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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Síndrome do Hiperestímulo Ovariano - SHO


Diversas são as técnicas utilizadas hoje em dia para ajudar a mulher que tem o sonho de engravidar. Normalmente essas técnicas são (e DEVEM SER) acompanhadas pelo médico e isso é fundamental para evitar problemas no futuro. Muitas vezes, a ansiedade de engravidar faz com que a mulher decida utilizar um remédio sem acompanhamento médico e isso traz sérios riscos não apenas a sua saúde mas também ao sonho do positivo. Dentre os remédios para engravidar mais utilizados sem conhecimento médico, os indutores de ovulação costumam ser os que mais se recorrem para apressar a gravidez. O que poucas mulheres sabem é que há um risco sério ao usar o indutor que é a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano (SHO, ou OHSS na sigla em inglês). Conheça mais a respeito dessa síndrome e também quais cuidados que se deve ter com o uso dos indutores de ovulação.


O que é a Síndrome do Hiperestímulo Ovariano?


Para entender a síndrome, primeiro vamos entender um pouco sobre os indutores de ovulação. O indutor de ovulação é um medicamento que causa um estímulo maior nos ovários para que produzam mais folículos ovulatórios. Assim, há uma chance maior de que ocorra a ovulação e assim a gravidez. 

E como ocorre a SHO? O hiperestímulo é a resposta exagerada ao medicamento. Algumas mulheres têm uma "alta resposta" ao estímulo hormonal, produzindo mais do que 20 óvulos em um único ciclo. Esta resposta exagerada pode resultar em complicações, em alguns casos graves, caso medidas de segurança não sejam tomadas.


Quais os sintomas da SHO?


Os sintomas do hiperestímulo podem aparecer antes ou depois da ovulação propriamente dita, alguns são: 
  • Náuseas e vômitos
  • Dor abdominal muito forte
  • Vontade frequente de urinar
  • Sede acima do normal
  • Urina escura, em pequena quantidade
  • Diarreia
  • Prisão de ventre
  • Dificuldade para respirar
  • Pernas vermelhas ou inchadas
  • Ganho rápido de peso (mais de 1 kg em um dia)


Os ovarios aumentados por si só já podem trazer incômodos para a paciente, mas outras complicações como a formação de ascites (acúmulo de líquido dentro da cavidade abdominal) e diminuição da diurese (volume urinário) podem acontecer. Em casos mais graves (e felizmente mais raros) pode ocorrer acúmulo de líquido nos pulmões e trombose.


Quem corre mais risco de sofrer hiperestímulo?


Os médicos que cuidam de tratamentos de fertilidade costumam ir monitorando, através de ultrassons, a resposta de cada mulher à droga, para modificar a dose conforme a necessidade. Não há como prever se alguém sofrerá de hiperestímulo, nem como vai responder aos indutores, mas há alguns fatores que influenciam. Corre mais risco, a princípio, quem: 

  • Tem menos de 35 anos
  • Baixa Massa Corpórea
  • Sofre de síndrome dos ovários policísticos
  • Total de 15 ou mais folículos antrais, ou seja, a contagem dos folículos nos primeiros dias do ciclo, antes do início das medicações
  • Está usando a gonadotrofina menopáusica humana (hMG) para induzir a ovulação, especialmente se em conjunto com o hormônio hCG.
  • Altos níveis de hormônio antimülleriano
  • Já teve algum episódio de hiperestímulo


Pode acontecer com mulheres que não possuem este perfil quando altas doses de gonadotrofinas (FSH e LH) são dadas a paciente, fazendo com que esta tenha uma elevação dos níveis de estradiol,  um número elevado de folículos  e de óvulos capturados.


Classificação da SHO


A síndrome do hiperestímulo ovariano ocorre entre 0,6% - 10% nos ciclos de tratamento em fertilização in vitro sendo que a forma severa ocorre em 0,5 – 2% destes mesmos ciclos. Ela é classificada em leve, moderada e severa. Veja a imagem abaixo:



O perigo do hiperestímulo


Os casos graves de hiperestímulo ovariano podem colocar a vida da mulher em risco, embora casos de tamanha gravidade sejam raros. O abdome se enche de líquido (na chamada ascite), e às vezes até o peito e a membrana que envolve o coração são atingidos pelo líquido. 

