outro procedimento. Se a mulher está bem, o bebê está bem e não há motivos para realizar o exame, por que fazê-lo? 

A mulher desde o princípio conseguiu parir sem auxílio de drogas ou intervenções. É claro que se há necessidade de um ou outro procedimento nada melhor que utilizá-lo. Claro que a mulher tem o direito de utilizar um ou outro procedimento desde que saiba os riscos e benefícios que sua escolha implica, não pensando apenas em si mas no que sua escolha interfere na saúde do bebê. Até a próxima!










segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Cordão Umbilical Enrolado e Parto Normal


Falar de cordão enrolado no pescoço do bebê e parto normal ainda rende algumas discussões. Algumas delas pela falta de informação ou mesmo confusão quanto ao impedimento de realizar um parto normal cujo bebê tenha o cordão umbilical enrolado no pescoço. É muito importante que a gestante conheça mais a respeito desse assunto, assim pode-se ter uma clara ideia do que é ou não perigoso para esse momento tão lindo que é o parto.

O que é circular de cordão?


A chamada "circular de cordão", alça de cordão umbilical em torno do pescoço do feto, pode ocorrer ao longo de toda a gestação. A circular é resultado da própria movimentação do feto, que pode fazer com que o cordão se enrole e desenrole diversas vezes. E, ao contrário do que prega o senso comum, ele não "enforca" a criança, e pode ser facilmente desenrolado pelo médico durante o parto, depois da passagem da cabeça do bebê.

O que causa a circular de cordão?


O cordão umbilical enrolar no pescoço do bebê usualmente ocorre quando o cordão é comprido e, com a movimentação ativa do feto, ele envolve-se o pescoço da criança.

Isso acontece porque o bebê se mexe constantemente dentro da barriga da mãe, nadando no líquido amniótico. Ele toca, mexe e brinca com o cordão, enrolando-se e desenrolando-se nele em qualquer parte do corpo.

Qual é o tamanho do cordão umbilical?


O comprimento do cordão umbilical varia de criança para criança e de gestação para gestação. O cordão é composto de duas artérias e uma veia, e é preenchido por um tecido conjuntivo indiferenciado chamado de "Geléia de Whartonh". Em média tem 59 cm podendo variar entre 40 cm ou até 71 cm ou mais.

Além do pescoço, o cordão pode dar voltas em outras partes do corpo do bebê, como pés, abdome, braços e, em alguns casos, em todos os membros em conjunto.

É possível ter parto normal?


Muitos profissionais da saúde lutam hoje para mudar a ideia de que circular de cordão impede parto normal. A ocorrência de circular de cordão não é indicação de cesárea. O que vai definir o tipo de parto é a vitalidade do feto.

A identificação desta situação em um ultrassom não é motivo para marcar cesariana, afinal, isso ocorre em 20% ou 30% dos partos, e os bebês nascem muito bem.

Quando essa situação apresenta riscos?


Muitas vezes, a ultrassonografia identifica problemas que podem não ser verdadeiros. Por isso, muitos profissionais recomendam que o laudo do exame, que é compartilhado entre médico e paciente, traga apenas informações que são úteis, para não preocupar, sem necessidade, os pais.

Durante o trabalho de parto é importante um acompanhamento dos batimentos cardíacos do feto por meio de um sonar e também ao exame de cardiotocografia, durante as contrações da mãe para evitar complicações, que em conjunto com a circular possam causar problemas, pois é durante o momento do parto que há a real compressão do cordão umbilical, que encosta na parede do útero da mãe. Nesse caso, o cordão está enrolado no bebê ou com nó, eventualmente a frequência cardíaca será alterada, causando danos à respiração da criança.

Com o acompanhamento dos batimentos do bebê, o médico pode avaliar se há alterações, agindo rapidamente e adotando então a cesárea como melhor opção para aquela situação específica.

De forma simples, não é o cordão enrolado que prejudica o bebê mas a alteração cardíaca que diz se a circulação de sangue pelo cordão está comprometida e que, em algum momento, a criança vai entrar no que os médicos chamam de sofrimento fetal.

Todo bebê com circular de cordão umbilical terá problemas no parto?


