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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Anticoncepcional: perigos escondidos.

Esse é um assunto delicado, principalmente por sempre ter um exemplo de alguém que nunca teve nada usando anticoncepcional. Gosto de destacar que vale a pena ficarmos atentas aos perigos que nem sempre conhecemos do uso de AC (anticoncepcional). Muitos médicos ignoram o histórico familiar da paciente antes de prescrever um medicamente e isso é um problema muito sério! Cabe a nós estarmos mais conscientes dos perigos e tentar evitar riscos desnecessários nos tratamentos.

Riscos conhecidos


Segundo estudo publicado pela BMJ, os anticoncepcionais mais recentes, chamados de terceira e quarta geração, apresentam mais riscos de trombose do que os mais antigos (de primeira e segunda geração). Isso ocorre pois os AC recentes são feitos combinando substâncias como drospirenona, o desogestrel, o gestodeno e a ciproterona (tem efeito semelhante ao da progesterona) como é o caso do Diane 35 e do Yaz. Essas substâncias aumentam em 4 vezes os riscos de trombose comparado a quem não usa nada, e aumenta 2 vezes os riscos comparados a quem usa os AC de primeira e segunda geração. 

O que é trombose?


Trombose Venosa Profunda ou apenas Trombose é a formação de um coágulo sanguíneo em uma ou mais veias localizadas da parte inferior do corpo, geralmente nas pernas. Esse coágulo bloqueia o fluxo de sangue e causa inchaço e dor na região. O problema maior é quando um coágulo se desprende e se movimenta na corrente sanguínea, em um processo chamado de embolia. Uma embolia pode ficar presa no cérebro, nos pulmões, no coração ou em outra área, levando a lesões graves.

Embora possa não apresentar sintomas, em metade dos casos, alguns sinais podem indicar que há algo errado acontecendo, como dor nas pernas, principalmente nas panturrilhas, podendo chegar até o pé e o tornozelo, ou ainda uma sensação de queimação na região afetada. Outro sintoma seria mudança na cor da pele da região afetada pela doença, que começa a ficar vermelha ou azul, ou também pode haver um edema (inchaço) na perna afetada.

Quais anticoncepcionais são mais perigosos?


As pílulas Yaz, Elani Ciclo, Yasmin e Diane 35 são os que contém substâncias que aumentam os riscos de trombose. 

Na França, em 2013, o uso do anticoncepcional Diane 35 foi proibido após a confirmação de mortes por causa de trombose devido ao uso do medicamento. Apesar da medida francesa, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), órgão responsável por avaliar os riscos dos medicamentos no Brasil, apenas determinou que fosse mantido um aviso na bula do medicamento indicando os riscos. 

O uso do Diane 35 no Brasil se deve por ser a base de ciproterona, conhecida por melhorar a pele e o cabelo, sendo muito utilizado no tratamento de mulheres com SOP (síndrome de ovários policísticos) já que o excesso de espinhas tende a ser um dos sintomas da síndrome. 

Cabe ao médico informar os riscos as pacientes (o que quase nunca ocorre) e a paciente ler a bula (nem todas fazem). Embora uma investigação do histórico familiar a respeito também é uma medida eficiente de prevenção, já que mulheres com histórico trombolítico ou que fumam estão no grupo de risco. 

Existe um grupo no facebook com depoimentos de mulheres que sofreram algum dano pelo uso do AC e eles podem ajudar você a entender melhor os riscos e pesar os custos benefícios dos mesmos. 

Minha experiência com Diane 35


Em outubro de 2012 minha ginecologista passou o AC Diane 35 como tratamento da SOP. Teria que utilizar por 8 meses (um tormento para quem quer engravidar) para só depois tentar um baby. 
Já nos primeiros dias eu comecei a sentir muita dor de cabeça e muitas cólicas. Enjoos e tonturas também me acompanharam durante todo o tempo. Cheguei a tomar 5 comprimidos de paracetamol para aguentar as dores. Isso mesmo! Não ficava muito tempo sem tomar o analgésico sem que quisesse bater minha cabeça na parede. Foi um verdadeiro tormento mas achava que seria apenas nos primeiros dias. Infelizmente chegou a data da pausa e nada mudou e foi então que decidi parar o tratamento pois já não aguentava viver a base de remédio. Fico feliz pelas mulheres que conseguem tomar sem sentir nada, mas eu não recomendo o uso desse remédio por nada! 

Apesar dos riscos, não precisa correr para parar o medicamento se já faz uso do mesmo e não apresentou sintomas. Contudo, vale a pena avaliar junto com o seu médico qual a necessidade de utilizar a marca de AC (Diane 35 ou outras) ou se há possibilidade de optar por outro com menos riscos. 