Embora esteja com o corpo cheio de líquido, a mulher fica desidratada, e os órgãos como pulmões, rins e fígado param de funcionar direito. Também existe o risco de a circulação sanguínea ser prejudicada, com o perigo de formação de coágulos. 

Outro problema é os ovários ficarem danificados pelo inchaço, o que pode prejudicar a fertilidade futura. 


Como tratar o hiperestímulo ovariano?


Nos casos mais leves é recomendado repouso, ingestão oral de líquidos para hidratação com água de coco e isotônicos, reposição Salina (Gatorades), alimentação rica em proteínas (inclusive com uso de Whey Protein), analgésicos que auxiliam no controle da dor, bem como meias de compressão para ajudar na recuperação. A paciente deve se abster de relações sexuais para não ter risco de engravidar.

Nos casos graves, a hospitalização é necessária, até em UTI (unidade de tratamento intensivo), para administrar soro pela veia, monitorar o funcionamento dos órgãos e às vezes para drenar o líquido do abdome, procedimento que pode ter de ser repetido várias vezes. 

Não existe um medicamento que interrompa o acúmulo de líquido. O máximo que os médicos podem fazer é cuidar dos sintomas enquanto o efeito do medicamento causador vai diminuindo. 


Por que não se deve engravidar com hiperestímulo?


O risco de engravidar com um quadro de hiperestímulo ovariano tem relação com a SHO Tardia. Acontece que o hCG liberado na gravidez estimula as células da granulosa dos folículos ovarianos a liberarem o VEGF (vascular endothelial growth factor), que desencadea a síndrome. Ou seja, os efeitos serão ainda maiores, agravando o quadro de hiperestímulo.

Em função desses riscos, é importante que a prescrição desse tipo de medicamento seja sempre realizada pelo médico e a mulher deve ser monitorada durante o seu uso, com constantes ultrassonografia. Esses efeitos são maiores em mulheres com cistos ovarianos, doenças no fígado, problemas tireoidianos não tratados ou tumores na hipófise. No entanto, a paciente tendo ou não qualquer uma dessas patologias, se estiver em uso de um indutor de ovulação, tem que estar atenta aos efeitos secundários ou colaterais. Quando durante a monitorização se detectam indícios que podem levar a estas complicações o ciclo de tratamento deve ser interrompido.

Não vale a pena correr o risco de adiar mais ou mesmo de ter que desistir do sonho de engravidar por usar um medicamento sem a devida prescrição médica. Além disso, o que funciona para uma mulher, pode não ser bom para outra. Com saúde não se brinca! Até a próxima!

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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O que é folículo ovariano?


Entender os pormenores da ovulação ajuda muito nas tentativas de engravidar. Algumas pessoas, embora saibam o que é ovulação, nem sempre conhecem mais detalhadamente como acontece esse processo. Vamos falar mais a respeito da ovulação e dos folículos ovarianos neste post.

O que é um folículo ovariano?


O folículo é a unidade básica do sistema reprodutor feminino. Um folículo é um óvulo revestido que se desenvolve a partir das células germinativas que revestem a superfície do ovário. O número e o tamanho dos folículos irá variar de acordo com a idade e o estado de reprodução da mulher. Com o passar dos anos o número de folículos vão diminuindo devido a ocorrência da apoptose que nada mais é do que a morte de células, mas este processo é normal e ocorre em todos os seres humanos. Também chamado de folículo de Graaf, folículo ovariano se maturam na fase secretora para que ocorra o ciclo reprodutivo da mulher.

Etapas de desenvolvimento do folículo ovariano


A formação do folículo começa antes mesmo do nascimento, ainda na formação dos ovários. Nessa fase, os ovários contêm os chamados folículos primordiais. Quando a mulher nasce, sua reserva ovariana contém todos os óvulos que liberará durante toda sua vida fértil. Os folículos permanecem num estágio "adormecido" até que passem pelo desenvolvimento da ovulação. Leva de seis meses a um ano para que um folículo primordial chegue a um folículo maduro preparado para a ovulação. Em cada fase do desenvolvimento folicular, muitos dos folículos param o desenvolvimento e morrem. Nem todo folículo primordial passará por cada estágio. Menos de 1% consegue liberar um óvulo maduro.  A cada ciclo menstrual vários óvulos imaturos são perdidos.