Em casos raros, se o cordão for muito pequeno ou estiver muito enrolado, ele pode ficar "curto" para a descida do bebê pelo canal de parto. Com isso, ele se torna cada vez mais apertado, compromete a circulação de sangue e, consequentemente, reduz a frequência cardíaca da criança.

Esse quadro, onde a circular compromete o fluxo sanguíneo não é comum e, na maioria dos casos, a circular de cordão não influencia no bom andamento do parto normal. Além disso, se a cesárea for realmente necessária, essa decisão será tomada apenas durante o trabalho de parto. Por isso, uma circular identificada no pré-natal não deve preocupar a gestante nem dissuadi-la de dar à luz pela via natural.

Até mesmo nos serviços de obstetrícia mais humildes é possível monitorar esta situação, desde que na falta de um aparelho de cardiotocografia haja a monitoração por sonar. Se o cordão estiver apertado, causando prejuízo no ritmo do batimento cardíaco do feto, como bradicardia persistente ou arritmia, opta-se pela cesariana.

É importante lembrar que o bom profissional irá esclarecer qualquer dúvida e dê preferência para um médico que não tenha um grande histórico de cesáreas. Até a próxima!

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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Bebê sentando - O que é Versão Cefálica Externa?


Vai chegando o final da gestação e a tão esperada data do bebê nascer se aproxima, mas o bebê permanece sentado. A expectativa vai aumentando e o receio de não poder ter um parto normal aumenta. 

A grande maioria dos bebês nascem na posição cefálica, isso é, nascem com a cabeça para baixo. Mas 3 a 4 % dos bebês ficam sentados até o final da gravidez, o que é chamado de Apresentação Pélvica. 

Muitas cesáreas são marcadas quando o bebê se apresenta, ao final da gestação, sentado. O parto vaginal com apresentação pélvica apresenta um risco se feito por quem não tem experiência nesse tipo de parto. Nesse caso, como evitar uma cesárea, que traz muitos riscos de uma cirurgia de grande porte como os riscos de hemorragia, infecção, complicações anestésicas e outras e também evitar o risco de um parto vaginal pélvico por um profissional com pouca ou nenhuma experiência? Existe uma opção para quem deseja muito tentar um parto normal, a chamada Versão Cefálica Externa.


O que é Versão Cefálica Externa?



A versão cefálica externa (VCE) é uma técnica não invasiva, realizada em gestações próximas do termo (tempo gestacional entre 37 e 42 semanas), que visa converter uma apresentação pélvica ou uma situação transversa numa
apresentação cefálica. Ou seja, consiste na rotação de um bebê pélvico (sentado) para cefálico (com a cabeça pra baixo). Esse é um procedimento seguro e recomendado pela Organização Mundial da Saúde.


Como é feito a VCE?



Por manobras realizadas através da parede abdominal materna, o bumbum do bebê é elevado e deslocado lateralmente por uma mão do operador, enquanto a cabeça é manipulada por outra mão no sentido oposto, tentando-se uma cambalhota ou para frente ou para trás, sendo que esta última se associa a uma taxa de sucesso menor.

O protocolo para a realização da manobra varia conforme os diferentes centros, preconizando-se o uso universal de ecografia durante o procedimento e cardiotocografia após o mesmo. O limite de tentativas também varia de centro para centro, oscilando entre 2 e 6 vezes.


Assista o vídeo da VCE realizada por Braulio Zorzella, médico obstetra:


Todas as gestantes podem tentar?



Em algumas situações a manobra VCE não é indicada como em caso de gravidez múltipla, malformações fetais graves, vitalidade fetal comprometida ou morte fetal, quando há indicação de cesárea independente da apresentação, por outro motivo qualquer (como por exemplo placenta prévia) e membranas rotas. Algumas contraindicações são relativas como a mãe ter feito cesárea anterior, restrição do crescimento fetal e sangramento uterino, porém as evidências não são suficientes para proibir a versão nesses casos.


Quando há mais chances da manobra dar certo?