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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Uso prolongado de anticoncepcional atrapalha as tentativas de engravidar?

Depois de um longo período usando anticoncepcional eis que chega a hora de aumentar a família. O primeiro medo que aparece é se isso irá atrapalhar sua fertilidade. 


Desvendando o mito


Um dos métodos mais antigos para evitar a gravidez, o anticoncepcional revolucionou a forma de controlar o crescimento da família. Pode ser composta por um ou dois hormônios que se igualam aos produzidos pelos ovários durante a gravidez, o que faz com que o corpo iniba a ovulação por "acreditar" que há uma gravidez em curso. 

Cada organismo tem sua forma particular de reagir a ingestão desse(s) hormônio(s), de forma que algumas mulheres poderão sentir alguns efeitos colaterais como retenção de líquidos, dores de cabeça entre outros. Muitas mulheres por não entender direito o funcionamento do ciclo menstrual e da pílula pode então ter dúvida se o corpo não está "acostumado" a não ovular e se isso poderá ser permanente. 

Da mesma forma que cada mulher terá uma reação diferente ao uso do anticoncepcional, o retorno do ciclo menstrual, bem como a ovulação natural, levará um tempo diferente para cada pré-mãe. Em geral, o organismo poderá levar de 1 a 3 meses para deixar os efeitos do contraceptivo. Esse prazo poderá se estender em caso de uso da opção injetável de duração de 3 meses, já que o mesmo permanece longo tempo no corpo. 

Quem diz que demorou?


Muito comum ler alguns comentários de pessoas que afirmam que o uso da pílula dificultou sim engravidar. Nesse caso, a hipótese levantada por muitos médicos é o desconhecimento de outro fator de infertilidade previamente. 
Geralmente, a mulher passa a tomar contraceptivos (em pílulas ou injetáveis) no princípio da vida sexual. De forma, que não se houve uma investigação de fertilidade, já que isso era justamente o que a mulher que optou pelo anticoncepcional queria evitar(óbvio!!). 

No meu caso, por exemplo, que tenho SOP, só soube do problema alguns anos depois quando resolvi engravidar. Até então, acreditava que bastava esquecer um comprimido que engravidaria com certeza!

Algumas mulheres irão dizer que mesmo depois de parar o remédio e com exames normais demoraram mais de um ano para engravidar. Lembremos que uma gravidez pode levar um ano para que ocorra naturalmente em casais que não possuem qualquer problema de fertilidade. Soma-se a esse tempo, o período que o corpo levou para voltar a ovular normalmente (que é diferente em cada mulher e que também pode ser muito maior se foi feito uso de contracepção injetável).

Outro fator que possa estar contribuindo para a demora do positivo é que a investigação de fertilidade é feita, primeiramente, apenas pela mulher, nesse caso, até que se descubra que o problema é do parceiro aumenta a demora. 

Muitas vezes o problema está na cabeça da pré-mãe. Alguns fatores psicológicos, como culpa e até mesmo "punição inconsciente" pelo uso do contraceptivo ( pensar "antes não queria filho, então agora não conseguirá!") pode levar a alterar o ciclo menstrual, onde poderá ocorrer até a suspensão da ovulação devido a ansiedade.

E se eu não engravidar?


Essa pergunta deve ser respondida pela investigação conjunta dos pré-pais de fatores físicos que possam estar contribuindo no atraso da cegonha. E se descartando o fator físico, o casal pode optar pelo coito programado, onde haverá uma estimativa mais precisa do momento mais propício a concepção. 

São exames feitos para determinar em que data ocorrerá a ovulação (através de ultrassom seriada e níveis hormonais no sangue ou na urina), de forma a maximizar as chances de gravidez, indicando em quais dias o casal deverá namorar. É um ponto de partida e caso não haja resultado, pode-se então avaliar a opção por outros métodos de fertilização com uso de indutores ou inseminação artificial.

Ressaltamos então, que o tempo para engravidar pode ser maior devido a muitos fatores, entre eles a idade, que também deve ser levada em conta. Mas que de acordo com os médicos, o uso prolongado da pílula não é determinante para o fim da fertilidade, mas que pode atrasar a conquista do positivo, tudo dependerá de como seu corpo irá se organizar com o fim do uso do mesmo. O importante é não desistir jamais da conquista de um sonho. Quanto mais ferramentas você adicionar à caminhada pelo positivo, mais rápida chegará sua conquista. Até a próxima. 


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Os mitos sobre como engravidar