Recrutamento folicular


Poucos dias antes e durante a menstruação, alguns hormônios produzidos pelo nosso cérebro enviam um comando ao ovário para que os folículos se desenvolvam, cresçam e ovulem. Isto é denominado recrutamento folicular. Mensalmente cerca de 100 folículos respondem a esse estímulo hormonal, apesar de vermos menos deles ao ultrassom, pois a maioria ainda é microscópica. Porém, apenas um deles irá conseguir crescer adequadamente e ovular. Este é o folículo dominante, o melhor selecionado pela natureza naquele mês.

O que é folículo dominante?


O ciclo menstrual é dividido em duas partes: fase folicular (que vai da menstruação até a ovulação) e fase lútea (após a ovulação).

Durante a fase folicular o corpo vai fazer com que os folículos cresçam para que um (ou dois) deles esteja maduro o suficiente para liberar um óvulo. Cada folículo vai crescendo de forma independente. Isso significa que a uma certa fase do ciclo um deles estará maior que os outros. Esse folículo que cresceu mais é chamado de folículo dominante. Apenas em casos especiais, como quando há o uso de medicamentos indutores de ovulaçãoé que vários folículos podem crescer até o estágio ovulatório. É a chamada Ovulação Dupla ou Múltipla

Quanto mede um folículo dominante?


O folículo ovariano pode ser medido durante o controle de ovulação, através de um exame de ultrassom. Normalmente seu tamanho é determinado em milímetros (mm). 

Os folículos crescem em média 2mm por dia e se rompem em média entre 19 e 23mm. Quando se utiliza um indutor de ovulação, esse valor pode aumentar para cerca 28mm a 31mm ou até mais.

Através do controle da ovulação além de avaliar se há algum folículo dominante, pode-se indicar a data da provável ovulação e também é possível induzir a liberação do embrião com injeção de gonadotrofina coriônica (hCG).

Os estágios do desenvolvimento folicular são:



Folículo primordial - todos os folículos que estão dentro dos ovários de uma menina recém-nascida. 

Folículos primários - este folículo começa a surgir após a puberdade, por ação dos hormônios, quando se inicia o ciclo sexual.

Folículos secundários - que envolvem a adição de células que iniciarão a produção hormonal.

Folículos terciários - também chamados de folículos antrais (possuem uma cavidade cheia de líquido conhecida como antro) que permitem saber se a reserva ovariana é satisfatória. 

Folículo de Graaf ou folículo dominante - é aquele que está maduro o suficiente para a ovulação.

Ruptura do folículo - o pico do hormônio LH faz com que ocorra liberação do óvulo pelo folículo dominante.

Corpo Lúteo ou Corpo amarelo - é a estrutura que envolvia o óvulo antes da sua liberação. Sua função é enviar progesterona para nutrir o endométrio e consequentemente o embrião implantado.

Corpo Albicans ou Corpo branco - é a cicatriz que permanece após a regressão do corpo lúteo, que ocorre caso não ocorra a gestação.


Visualização de um folículo dominante com ultrassom:



Os cistos foliculares


Se um folículo ovariano não liberar um óvulo durante a ovulação, e continuar a crescer dentro do ovário, torna-se um cisto. Os folículos que liberam o óvulo podem também tornar-se cístico, se o saco não se dissolver e o fluído ficar retido, sob a parede celular. Os cistos ovarianos são normalmente benignos e bastante comum em mulheres após a puberdade, geralmente causando pouco ou nenhum desconforto e muitas vezes desaparecendo sem tratamento. Saiba mais sobre os Cistos Foliculares.



Se cistos ficam muito grande, eles podem empurrar o ovário fora de sua posição normal, o que aumenta as chances dele se torcer. Isso causa uma dor extrema, e requer tratamento cirúrgico para corrigir.