A manobra costuma dar mais certo nas seguintes situações:

  • Quando a mãe já teve outras gestações;
  • Quando a placenta está posterior (localizada atrás do bebê, e não na frente);
  • Tipo de apresentação pélvica: quando o bebê está com as pernas para cima, com todo o bumbum encaixado na pelve tem maiores taxas de sucesso do que quando o bebê está com os joelhos ou os pés apresentando na bacia.
  • Pélvico Incompleto modo de pés tem maior chance de sucesso que o Pélvico Completo:

  • Quantidade de líquido amniótico: quanto mais líquido amniótico tem, maior a taxa de sucesso. Uma alternativa para quando há muito pouco líquido é fazer uma “amnioinfusão”, que é a injeção de soro fisiológico dentro da cavidade amniótica.
  • Índice de Massa Corporal Materno: quanto mais gordinha está a mãe, menor a taxa de sucesso.
  • Uso de medicações que "relaxam" o útero: usar drogas que relaxam a parede uterina aumenta a chance de sucesso da manobra, já que a tensão da musculatura do útero é um fator determinante. Há várias medicações que tem esta ação, sendo as mais usadas a terbutalina ou o salbutamol. Deve ser administrada cerca de meia hora antes do procedimento.
  • Uso de anestesia raqui ou peridural: um dos fatores determinantes do procedimento é a tolerância da gestante ao mesmo. A manobra pode ser desconfortável, e algumas sentem muita dor. A anestesia pode auxiliar neste quesito, além de proporcionar um melhor relaxamento da parede uterina. O inconveniente é o risco inerente ao procedimento anestésico, ou seja, não é algo isento de complicações.


Quando realizar a manobra?


Preconiza-se a realização da manobra entre 36 a 38 semanas, por vários motivos: 1. O bebê provavelmente não vai mais virar sozinho depois desta idade gestacional (mas isso pode acontecer!), portanto, antes desta idade gestacional a gente aguarda ou faz técnicas alternativas para ajudar o bebê a virar; 2. Se der certo, a chance do bebê desvirar é menor nesta idade gestacional; 3. Caso ocorra alguma complicação durante ou após o procedimento e o bebê precise nascer, ele já não é mais prematuro e consegue se adaptar melhor a vida extra-uterina.

Em que local realizar a manobra?


É importante ter um acompanhamento durante a manobra, que precisa de ultrassom antes e durante o procedimento. Após a manobra o bebê é avaliado através de um exame chamado cardiotocografia. O local deve contar um centro cirúrgico, caso haja alguma complicação, a gestante precisará de um atendimento rápido. O local que normalmente dispõem de todos estes recursos e facilidades é o hospital.

Riscos e complicações


Apesar da VCE ser relativamente simples, pode ser que a manobra não dê certo. Quando em um primeiro momento a manobra não é bem sucedida, tenta-se novamente, por 2 a 6 vezes, na dependência do desejo da mulher e de outros fatores. Além disso, algumas complicações que podem ocorrer, apesar de serem bastante raras: alterações dos batimentos cardíacos do bebê (após a manobra é relativamente comum haver alterações momentâneas da frequência cardíaca do feto, mas se estas alterações persistem podem motivar uma cesárea por suspeita de sofrimento fetal); descolamento de placenta; rotura da bolsa amniótica.

Como decidir pela manobra


A VCE é um procedimento muito seguro e com uma razoável taxa de sucesso, principalmente quando selecionadas as grávidas às quais se oferece. Contudo, é importante frisar a necessidade de um profissional com experiência na técnica. As complicações da técnica são muito raras e são quase sempre passíveis de resolução sem sequelas, caso a situação seja prontamente detectada e corrigida, razão pela qual esta manobra deve continuar a ser realizada apenas em locais com os recursos necessários para se proceder a uma cirurgia imediata.

A VCE deve ser oferecida a toda gestante com bebê em apresentação pélvica após 36 semanas, sendo uma técnica recomendada e validade pelas principais instituições científicas em Ginecologia e Obstetrícia.

Em suma, apesar de alguns obstetras ainda acreditarem que o procedimento é obsoleto e não deve mais ser adotado, todo um corpo de evidências nos últimos 20 anos tem demonstrado o contrário. A versão cefálica externa deve ser incorporada à prática obstétrica, uma vez que reduz expressivamente tanto os nascimentos não cefálicos como as taxas de cesariana. Em uma época em que muitos obstetras perderam a habilidade de conduzir adequadamente partos pélvicos, a VCE surge como uma alternativa atraente e segura para mulheres com bebês em apresentação pélvica que querem ter parto normal, mas não estão seguras ou não encontram obstetras dispostos a prestar assistência ao parto pélvico. Até a próxima!