Estimular naturalmente o crescimento folicular


Quando não se pode ou não se quer estimular com medicamentos a ovulação, com injeções ou pílulas, pode-se optar pelo tratamento natural. Alimentos à base de inhame por exemplo, o elixir, chá ou preparados do legume, assumem um papel indutor muito eficiente em quase todos os organismos. Outro alimento rico em estrogênio também, a soja. Mulheres que desejam engravidar devem consumir regularmente principalmente na fase de estímulo da ovulação. Até a próxima!


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Ciclo Menstrual Curto





quarta-feira, 2 de agosto de 2017

O que é reserva ovariana?


Com o passar dos anos, ter filhos é deixado cada vez para mais tarde. Embora emocionalmente e até financeiramente essa seja uma escolha sensata, biologicamente, nem tanto. Isso porque as mulheres detém melhores taxas de fecundidade até os 35 anos de idade. Após esse período, alguns fatores naturais, como o envelhecimento, começam a influenciar o organismo, diminuindo as chances de gestação. Um desses fatores é a ovulação, já que com passar dos anos a mulher tem a reserva ovariana diminuída. Entenda como isso influencia a fertilidade:

O que é reserva ovariana?



A reserva ovariana é a quantidade de óvulos que a mulher possui quando passa a planejar uma gravidez ou inicia um tratamento para engravidar. Diferente dos homens, que tem uma produção constante de gametas masculinos (espermatozoides), a mulher já nasce com uma contagem de óvulos que, ao longo de sua vida, vai diminuindo.

Reserva ovariana e a fertilidade


O envelhecimento ovariano (também conhecido como reserva ovariana) pode ser definido como a perda da saúde reprodutiva dos ovários e óvulos (oócitos) e está associado a um declínio no número de folículos ovarianos. Os hormônios tornam-se insuficientes, falta ovulação, diminui a fertilidade, as menstruações se tornam irregulares, depois escassas, vão cessando gradualmente e, finalmente, desaparecem completamente de forma irreversível. Este fenômeno é conhecido como menopausa e geralmente ocorre em uma idade média de 51 anos.


As mulheres não fazem novos óvulos após o nascimento. A reserva ovariana decresce com a idade e para algumas mulheres a fertilidade já começa a diminuir a partir dos 30 anos. O grau de declínio varia de mulher para mulher, mas este envelhecimento começa após os 35 anos e permanece de forma contínua até a menopausa.

Conhecendo os números


A mulher nasce com um número determinado de folículos nos dois ovários, cerca de 6 a 7 milhões de folículos, diminuindo gradualmente esse número, por envelhecimento dos óvulos e/ou recrutamento dos folículos para ovulação.

O período de vida intrauterino é marcado por uma perda rápida de folículos, cerca de 50 mil diariamente. Depois até a puberdade este consumo diminui para uma média de 1000 folículos dia. A mulher inicia sua vida reprodutiva então com uma população em torno de 400 mil folículos.

Assim, em uma mulher com 50 anos, com ciclos menstruais ainda regulares, cada ovário contém entre 2.500 a 4.000 folículos residuais já insensíveis às gonadotrofinas.

Como avaliar a reserva ovariana?


A não ser que a paciente peça, normalmente os ginecologistas costumam indicar a avaliação da reserva ovarina à mulheres inférteis com idade de acima de 35 anos ou àquelas em que haja suspeita de baixa reserva como:
  • Um único ovário
  • Cirurgia ovariana prévia
  • Má resposta a estimulação exógena com gonadotrofinas
  • Exposição a agentes quimioterápicos e radiação


A avaliação é feita através de exames simples de sangue e de imagem por ultrassom. São utilizados métodos de dosagem do FSH, Estradiol, Hormônio Anti-Mülleriano – AMH, Inibina B e Progesterona, além do exame de ultrassom:

Hormônio folículo-estimulante - FSH - Alguns estudos sugerem que o valor de FSH é um importante prognóstico quanto ao sucesso da fertilização in vitro (FIV), baixa resposta à estimulação ovariana e de não gravidez.

Estradiol (E2) - O estradiol é um hormônio secretado pelas células granulosas dos folículos ovarianos e a sua determinação complementa a avaliação da reserva ovariana. Indica-se dosar o estradiol em seus níveis mais baixos, nos primeiros dias do ciclo menstrual. Os valores variam de acordo com a fase do ciclo menstrual. Em um ciclo natural, o E2 tem um pico próximo à ovulação. Porém, os estudos sobre os valores que representam índices de sucesso na FIV são controversos e sugerem que o E2 tem baixo valor preditivo. E2 também pode ser útil na avaliação da Síndrome de hiperestimulação ovariana.

Hormônio Anti-Mülleriano – AMH - O AMH é secretado também pelas células granulosas dos folículos ovarianos. Em geral, concentrações mais elevadas correlacionam-se com boa reserva ovariana. Alguns grupos têm demonstrado correlação entre baixos níveis e menopausa. 

Inibina B - produzida nos folículos, assim com o AMH, e sua concentração oscila no ciclo menstrual. Atua inibindo a produção de FSH na hipófise. Com o envelhecimento, os níveis de FSH aumentam e os níveis de Inibina B e AMH diminuem. Portanto, é um marcador tardio e não deve ser utilizado para avaliar a reserva ovariana ou menopausa

Progesterona - A progesterona eleva-se continuamente com o aumento do LH e permanece baixa durante toda a fase folicular. A sua determinação é também uma avaliação prática da função ovariana, realizada tipicamente 01 semana antes do período menstrual estimado, quando os níveis são fisiologicamente mais altos. Os valores de progesterona inferiores a 3 ng/mL sugerem anovulação, exceto imediatamente após ovulação ou antes da menstruação.

Ultrassonografia transvaginal - Método prático, deve ser feito nos primeiros dias do ciclo menstrual. Por meio da imagem, o especialista conta quantos folículos a mulher tem naquele mês. Menos de dez, indicam baixa reserva; mais de 20, alta. É coberta pelo SUS e por convênios. Conheça o controle de ovulação com ultrassom neste post aqui.


Como engravidar com baixa reserva ovariana?


Caso haja um diagnóstico de baixa reserva ovariana pode-se optar por um tratamento de reprodução assistida:

Mini-FIV: trata-se de um procedimento bastante semelhante à FIV (Fertilização in Vitro), mas com o objetivo de estimular a produção de poucos óvulos (da própria mulher) com mais qualidade do que de grande quantidade, como acontece na FIV. Essa técnica é muito bem aceita, pois não apresenta os efeitos da hiperestimulação ovariana, além de ser mais acessível.

Doação de óvulos: Um procedimento cada vez mais comum entre as famílias que se submetem a um tratamento de reprodução assistida, a doação de óvulos é um tratamento em que uma mulher doadora anônima oferece seus óvulos ao casal, por meio da clínica de reprodução humana que está intermediando o tratamento. Esse óvulo doado é fecundado em laboratório pelo espermatozoide do parceiro da receptora e, após gerar embriões, transferido para o útero da futura mamãe. 


Para as mulheres que querem engravidar mas desejam que isso seja feito mais tarde, há a possibilidade de armazenar os óvulos ou mesmo embriões. Essa alternativa é feita com a indução da ovulação, seguida pela coleta dos óvulos podendo ou não fertilizar esses óvulos e então armazená-los congelados.

Há variações dentre os tratamentos de reprodução assistida, é importante que o especialista consultado determine a melhor opção para a paciente. Cada caso deverá ser analisado individualmente. Embora a baixa reserva ovariana requeira medidas imediatas, felizmente hoje há muitas opções para realizar o sonho da maternidade. É importante lembrar também que mesmo diagnóstico de baixa reserva ovariana, nada impede que ocorra uma gravidez de maneira natural. Jamais perca as esperanças. Até a próxima!







sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Doação de Óvulos


O avanço da medicina hoje traz muitas possibilidades de tratamentos para quem deseja engravidar. Os tratamentos de fertilização costumam ser caros e nem todos tem condições de arcar com tudo, mas existem algumas opções mais baratas, em relação aos tratamentos convencionais, que podem ajudar a realizar o grande sonho de ser mãe. Uma dessas opções é a Doação de Óvulos. Além da questão financeira, vários são os motivos que podem levar a mulher a recorrer à doação de óvulos como fatores genéticos que impedem engravidar, falência ovariana ou mesmo a idade da mulher.


Do que trata a doação de óvulos?


A ovodoação ou doação de óvulos ocorre quando uma mulher cede seu óvulo para que ele seja fecundado e transplantado para o útero de outra mulher. 


Como funciona a doação de óvulos?


No Brasil, a lei estipula que essa doação seja anônima, dessa forma a doadora não saberá a identidade da receptora e vice-versa. A doação é ética e legal desde que não haja fins comerciais e a mãe dessa criança será considerada a mulher que o carregou no seu ventre, e não a que forneceu o óvulo. 

Caso a mulher que deu a luz à criança seja uma barriga solidária, o filho é considerado do beneficiado pelo procedimento, ou seja, do casal para quem a mulher cedeu o útero.

A doadora será estimulada para um ciclo de FIV (Fertilização in Vitro), do qual resultará a coleta de vários óvulos, dos quais metade (doação compartilhada) será doado para uma outra mulher que não tem mais capacidade de produzi-los – esta é a receptora.

A receptora terá que ter seu útero preparado com hormônios (estradiol e progesterona) antes de receber o(s) embrião(ões), e os mesmos terão que ser mantidos até o terceiro mês de gestação, quando a placenta passa a ser a responsável pela manutenção da mesma. Após o terceiro mês, a gestação evolui normalmente, sem a necessidade de suporte hormonal. O pré-natal é igual ao de uma gravidez concebida naturalmente e a mãe poderá amamentar sem nenhuma diferença de uma gravidez espontânea.


Como é feita a doação de óvulos?


Como no Brasil não existe um banco de óvulos para doação, é necessário que haja uma seleção da doadora. A doação é feita voluntariamente por mulheres que queiram ajudar outras mulheres a realizar o sonho de engravidar. Costumam ser candidatas jovens que fazem a coleta dos óvulos ao mesmo tempo em que a receptora prepara o útero para receber o embrião.


Doadoras e Receptoras


O ciclo de doação de óvulos é realizado pela técnica de Fertilização in vitro na qual os gametas femininos (óvulos) de uma mulher (doadora) são doados a outra (receptora) para que sejam fertilizados. 


No mesmo dia em que os óvulos da doadora são aspirados, o homem (seja doador ou parceiro da paciente em tratamento) faz a coleta dos espermatozoides, para que no mesmo dia eles sejam fecundados em laboratório. O procedimento pode reproduzir a situação no útero, colocando na mesma cultura um óvulo e alguns espermatozoides, ou eles podem ser injetados diretamente no óvulo, pelo método de injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI), dependendo da qualidade dos gametas masculinos. (Como avaliar a fertilidade com o Espermograma?)

A doadora será estimulada com hormônios, que podem ser via oral ou injetáveis, que vão aumentar a produção de óvulos naquele mês. Após a coleta, pelo processo da doação compartilhada, metade dos óvulos serão fertilizados com os espermatozoides do marido da doadora e a outra metade com os espermatozoides do marido da receptora.

Vinte e quatro horas após a fertilização sabe-se quantos embriões se formaram, estes permanecem no laboratório por 2 a 5 dias e após serem selecionados serão colocados no útero através de um cateter por via vaginal. Não há necessidade de sedação.


Desta forma, o(s) embrião(ões) transferido(s) para o útero da receptora, será(ao) formado(os) pelo espermatozoide do próprio marido e o óvulo de uma doadora. A receptora recebe dois únicos hormônios (estrogênio e progesterona) para o preparo do endométrio a fim de receber os embriões, pois não existe indução de ovulação. A taxa de sucesso de gravidez é a mesma da paciente doadora que tem idade ao redor de 30 anos (50%).


Quem pode ou não doar


O ideal é que a doação seja feita por mulheres com menos de 35 anos, pois seus óvulos são mais novos e apresentam menores chances de terem problemas na estrutura genética causados por uma divisão celular ruim. É importante também que a doadora não tenha nenhuma doença genética hereditária. Além disso, ela também não deve ter nenhum problema de saúde que possa ser agravados pela estimulação ovariana, como cânceres dependentes de hormônio. Não deve apresentar doenças infectocontagiosas e deve possuir tipo sanguíneo e físico compatível com a receptora. Além disso, o potencial ovariano também é considerado.

Muitas vezes essa opção é oferecida para mulheres que já estão em tratamento de reprodução assistida com seus próprios óvulos, mas de repente não têm mais como pagar o tratamento. Em troca, o casal ou a mulher que vai receber a doação paga metade do tratamento da doadora. Essa é a chamada doação compartilhada.

IMPORTANTE:

Os critérios aceitos para definir quem pode ser doadora de óvulos são variáveis de acordo com a resolução vigente do CFM (Conselho Federal de Medicina) na época do procedimento.


Quais os riscos da doação de óvulos


As doadoras devem ser informadas sobre os riscos de hiperestimulação ovariana bem como sobre outras possíveis complicações da fertilização in vitro como a gestação múltipla, sangramento, infecção e anestesia.

Para a receptora, os riscos são os mesmos de uma fertilização in vitro. Como o embrião é fecundado fora do útero e depois transferido de volta, existe uma pequena chance de que ele se desenvolva fora do útero, a chamada gravidez ectópica, que pode colocar a vida da mulher em risco. Para reduzir as chances desse tipo de gestação, o embrião normalmente é colocado a 1 centímetro do fundo do útero. 

No Brasil, não há necessidade de se contratar um advogado para acompanhar o tratamento, a não ser, em alguns casos específicos, como por exemplo, barriga de aluguel (corretamente chamado de útero de substituição).

As receptoras devem saber que, apesar das doadoras serem mulheres com idade de chances mínimas para malformações cromossômicas, esta possibilidade não pode ser excluída.


Como se preparar para a doação de óvulos?


Se preparar para a doação de óvulos nem sempre é muito fácil, principalmente para a mãe que pode sentir-se confusa em gerar um filho vindo do gameta de outra mulher. Nesses casos, um acompanhamento psicológico do casal pode ajudar a resolver questões como a espera para engravidar (que pode justificar não poder usar seus próprios óvulos) ou mesmo o adiamento da gravidez devido a outros fatores.

O tempo para tomar a decisão de optar pela doação de óvulos pode levar semanas ou mesmo meses e o fato da mulher poder vivenciar toda a gestação contribui para a aceitação do tratamento. Também é possível escolher as características da doadora como cor dos olhos, cabelo e pele, fazendo que seja mais parecido com as suas próprias.

Uma forma de ajudar na decisão da doação de óvulos é levantar junto ao médico algumas questões como:
  • Quantos tratamentos com doação de óvulos é feito pela clínica por mês e qual a taxa de sucesso?
  • Como são selecionas as doadoras e quantas ficam disponíveis para tratamento imediato? Existe um tempo de espera para encontrar uma doadora?
  • Como funciona o pagamento do tratamento?
  • Uma doadora pode doar para mais de uma receptora para reduzir os custos do tratamento?
  • O que ocorre caso a doadora não tenha óvulos suficientes? Haverá diferença nos custos do tratamento?
  • A receptora deve ter uma idade máxima para tratamento ou um estado civil específico?


Onde buscar tratamento?


Normalmente esse tipo de tratamento é oferecido por clínicas e hospitais especialistas em reprodução humana. O SUS (Sistema Único de Saúde) também oferece o tratamento em alguns hospitais universitários.


Deve-se ter bem esclarecido que a doação de óvulos além de ser uma opção de tratamento com melhor custo financeiro é um ato de amor e que não se pode ter ilusões de como seria conhecer um filho gerado pelo óvulo doado. Legalmente e eticamente, a mulher deve saber que é uma ação totalmente altruísta que a destitui de qualquer vínculo com a criança. É importante tirar todas as dúvidas mas que ao optar pelo tratamento estará contribuindo não apenas para sua felicidade mas também para a felicidade de uma outra família. Até a próxima!

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